Real Madrid vence e elimina Manchester United em Old Traford

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O jogo começou bem antes do pontapé de saída e foi de Ferguson o primeiro gesto. Enquanto o Real Madrid repetia o onze que tinha vencido em Camp Nou, com Pepe no banco, o escocês transformava a sua equipa numa máquina de contenção e desdobramentos rápidos, com Nani e Welbeck no apoio a Van Persie. Rooney começava no banco, e Ryan Giggs encaixava em Fábio Coentrão na noite em que cumpria o 1000º jogo como profissional. O primeiro “round” também foi de Ferguson: fazendo ao Real Madrid aquilo que este tem feito ao Barcelona, o United mostrou uma maturidade tática que lhe permitiu aguentar o embate e, a partir dos 15 minutos, ganhar ascendente, mesmo com menos bola. O Real Madrid (sempre acima dos 60 por cento de posse de bola) tinha a circulação estéril, mas eram as saídas rápidas do Man. United, com Nani e especialmente Welbeck em grande plano, a criar perigo. O guarda-redes do Real Madrid começou por ter sorte, numa cabeçada de Vidic ao poste (21 min), mas logo depois teve uma dupla defesa importante, a remates de Van Persie e Welbeck. O intervalo aproximava-se com o Man. United mais confortável, apesar de De Gea também ter de mostrar serviço perante Higuaín. A lesão muscular de Di María, aos 44 minutos, obrigou Mourinho a mudar de planos, lançando Kaká. A mudança forçada acabou por não ser má: a organização defensiva do Man. United retirava do jogo os extremos merengues, empurrando a construção do Real Madrid para a zona central, onde Kaká tinha mais argumentos que o argentino. O recomeço trazia características semelhantes, mas a infelicidade de Sergio Ramos, que já na primeira mão tinha comprometido, voltou a dar vantagem ao Man. United. Aos 48 minutos, depois de uma primeira defesa de Diego Lopez, foi o pé do capitão do Real a trair o guarda-redes e a deixar a sua equipa em muito maus lençóis. Seguiram-se dez minutos de pressão do Real, sempre com o Man. United a fechar bem os caminhos da baliza. Mas aos 59 minutos, uma entrada imprudente de Nani, com o pé alto, acertou no estômago de Arbeloa. O árbitro turco Cuneyt Çakir decidiu com demasiada severidade, mostrando o verme-lho directo, e o filme do jogo mudou. Rápido a reagir, Mourinho trocou Arbeloa por Modric, e como por magia o croata deu lucidez à circulação do Real. Foi ele a igualar a eliminatória com um tiraço espectacular de fora da área (66 minutos). Três minutos mais tarde, um Manchester United ainda atordoado permitiu a Ozil e Higuaín uma combinação vistosa na área, concluída com um cruzamento tenso que Ronaldo desviou ao segundo poste. Como no Bernabéu, Cristiano, até aí muito bem marcado, voltou a dar um desgosto à sua antiga equipa. Como no Bernabéu, voltou a não festejar, esboçando até um pedido de desculpas. A eliminatória ficava decidida: corajoso, o Manchester Uni-ted carregou em busca do segundo golo, lançando Rooney, Young e Valencia para os minutos finais. Mas o Real foi sólido, e teve em Diego Lopez um guarda-redes decisivo, negando golos a Van Persie, Vidic e Giggs. O encontro chegava ao fim com justificada frustração dos ingleses, que até à expulsão de Nani tinham a situação controlada. Mas com este triunfo, o Real confirma estatuto de favorito à conquista da Champions. E foi com um apuramento nos oitavos de final, neste estádio, que Mourinho começou, há nove anos, a sua história de paixão com a prova.

Intenso, apaixonante, polémico. O grande jogo desta ronda da Champions foi tudo aquilo que poderia esperar-se. O Real Madrid saiu por cima, impondo-se a um sólido Manchester United. Mourinho voltou a ganhar um duelo a Ferguson, Cristiano Ronaldo foi aplaudido e marcou no regresso a Old Trafford. Mas foi outro português, Nani, o protagonista involuntário do momento chave da noite, sendo (mal) expulso pelo árbitro turco Cuneyt Çakir, numa altura em que a sua equipa estava por cima, no marcador e no campo.