Rancho Folclórico Terras do Norte celebrou ontem 33 anos de existência

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Ontem, domingo 18 de Fevereiro, o rancho folclórico Terras do Norte celebrou o seu trigésimo terceiro aniversário, completado a 15 de Fevereiro. Mais de duzentas pessoas juntaram-se no salão de festas do Luso África, onde agora tem sede o grupo folclórico, para celebrar a data.

 A ocasião foi marcada pelo optimismo, com tanto a presidente do Terras do Norte, Wendy Ferreira como o presidente da Federação Portuguesa de Folclore da África do Sul, José Ferreira, com um discurso optimista e positivo em relação ao futuro do Terras do Norte bem como dos restantes ranchos da Comunidade portuguesa.

 A tarde foi aberta com a presidente Wendy Ferreira a dar as boas vindas a todos os presentes e a informar que o almoço seria então servido, isto pelas 13:30.

 Primeiro, foi o prato da sopa, esta de vegetais. Logo em seguida, o buffet do almoço foi aberto, com vários pratos típicos portugueses servidos, como arroz de tomate com ervilhas, bacalhau à Brás, carne de porco assada, frango assado na brasa, batata frita aos gomos e salada verde.

 De referir que a equipa que chefiou a cozinha, apresentou como é já regra nos eventos do Terras do Norte, uma refeição do mais alto paladar e qualidade. Sempre variada e pratos diversos da vasta gastronomia portuguesa. Vários foram os elogios tecidos em torno da qualidade da refeição.

 De notar também que as senhoras que compõem a equipa da cozinha portam sempre um sorriso aberto e uma vontade de ajudar e satisfazer os convidados dos eventos do Terras do Norte.

 Logo após a refeição, foi a vez do artista Roberto Adão subir ao palco e entreter todos os presentes com vários temas do seu reportório. Depois da actuação de Adão, que durou cerca de trinta minutos, foram servidas as sobremesas, também elas típicas portuguesas.

 Em seguida, pelas 17 horas, teve lugar o momento alto da tarde, a actuação do rancho aniversariante. O Terras do Norte entrou na pista de dança, liderado pelos porta-estandarte, com Wendy Ferreira e as suas características castanholas. Após a primeira moda, foram apresentados Mário Pereira e Anna-Maria Aires, ambos em estreia pelo rancho e na sua primeira actuação pública. Foram fortemente aplaudidos.

 A presidente do Terras do Norte dirigiu algumas palavras aos presentes, “já sou presidente deste rancho pela segunda vez, faço parte há trinta anos e como eu há muitos elementos antigos e tenho o prazer de anunciar que temos elementos em treino e a começar brevemente connosco.”

 “O folclore passa muitas dificuldades, mas fico feliz em saber que há jovens a ingressar no nosso grupo o que da esperança, porque parte na nossa cultura vai continuar viva!” “Quero também agradecer às senhoras que traba-lharam na cozinha e sem elas não seria possível esta festa, nem nenhuma das outras. Nenhuma das senhoras participa já no rancho ou tem filhos ou familiares a dançar ou a tocar, mas estão aqui e agradeço-vos pelo esforço porque têm amor ao Terras do Norte”.

 Wendy Ferreira agradeceu a presença do presidente da Federação Portuguesa de Folclore na África do Sul, José Ferreira, Alexandre Santos, presidente da Federação das Associações na África do Sul, Joaquim Melo, presidente do Luso África, Manuel Ferreiri-nha e José Manuel Contente, presidente da Academia-Mãe do Bacalhau.

 Wendy também agradeceu a presença do Século de Joanesburgo, “pelos anos de continuado apoio, sem vocês es-tamos no “escuro” e ninguém vê nem sabe o que fazemos. Obrigado”.

 Chamado a discursar foi também José Ferreira, que deu testemunho do folclore estar vivo, alegrou-se por ver mais de duzentas pessoas presentes naquela tarde e agradeceu ao apoio de todos que desde o inicio até hoje fizeram o Terras do Norte.

  Foram então entregues lembranças de agradecimento às “senhoras da cozinha”, aos membros do rancho, à Direcção do rancho e aos vários patrocinadores do Terras do Norte. Homenageada foi também a dona Dulce Ferreira, que anualmente há décadas oferece o bolo de aniversário do rancho. Foi alvo de uma forte salva de palmas.

 Foi feito o retrato de família do rancho, que pousou para o fotógrafo profissional Carlos Silva e José Ferreira colocou a fita de aniversário no estandarte do Terras do Norte. Os vários membros do rancho folclórico foram a plateia buscar pessoas para dançar e depois foram convidados vários membros antigos da tocata e dançarinos a participar numa moda do rancho. Foram momentos muito bonitos, com o palco e a pista de dança cheios de participantes.

 Após a saída do Terras do Norte, vários convidados juntaram-se, num momento espontâneo, à tocata do rancho a tocar e a dançar no exterior do salão, o conferiu um ar ainda mais especial à tarde de celebração do Terras do Nor-te.

 A tarde foi concluída com convívio e dança até ao serão.

 

* Comentários sobre a efeméride

 

 José Ferreira, presidente da Federação de Folclore na África do Sul: “São 33 anos de uma vida dura, lutando para que a nossa cultura não se perca. E, também, para que os jovens luso-descendentes não esqueçam a nossa cultura e identidade lusa. Isto, para nós serve para darmos continuidade para que os nossos filhos e netos e futuras gerações portuguesa na África do Sul possam levar os clubes e os ranchos adiante pelo Futuro. Porque, infelizmente, há tendência para em particular nesta parte do globo, em África, as tradições serem esquecidas.”

 “Sabemos que é difícil, para os jovens participarem, porque infelizmente há famílias que não podem dar 700 euros por um traje, quanto mais dois mil euros como eles chegam a custar. Mas, quando é assim, eu faço um apelo aos pais e aos jovens interessados, aproximem-se de nós, que nós com ajudas, através do Consulado-Geral de Joanesburgo também, arranjamos trajes para os dançarinos e músicos. Não serão de grandes valores avultados, mas faremos o nosso melhor para pelo menos dar um traje. O que quero dizer é que não deixem de dançar ou participar só por falta de dinheiro ou meios, havemos sempre de arranjar uma solução.”

 “Hoje, domingo, foi um dia lindo, uma festa linda, para cima de duzentas pessoas no salão e correu tudo maravilhosamente bem. Foi também uma actuação muito boa do rancho”, concluiu José Ferreira.

 Alexandre Santos, presidente da Federação das Associações na África do Sul:

“Vejo a data naturalmente com muito jubilo, é claramente uma expressão do crescimento do movimento associativo na África do Sul que se tem vivido nos últimos tempos. Estou-me a referir também à continuidade deste rancho, um rancho que leva um longo tempo a servir a Co-munidade, a Cultura e a música portuguesas.” “É com grande satisfação que vejo o nú-mero de presenças, o que re-vela o dinamismo deste rancho. Esperemos que continue a dar frutos no Futuro”, afirmou Alexandre Santos

 Joaquim Melo, presidente do Luso África: “Hoje vejo o dia e o rancho como muito forte. Está, creio eu, em bom caminho. A minha filha agora decidiu dançar, por vontade própria. Eu não obrigo os meus filhos a fazerem nada e ela aproximou-se de mim e disse-me “Pai, quero entrar no rancho que está agora no Luso”.

 “A passagem para as instalações do Luso, foi de facto muito bom. Logisticamente, há amplo estacionamento, segurança, temos as infraestruturas e aquilo que eles pagam aqui é uma, vamos lá, contribuição. Penso que agora possuem condições para volta-rem a crescer e eu estou a dedicar o meu tempo e energia para os ajudar no que puder, porque eu não sou só presidente do Luso nem apenas ciclistas. Sou ciclista, sou escuteiro, sou associado do clube e sou do rancho. Ou seja, faço tudo para que tudo dentro do Luso África tenha as melhores condições e vingue”, declarou Joaquim Melo.