Quebra da natalidade preocupa Governo português

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Quebra da natalidade preocupa Governo português
O presidente do PSD e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, anunciou ontem que convidou Joaquim Azevedo, da Universidade Católica Portuguesa, para chefiar uma equipa multidisciplinar que, em três meses, prepare um plano de acção na área da natalidade.

 “Convidei o sr. professor Joaquim Azevedo da Universidade Católica Portuguesa para chefiar uma equipa multidisciplinar que, nos próximos três meses, nos deva habilitar a poder, com os outros partidos, com os parceiros sociais, formar um programa de acção que sirva para a nossa discussão na União Europeia e em Portugal”, afirmou Passos Coelho, no encerramento do XXXV Congresso do PSD, em Lisboa.
 
 O líder social-democrata referiu que o Governo irá “a seu tempo” tomar “uma iniciativa clara” na área da natalidade, mas sublinhou ser importante que os partidos assumam também as suas responsabilidades. 
 “Hoje, como presidente do partido, quero aqui dizer que, tal como decorre da minha moção de estratégia, nós iremos dedicar ao tema da natalidade uma importância crucial”, garantiu.
 Joaquim Azevedo é professor catedrático da Universidade Católica Portuguesa e presidente do Centro Regional do Porto daquela instituição.
 
 Passos Coelho disse que o declínio da natalidade em Portugal e na Europa é “um tema crítico” e que coloca em causa a sustentabilidade do Estado social.
 
 “Esta é uma tarefa que a todos convoca”, apelou.

* Entendimento sobre pós-’troika’ seria a melhor prenda nos 40 anos da democracia – Passos Coelho
           
 O presidente do PSD e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, insistiu ontem num entendimento político alargado sobre o pós-’troika’, alegando que essa seria a melhor prenda para os portugueses nos 40 anos da democracia.
 “Essa era a melhor oferta que os partidos podiam fazer neste 25 de Abril”, declarou Pedro Passos Coelho, no encerramento do XXXV Congresso Nacional do PSD.
 
Na sua intervenção, o chefe do executivo PSD/CDS-PP considerou que muitas matérias da reforma do Estado têm de avançar ainda nesta legislatura, que é preciso assegurar a capacidade de estabelecer compromissos na próxima legislatura e assinalou a necessidade de continuar a baixar o défice, acusando o PS de se escusar a apresentar as suas medidas para esse efeito.

* Passos obtém 18 lugares em 70 no Conselho Nacional

 A lista de Pedro Passos Coelho ao Conselho Nacional do PSD, encabeçada por Miguel Relvas, conseguiu 18 dos 70 lugares deste órgão, o pior resultado da sua liderança, numa eleição à qual concorreram nove listas.
 
 Em 2012, concorreram dez listas ao Conselho Nacional, cuja composição passou de 55 para 70 membros efectivos e a lista de Pedro Passos Coelho, encabeçada por Paulo Rangel, elegeu 25 membros, perdendo a maioria absoluta de que dispunha até então.
Em 2010, a “lista de unidade” que acordou com o seu ex-adversário interno Paulo Rangel, liderada pelo eurodeputado, tinha conseguido 29 dos 55 lugares deste órgão máximo entre congressos, numa eleição à qual concorreram 13 listas.

* Fernando Ruas reeleito presidente da Mesa do Congresso com 88,5% dos votos

 Fernado Ruas, ex-presidente da Câmara Municipal de Viseu, foi reeleito presidente da Mesa do Congresso do PSD, numa lista que obteve 684 votos a favor.

 Participaram na votação 773 congressistas, o que dá uma votação favorável à Mesa do Congresso de 88,5% dos votos, uma percentagem semelhante à do congresso de há dois anos, quando conseguiu 89%.
 O resultado desta eleição foi anunciado pelo presidente do Conselho de Jurisdição, Calvão da Silva, no XXXV Congresso do partido. 
 Incluem ainda a Mesa do Congresso Hermínio Loureiro e Fernando Costa, como vice-presidentes, e Duarte Pacheco, Isaura Morais, Domingos Dias e Anabela Anjos, como secretários.

* Reunião do Coliseu teve a marca dos  ex-líderes e termina com apelos ao entendimento

 O XXXV Congresso do PSD terminou ontem com um novo apelo de Pedro Passos Coe-lho a um entendimento alar-gado no pós-‘troika’, que disse ser a melhor forma de assinalar os 40 anos do 25 de Abril.
 O sexto congresso que o PSD realizou no Coliseu dos Recreios de Lisboa acabou por ficar marcado pela presença em peso de ex-líderes do partido, pelo anúncio do cabeça de lista da maioria PSD/CDS-PP às europeias, Paulo Rangel, e pelo regresso de Miguel Relvas aos órgãos nacionais do partido, como número um da lista de Passos Coelho ao Conselho Nacional.
 
 A direcção perdeu também um lugar no Conselho de Jurisdição, o outro órgão eleito por método de Hondt, mas registou percentagens semelhantes às do último Congresso quer na eleição da Comissão Política Nacional (85% contra 88% em 2012) e da Mesa do Congresso (88,5% contra 89% há dois anos).
 
 As principais novidades do núcleo duro de Passos Coelho são a entrada do deputado José Matos Correia e do autarca Carlos Carreiras para vice-presidentes, substituindo Nilza Sena e Manuel Rodrigues.
 
 Depois de na sexta-feira ter aberto o Congresso criticando a receita do PS e dizendo que a oposição estava zangada por temer que a “melhoria” do país fosse a sua desgraça eleitoral, Passos Coelho deu continuidade ao apelo lançado em discursos marcantes do congresso, como os de Marcelo Rebelo de Sousa ou Nuno Morais Sarmento, a um entendimento com os socialistas.
 O desafio teve resposta imediata por parte do representante do PS na sessão de encerramento do congresso, com João Proença, do secretariado nacional do PS, a considerar a proposta “pura manobra eleitoral”.
 
Com Portas presente na sessão de encerramento, Passos reafirmou o desejo expresso pelo líder do CDS há mês e meio de que a coligação chegue ao termo do seu mandato e anunciou a criação de uma equipa multidisciplinar que elabore, em três meses, um plano de acção na área da natalidade.
 
 Se as europeias foram um dos temas fortes do congresso – com Passos Coelho e Paulo Rangel a afirmarem a vontade de vencer estas eleições a 25 de Maio – as legislativas de 2015 e até as presidenciais de 2016 não ficaram à porta do Coliseu dos Recreios.
 Foram várias as vozes, incluindo a de Passos Coelho, que manifestaram a convicção de que o PSD pode ganhar as próximas legislativas por ter sido o partido irá conduzir o país ao fim do resgate e à recuperação económica, por oposição ao PS, que, segundo os sociais-democratas, levou o país à quase bancarrota.
 
 O líder socialista, António José Seguro, foi, aliás, o principal alvo das críticas dos congressistas – o “pisca pisca da política”, chamou-lhe Hugo Soares, líder da JSD, e acusado de não ser quem manda verdadeiramente no partido por Aguiar-Branco, referindo-se a António Costa.
 
 Se no primeiro dia se ouviram ataques aos notáveis do partido ausentes do congresso quando, ao mesmo tempo, o criticam em espaços de comentário televisivo, no segundo dia o Coliseu dos Recreios rendeu-se aos ex-líderes e, sobretudo, a Marcelo Rebelo de Sousa, que apareceu inesperadamente na reunião por, disse, não querer ficar de fora no momento em que se assinalam 40 anos do partido.
 
 Ao longo de uma hora, o congresso – e Pedro Passos Coelho – riu, aplaudiu e galvanizou-se, levando várias vozes do partido a comentar depois que poderá estar reaberto o caminho do ex-líder e comentador político a Belém.
 
 Uma dessas vozes foi de outro ex-líder que apareceu de surpresa no Congresso, Marques Mendes, já depois do jantar, mas que não falou aos congressistas. Já Luís Filipe Menezes, que também tinha afirmado a intenção de não ir, mudou de ideias e foi ao Coliseu assumir a derrota autárquica no Porto e recordar o célebre discurso que fez, em 1995, no mesmo palco e onde criticou os “sulistas, elitistas e liberais” do partido.
 
 “Foi como uma daquelas festas de aniversário surpresa” em que “havia uma série de pessoas que não eram para vir, o aniversariante julgava que não vinham, e de repente começou a aparecer tudo”, resumiu Santana Lopes, o outro ex-líder que compareceu e ‘fechou’ a noite social-democrata.