Quando votar, pense no melhor para Portugal

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Quando votar, pense no melhor para Portugal

Às eleições legislativas portuguesas do próximo domingo, dia 4 de Outubro, concorrem 16 forças políticas, das quais três são coligações e as restantes 13 são partidos.

  Nas coligações, contam-se a Coligação Portugal à Frente, com PSD e CDS-PP, a Coligação Agir, que alia o MAS ao PTP e a Coligação Democrática Unitária (CDU), que junta PCP e PEV. Os partidos políticos são: PS, BE, Livre/Tempo de Avançar, JPP, Nós, Cidadãos!, PPV/CDC, MPT, PDR, PCTP/MRPP, PNR, PURP, PPM e PAN.

  Segundo dados oficiais do início de Setembro, estão recenseados 9.682.369 eleitores residentes em território nacional e no estrangeiro, que vão votar na força política que consideram dever ser chamada para o Governo ou no partido que pensam que melhor os representa, elegendo os 230 lugares de deputados da Assembleia da República para a próxima legislatura, a qual ditará, por reflexo constitucional e com base na maior bancada parlamentar, a liderança do novo executivo de Portugal.

  A noite da contagem dos votos, após o encerramento das urnas, será longa mas os resultados finais – independentemente de haver ou não margem para uma declaração mais imediata de vitória – só serão conhecidos no dia 14 de Outubro. Porque os portugueses recenseados fora do País pode-rão votar nas eleições legislativas apenas através dos bole-tins, que chegam – se chegarem…. – pelo Correio aos países de residência, e que devem ser enviados devidamente preenchidos, pela mesma via, com carimbo dos Correios até ao dia 4, não contando os que cheguem a Portugal depois do dia 14 de Outubro.

  Como por aqui, na África do Sul, ainda não foi visto até agora nenhum boletim de voto, não se sabe quantas coligações e partidos se candidatam pelo Círculo Eleitoral de Fora da Europa.

  Os maiores boletins de voto, isto é aqueles que contêm mais partidos concorrentes, estão nos círculos de Aveiro, Braga e Viana do Castelo, com 16 forças partidárias, enquanto Lisboa e Porto contam com 15 forças políticas cada um.

  O círculo eleitoral de Lisboa é aquele onde são eleitos mais deputados, 47, seguindo-se o Porto, que elege 39. Em relação à distribuição de mandatos de 2011, o círculo eleitoral de Santarém vai eleger menos um deputado nas legislativas de Outubro, ganhando Setúbal mais um lugar no Parla-mento, de acordo com o mapa aprovado pela Comissão Nacional de Eleições.

  Em relação a 2011, apenas o Partido Socialista e o Bloco de Esquerda contam com novos líderes. António Costa sucedeu a António José Seguro como secretário-geral do PS, enquanto Catarina Martins é coordenadora e porta-voz do BE, depois de Francisco Louçã ter sido candidato há quatro anos.

  Os restantes partidos com representação parlamentar continuam com a mesma liderança, com Jerónimo de Sousa à frente da CDU, Pedro Passos Coelho na presidência do PSD e Paulo Portas líder do CDS-PP.

  Em 2011, o PSD venceu as eleições com 38,66% dos votos (108 deputados), o PS foi a segunda força mais votada, com 28,05% (74 deputados), seguindo-se o CDS-PP, com 11,71% (24 deputados), a CDU, com 7,90% (16 deputados) e o BE, com 5,17% (8 deputados). A abstenção situou-se nos 41,1%, a mais elevada de sempre registada em legislativas.

  Para as próximas eleições, existem alguns números curiosos a registar. A União das Freguesias de Cascais e Estoril é a que tem mais eleitores inscritos para as eleições legislativas, contabilizando 55.617, enquanto a de Mosteiro, na ilha das Flores, Açores, tem o menor número de recenseados, 29.

  Os dados indicam ainda que na lista das 20 freguesias com maior número de eleitores inscritos para as legislativas de 4 de Outubro consta, em segundo a lugar, a freguesia de Algueirão – Mem Martins (53.158) e, em terceiro lugar, Odive-las (51.499), no distrito de Lisboa.

  Nos primeiros lugares da lista permanecem ainda as freguesias do distrito de Lisboa, a União das Freguesias de São Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias (50.929) e São Domingos de Rana (46.637).

  A sexta freguesia com maior número de eleitores recenseados é a União das Freguesias de Mafamude e Vilar do Pa-raíso (45.909), em Vila Nova de Gaia, seguindo-se a União das Freguesias de Almada, Cova da Piedade, Pragal e Cacilhas (45.536), no distrito de Setúbal.

  A lista refere também que outras cinco freguesias da ilha das Flores constam dos primeiros lugares das 20 autarquias com menos recenseados inscritos para as legislativas, designadamente Caveira (68), Fajãzinha (71), Lajedo (98), Ce-dros (130) e Lomba (146).

  A revelar um interior bastante despovoado, as autarquias de São João do Peso (136) e Madeirã (155), no distrito de Castelo Branco, de Pessegueiro, Coimbra, (146) e Desejosa, em Viseu, (156) fazem também parte do top 20 das freguesias com menos eleitores.

  Os concelhos com mais eleitores são Lisboa (496.743), Sintra (306.372), Vila Nova de Gaia (263.258), Porto (216.038), Cascais (174.361), Loures (165.382) e Braga (161.711).

  Já os concelhos com menor número de recenseados são Corvo (338), Lajes das Flores (1.279), Barrancos (1.389), Santa Cruz das Flores (1.919), Alvito (1.938), Mourão (2.293) e Alcoutim (2.649).

  Quanto à diáspora, que elege quatro deputados, o círculo Fora da Europa passou de 120.068 eleitores, em 2011, para 164.273 eleitores este ano e o círculo da Europa subiu dos 75.114, em 2011, para os actuais 78.253 eleitores, de acordo com os dados fornecidos recentemente pela Secretaria Geral do Ministério da Administração Interna. São Paulo, no Brasil, é o maior colégio eleitoral fora de Portugal e, somado com a cidade de Santos, no litoral, tem mais de 75 mil recenseados para as próximas eleições legislativas, o equivalente a 42% dos eleitores do círculo eleitoral Fora da Europa. Basta que haja ali uma boa votação a favor da Coligação PSD/CDS, para que José Cesário e Carlos Páscoa, sejam eleitos deputados. Maria João Ávila e António Simões são os seus suplentes.

  O próximo Governo irá também trabalhar com um novo Presidente da República, a eleger no início de 2016. Dois dos previsíveis candidatos a Belém, com fortes probabilidades de chegarem à Chefia do Estado, são Marcelo Rebelo de Sousa e Rui Rio. Por isso, é curioso saber o que cada um deles pensa das duas maiores forças políticas em campanha para as eleições legislativas do próximo domingo.

  O antigo presidente do PSD, professor universitário e actual comentador político, Marcelo Rebelo de Sousa, afirma que a escolha nas legislativas é entre a "proposta de bom senso" da Coligação Portugal à Frente (PSD/CDS-PP) e "um cheque em branco" do PS.

  "Entre uma proposta que é uma proposta de bom senso, de segurança, de realismo no mundo e na Europa em que vivemos, e uma proposta que é um cheque em branco, que não sabemos quem é que vai preencher e com que montante e com que prazo de pagamento, naturalmente que a primeira via, que é a via da coligação protagonizada por quem ao longo dos últimos quatro anos e meio esteve num combate interno e no combate internacional complexo pelo País, é essa, a meu ver, a via mais segura, mais sensata, mais ponderada para o futuro de Portugal", diz Marcelo Rebelo de Sousa.

  Num jantar-conferência na Marinha Grande, Leiria, no âmbito de uma iniciativa da concelhia local do PSD, integrada na campanha distrital da Coligação Portugal à Frente (PSD/CDS-PP), o professor universitário declarou que no "momento em que o mundo está como está e a Europa está como está", existe de "um lado um caminho de segurança, noutro lado um caminho de incógnita, um caminho de incerteza, um caminho de ponto de interrogação".

  "E a pergunta é a seguinte, num tempo destes, é de jogar pelo seguro ou é o de apostar na incógnita e logo se vê", questionou, defendendo que "a governabilidade do país é essencial" e que "a economia cresce mais e cria mais em-prego" também devido à "situação de estabilidade do país".

  Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, "os portugueses sa-bem que a pior coisa que poderia haver nos próximos anos" era ingovernabilidade, "governos a caírem uns atrás dos ou-tros", voltar-se "à experiência de governos de ano e meio ou de um ano, ou até de meses" com "uma crispação e uma rigidez no diálogo entre os partidos políticos".

  Aos jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou que "a grande interrogação em relação a António Costa é dupla, primeira é saber naqueles domínios em que não fez promessas como é que vai depois definir a política e daí o cheque em branco" e "naqueles em que assumiu promessas como é que no mundo e na Europa como estão hoje consegue cum-prir as promessas em dois anos", observou.

  "E, depois, sobretudo com que apoio, se for minoritário", referiu, considerando que o secretário-geral do PS e candidato a primeiro-ministro, António Costa, "sabendo que é inevitável ter de governar ao centro, faz um piscar de olho à esquerda, precisa dos votos à esquerda para depois poder governar ao centro".

  Quanto a Rui Rio, o antigo presidente da Câmara Municipal do Porto considera “extraordinariamente perigoso” o programa eleitoral do Partido Socialista.

  “Eu acho que aquilo que o PS propõe é muito arriscado. Ou seja, quer andar mais depressa no presente e, em nome do presente, pode arruinar o futuro”, salientou o antigo autarca durante uma arruada da Coligação PSD/CDS no Porto, a qual contou com os cabeças de lista por aquele círculo elei-toral e ministros José Pedro Aguiar-Branco e Pedro Mota Soares, membros de um Governo que tirou Portugal de uma situação de pré-bancarrota.

  “Acelerar o consumo com base na baixa da Taxa Social Única é muito perigoso porque a procura que se gera pode ser feita lá fora e ainda aumenta as importações”, disse Rui Rio, adiantando que “é melhor ser prudente agora com o presente, salvaguardando melhor o nosso futuro, porque, se nós arriscarmos muito, podemos chocar contra a parede e até acho, sinceramente, na componente técnica, eu era incapaz de acreditar naquilo que eles propõem”.

  Depois destas duas esclarecedoras opiniões, não vai ser difícil votar.

R. VARELA AFONSO