Quadros de Vieira da Silva e de Pomar da colecção Jorge de Brito vão a leilão em Paris

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colecçãoQuadros de Maria Helena Vieira da Silva e de Júlio Pomar estão entre meia centena de peças da colecção Jorge de Brito que será leiloada em Paris em Outubro deste ano, indicou fonte da família.

 De acordo com João de Brito, um dos herdeiros, as cerca de 50 peças que vão ser lei-loadas pela empresa francesa Tajan incluem ainda mobiliá-rio, uma tapeçaria belga, por-celanas e várias peças chinesas.

 João de Brito garantiu, no en-tanto, que nenhuma das obras que irá a leilão está re-ferenciada entre os 22 qua-dros contemplados no processo de classificação em curso pelo Instituto dos Museus e da Conservação (IMC).
 Há dias, os herdeiros retira-ram uma dezena de quadros deste conjunto que se encontrava cedida ao museu da Fundação Arpad Szénes-Viei-ra da Silva, em Lisboa, e onde se encontram ainda seis telas.

 As seis telas foram seleccio-nadas num processo para obtenção de um acordo entre o Estado, a fundação e os herdeiros, que não chegou a ser assinado entre as partes, e que poria fim ao processo de classificação com a contrapartida da cedência das obras por cinco anos.

 De acordo com o IMC, o acordo não chegaria a ser assinado devido à queda do Go-verno, e os herdeiros conti-nuam a contestar a classificação e o próprio processo, que os impede de exportar as obras, ou, em caso de venda, dá ao Estado português o direito de preferência na compra.
 "Cada dia que passa estamos a ser prejudicados no nosso património", reiterou João de Brito, acrescentando que a fa-mília "espera há cinco anos um desfecho do processo".

 Não especificou quantas e quais as obras de Vieira da Silva que serão leiloadas em Paris, mas garantiu que não estão abrangidas pelo processo de classificação.
 "Mesmo assim, foram pedidas e concedidas autorizações de exportação ao IMC a todas essas obras, incluindo as do Júlio Pomar", disse.
 A intenção da família é reali-zar uma exposição em Paris representativa da obra de Po-mar dos anos 1950, 1960 e 1970 que servirá "para divulgar o trabalho do artista e prestar-lhe uma homenagem", entre 20 de setembro e 20 de outubro, finalizando com o leilão das peças da coleção.

 "Júlio Pomar foi o primeiro a quem o meu pai comprou quadros e tornaram-se gran-des amigos", recordou João de Brito, comentando que ainda recentemente viu um quadro do artista português a ser leiloado no estrangeiro por um preço "escandalosamente baixo".
 "É um artista de grande valor ainda pouco conhecido lá fora", lamentou.

 Quanto ao processo de classificação das obras de Vieira da Silva em curso, João de Brito espera "que se consiga ainda uma solução em en-tendimento, mas o tempo es-casseia".