PS vence europeias em Portugal com recorde de abstenção de 66%

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PS vence europeias em Portugal com recorde de abstenção de 66%

O Partido Socialista venceu ontem as eleições europeias em Portugal, marcadas por um recorde de abstenção: 66,1%. Quando faltam apurar apenas 20 freguesias em Portugal e 17 Consulados no estrangeiro, os socialistas lideram a votação com uma percentagem a rondar os 32% e a garantiram já seis manda-tos, enquanto a Aliança Portugal, formada pelo PSD e CDS, registava 27,9% dos votos, e também com seis eurodeputados já eleitos.

 A surpresa deste domingo foi a eleição do antigo bastonário da Ordem dos Advogados António Marinho Pinto nas listas do Movimento Partido da Terra. Um resultado que contrasta com uma queda significativa do Bloco de Esquerda.

 Outro partido que pode reclamar vitória é a CDU, a coligação entre PCP e Verdes. Tem já eleitos dois eurodeputados e deverá chegar a um terceiro, com uma percentagem superior a 12%, e que constitui um dos melhores resultados eleitorais dos comunistas.

 O BE caiu nestas eleições mas ainda conseguiu eleger um representante no Parlamento Europeu, ficando com menos de 5% dos votos.

 

* Passos coelho desliga eleições europeias das legislativas

 

 O presidente do PSD e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, defendeu ontem que, apesar das derrotas nas autárquicas e europeias dos partidos que apoiam o Governo, “todas as possibilidades estão em aberto para as próximas eleições legislativas”.

 Em declarações aos jornalistas, sobre os resultados das europeias, no hotel de Lisboa onde se concentraram candidatos e dirigentes da coligação PSD/CDS-PP, Passos Coelho considerou que nestas eleições o PS “não mobilizou uma força eleitoral significativa em torno das suas propostas”, que incluiam “um pré-programa legislativo”.

 No mesmo sentido, o presidente do CDS-PP e vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, afirmou: “É verdade, perdemos duas eleições, mas o provérbio não é definitivo: pode haver duas e não haver três”.

 O presidente do PSD e primeiro-ministro afirmou também que a missão do Governo é “levar a legislatura até ao fim”, defendendo que as europeias não foram “um plebiscito” à governação e que os portugueses não desejam legislativas antecipadas.

 Em resposta aos jornalistas, Pedro Passos Coelho desvalorizou o anúncio de que o PCP vai apresentar uma moção de censura ao Governo, considerando que “é uma prática que se vem banalizando” e salientando que PSD e CDS-PP têm maioria absoluta no Parlamento: “Cá aguardaremos pela dita moção de censura”.

 Antes, na declaração inicial que fez sobre os resultados das eleições europeias de ontem, o chefe do executivo PSD/CDS-PP defendeu que estavam “claramente equivocados” todos os que “entendiam que as eleições europeias poderiam ser um plebiscito relativamente ao Governo”.

 

* Para Seguro  “O PS teve hoje uma grande vitória”

 

 O secretário-geral do PS, António José Seguro, disse que o PS teve uma “grande vitória” nas europeias de ontem, e o Governo e os partidos que o compõem – PSD e CDS-PP – tiveram uma derrota no sufrágio.

“O PS teve hoje uma grande

vitória. Uma grande vitória eleitoral”, disse Seguro, lembrando que “esta é a segunda vitória consecutiva do PS”, depois das autárquicas de 2013.

 “Duas eleições, duas vitórias”, lembrou Seguro, que falava no Hotel Altis, em Lisboa, onde o PS, como habitual, seguiu a noite eleitoral.

 

* Rangel afirma que PS venceu mas sem razão para “euforia”

 

 O cabeça de lista da Aliança Portugal ao Parlamento Europeu, Paulo Rangel, saudou o PS pela vitória nas eleições europeias, mas considerou que os socialistas não têm razão para “entrar na euforia” manifestada por Francisco Assis.

 Numa declaração feita no hotel de Lisboa onde estavam concentrados os candidatos e dirigentes da coligação PSD/ CDS-PP, Paulo Rangel deu também os parabéns à CDU e MPT e aos respectivos cabeças de lista, João Ferreira e Marinho Pinto, dizendo que tiveram “resultados relevantes nesta noite”.

 Paulo Rangel lamentou a derrota da Aliança Portugal, mas sustentou que, olhando para o que se passou com “muitos governos” da União Europeia, os resultados obtidos por PSD e CDS-PP são “comparativamente interessantes”.

 Com o primeiro candidato do CDS-PP na lista da Aliança Portugal, Nuno Melo, a seu lado, Paulo Rangel começou por “saudar o PS pela vitória que teve nas eleições europeias, e saudar também o seu cabeça de lista, Francisco Assis”.

 Em seguida, criticou declarações feitas pelo cabeça de lista do PS afirmando: “Nada autoriza, nada admite a mistificação que o doutor Francisco Assis ensaiou hoje às oito da noite. Digo isto, aliás, com alguma preocupação democrática”.

 “Qualquer pessoa que olhe para estes resultados com isenção e com naturalidade não deixará de dar os parabéns ao PS, mas não poderá entrar na euforia nem no tipo de condicionamento da opinião pública que ali foi feito”, acrescentou.

 O cabeça de lista do PS às eleições europeias falou numa “verdadeira derrota histórica” da direita e no início de “um novo ciclo”, alegando que os portugueses demonstraram uma vontade de “mudança”.

 Paulo Rangel contrapôs: “Mesmo que se confirmassem as melhores projecções, o que não é provável, os resultados do PS não são de molde à exultação, nem a vitória estrondosa, nem a vitória histórica. Aliás, basta comparar históricos do próprio PS para logo perceber isso”.

 “Claro que o PS ganhou as eleições. Se ganhou, merece os parabéns. Nós perdemos e ficámos em segundo lugar, lamentamos isso”, ressalvou, contudo, o social-democrata, dirigindo “saudações democráticas” e “de amizade e cordialidade” a Francisco Assis.

 Antes, Paulo Rangel apontou a taxa de abstenção como “o ponto mais relevante desta eleição”, considerando-a “muito preocupante”.

 No final da sua declaração, agradeceu a todos os que dirigiram e apoiaram a campanha da Aliança Portugal: “Foram decisivos para que o nos-so resultado fosse, apesar de tudo, um resultado do qual nos honramos”.