PS ganha legislativas mas perde maioria absoluta

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José Sócrates

José SócratesO PS ganhou ontem, domingo, as eleições com 36,56% dos votos (96 deputados) mas se quiser governar em maioria absoluta terá de fazer entendimentos à direita com o PSD (29,09%, 78 mandatos) ou com o CDS-PP (10,46%, 21 mandatos).

O secretário-geral do PS, José Sócrates, deixou em aberto todos os cenários em matéria de entendimentos. Em declarações na sede de campanha, disse ser “cedo” para revelar se governará sozinho ou coligado, reservando o anúncio da “solução governativa” para depois da indigitação presidencial e de consultas com restantes partidos.
 “O que farei é aguardar a in-digitação presidencial e só depois disso procederei a consultas com os restantes partidos, e julgo que é esse o dever de quem ganhou as elei-ções, não com a maioria absoluta, mas com uma maioria relativa”, afirmou, numa conferência de imprensa no Hotel Altis, em Lisboa.

 Quando falta apurar quatro deputados pelos círculos da emigração, PS e CDS-PP somam 117 deputados, mais um do que o necessário para a maioria absoluta. Em conjunto, socialistas e sociais-de-mocratas saem destas eleições com 174 deputados (resultados provisórios) mas o clima de crispação e as declarações na noite eleitoral tornam praticamente impossível a reedição do Bloco Central com actual liderança do PSD.

 À esquerda, os entendimentos estão mais complicados, uma vez que PS e BE juntos não ultrapassam os 112 de-putados. Seria necessário que os socialistas recolhessem os quatro mandatos da emigra-ção para alcançar uma maioria absoluta em conjunto com os bloquistas, um cenário improvável. Os deputados so-mados do PS e CDU não ultrapassam também os 111, longe da maioria.
 Cenário também improvável é de um acordo alargado à esquerda entre PS, bloquistas e CDU, tendo em conta o que que foi defendido pelos três partidos durante a campanha eleitoral.

 A possibilidade de o PS governar sozinho com entendimentos pontuais no Parla-mento com o CDS-PP em diplomas importantes ganha assim maior peso, até porque o líder dos centristas inscreveu na moção de estratégia sufragada pelos militantes que o partido se encontra equidistante de socialistas e sociais-democratas.
 De acordo com a legislação, o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, apenas poderá convidar o novo primeiro-ministro a formar Governo depois de publicados os resultados das eleições legislativas em Diário da República, o que deverá ocorrer no máximo até 17 de Outubro.