Promoção do idioma português em França é agora mais consistente

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Promoção do idioma português em França

Promoção do idioma português em FrançaA promoção da língua portuguesa em França é agora mais consistente, disse em Lisboa o embaixador Francisco Seixas da Costa. O diplomata, actualmente colocado em Paris, falava à margem do colóquio “Língua Portuguesa e Culturas Lusófonas num Universo Globalizado”, na Fundação Calouste Gulbenkian.

 “O Estado português, ao longo dos anos, tem vindo a conseguir manter apoio à promoção da língua portuguesa de forma muito sustentada e até onerosa, sob o ponto de vista orçamental, mas acho que corresponde à importância da comunidade portuguesa em França”, disse.
 Os resultados dos gastos referidos por Seixas da Costa são agora evidentes, consi-derando o diplomata que aqueles resultam da “melhor articulação” que actualmente se verifica.

 “No passado havia uma dualidade Instituto Camões com o Ministério da Educação. Agora as coisas estão bastante conjuntas e esperemos que seja possível ter alguns ga-nhos, em particular nas secções internacionais (departamentos dos liceus franceses) e nas universidades, que é a área onde parece que o cres-cimento é mais promissor”, acrescentou.
 Presentemente cerca de 130 professores portugueses apoiam a difusão da língua portuguesa no ensino primário francês e existem ainda seis secções internacionais, noutros tantos liceus, nas quais o ensino do idioma é acompanhado do ensino da história, da geografia e da cultura portuguesas.
 Seixas da Costa acrescentou que nalgumas universidades existem centros de língua portuguesa e cátedras de língua portuguesa, particularmente na zona de Paris.

 Contrariamente às duas primeiras gerações de emigrantes em França, a nova gera-ção de luso-descendentes “começa a acordar para o interesse de ter as suas raízes portuguesas sublinhadas e, aí sim, o Estado português tem obrigação de ajudar essa terceira geração a sublinhar essa sua memória e a sublinhar aquilo que é a sua identidade específica em França”.
 Porque, defendeu, a comunidade portuguesa “não apresenta nenhumas dificuldades” relativamente à sua integração, mas, frisou, a língua portuguesa defronta-se actualmente com o que designou como “competição linguística”.
 “Em França defrontamo-nos com a circunstância de haver várias comunidades estran-geiras, nomeadamente árabes e de raiz eslava, que pro-curam ter nas universidades, nos liceus, nas escolas primárias apoios à expressão das suas línguas. Parece que estamos numa espécie de competição linguística para a qual esperamos sair vencedores”, disse.
E aqui, Francisco Seixas da Costa deixa um desafio aos pais e avós da actual geração de luso-descendentes: “implica que procurem, exijam e sublinhem a necessidade do ensino do português nas entidades políticas junto das quais estão representados”.
 O encontro internacional, que contou com alto patrocínio da Presidência da República e do presidente da Assembleia da República, terminou terça-feira.