Proclamação do Fado como Património da Humanidade : Câmara de Lisboa distingue 50 personalidades

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Proclamação do Fado como Património da Humanidade : Câmara de Lisboa distingue 50 personalidades

A Câmara de Lisboa distinguiu com a Medalha de Mérito Municipal, grau Ouro, cinquenta personalidades e duas instituições, no âmbito das celebrações do aniversário da proclamação do Fado como Património da Humanidade.

 A cerimónia que contou com a presença do presidente da autarquia, António Costa, no salão nobre dos Paços do Concelho, acontece precisamente quando se completa um ano da proclamação pelo VI Comité Intergovernamental da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) reunido em Nusa Dua, na ilha indonésia de Bali

 Entre as 50 personalidades encontram-se os fadistas Mariza e Carlos do Carmo, o di-plomata Fernando Andresen Guimarães e os investigadores Rui Vieira Nery e Salwa Castelo-Branco, que tiveram “um papel mais interventivo” e contribuíram “de forma essencial para a integração do Fado na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade”, lê-se no Boletim Municipal lisboeta.

 Mariza e Carlos do Carmo foram os embaixadores da candidatura.

 O musicólogo Rui Vieira Nery liderou a candidatura que integrou também na comissão científica a etnomusicóloga Salwa Castelo-Branco, e o diplomata Andresen Guimarães “foi presidente da extinta Comissão Nacional da UNESCO, tendo colaborado activamente no processo de instrução da Candidatura, indo muito para além do nível de envolvimento inerente às suas funções diplomáticas”, lê-se no mesmo documento.

 O grupo das cinquenta personalidades integra músicos, fadistas, técnicos, poetas e compositores, sendo o guitarrista Raul Nery, falecido em junho passado, o único distinguido a título póstumo.

 Entre os agraciados, Mariana Silva, considerada em 1952 “Rainha do Fado Menor”, é a artista que se estreou há mais anos, precisamente em 1943. Outra fadista da mesma década que vai receber a medalha é Deolinda Rodrigues, protagonista dos filmes “Passari-nho da Ribeira” e “Madragoa”, que se estreou no ano seguinte.

 A Câmara considera o contri-buto destas 50 personalidades “determinante na História desta expressão musical, seja no âmbito do seu processo criativo, da sua divulgação junto do grande público, ou através do contributo determinante para o reconhecimento do Fado como Património Cultural Imaterial da Humanidade”.

 Da lista constam, entre

outros, Ada de Castro, António Chaínho, António Rocha, Beatriz da Conceição, Carlos Gonçalves, Cidália Moreira e Esmeralda Amoedo que foi a primeira vencedora da Grande Noite do Fado de Lisboa, em 1953.

Fernanda Maria, Fernanda Peres, João Ferreira Rosa, Joel Pina, José Luís Gordo, Maria Amélia Proença, Mário Moniz Pereira, Mário Raínho, Nuno de Aguiar, Pedro Cal-deira Cabral, Rão Kyao, Teresa Silva Carvalho e Teresa Siqueira, são outros dos artistas distinguidos.

 A lista integra ainda o construtor de guitarras Gilberto Grácio e o técnico de som Hugo Ribeiro.

 A Associação Portuguesa dos Amigos do Fado (APAF) e Academia da Guitarra Portuguesa e do Fado (APFGP), fundadas em 1994 e representadas no conselho consultivo do Museu do Fado, são as duas únicas instituições agraciadas pelo “papel determinante [que desempenharam] no sucesso da candida-tura”.

 A APAF tem realizado colóquios, debates e exposições em diferentes pontos da capital, nomeadamente as Jornadas de Fado, na Fonoteca Municipal, e um ciclo por ocasião dos 150 anos do falecimento de Maria Severa, apontada como “mito fundador” do fado.

 A AFGP, segundo o seu presidente Luís Penedo, tem actualmente “menos de 100 associados” e depois da realização durante cinco anos de jantares temáticos mensais, que contou com figuras como Fernando Maurício e Carlos do Carmo, realiza actualmente um anual. Até 2008 teve em funcionamento uma escola de guitarra que funcionava na residência de cada um dos professores que eram seus associados, entre eles, António Chainho e Carlos Gonçalves.

 

 “Todos – atesta a Câmara – assumiram um lugar central na história do Fado”.