Primeiro Museu do Holocausto na Península Ibérica inaugurado no Porto

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Existe uma reprodução das camaratas dos dormitórios do campo de concentração de Auschwitz, uma sala de nomes, fichas dos refugiados que passaram pelo Porto, um memorial da chama, cinema, corredores com a narrativa completa e fotografias e ecrãs que mostram imagens de arquivo reais sobre o antes, durante e depois do Holocausto.

O Museu do Holcausto na cidade do Porto, o primeiro na Península Ibérica, foi inaugurado no dia 20 de Janeiro e assinalou o dia 27 de Janeiro, o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, data em que o campo de concentração de Auschwitz foi libertado.

  Segundo a Comunidade Judaica do Porto (CJP), o museu “retrata a vida judaica antes do Holocausto, o Nazismo, a expansão Nazi na Europa, os guetos, os refugiados, os campos de concentração, os campos de de trabalho e os de extermínio, a Solução Final, as marchas da morte, a libertação, a população judaica no pós-guerra, a fundação do Estado de Israel, vencer ou morrer de fome, os justos entre as nações”.

  Neste novo museu, há uma cópia as camaratas dos dormitórios do campo de concentração de Auschwitz, existe uma sala dos nomes das vítimas, um memorial da chama, cinema, sala de conferências, centro de estudos, corredores com a narrativa completa do Holocausto e, à imagem do Museu de Washington (Estados Unidos da América), fotografias e ecrãs que exibem filmes e imagens reais sobre o antes, durante e o depois do Holocausto.

  O Museu do Holocausto é tutelado por membros da Comunidade Judaica do Porto cujos pais, avós e familiares foram vítimas e sobreviventes do Holocausto. Possui parcerias de cooperação com museus do Holocausto em Moscovo, Hong Kong, Estados Unidos da América e na Europa, o que contribui para “uma memória que não pode ser apagada”.

  Através de um comunicado, o curador do museu, Hugo Vaz afirma “são esperados cerca de 10 mil alunos por ano, o mesmo número que, an-tes da pandemia, costumava visitar a Sinagoga”, declara o museólogo.

  O museu está focado no ensino, na formação profissional de educadores, bem como na promoção de exposições e encoraja e apoia a investigação.

  “A construção do Museu do Holocausto no Porto contou com um donativo substancial de uma família sefardita portuguesa do Sudeste da Ásia que foi vítima de um campo de concentração japonês durante a Segunda Guerra Mundial”, informou a CJP.

  Em 2013, a Comunidade Judaica do Porto (CJP) partilhou com o Museu do Holocausto de Washington todos os seus arquivos referentes a refugiados que passaram pela Invicta. Os arquivos, agora de volta, incluem documentos oficiais, testemunhos, cartas e centenas de fichas individuais dos refugiados que passaram pela cidade. No Museu estão ainda expostos dois Sifrei Torá (rolos da Torá) oferecidos à sinagoga do Porto por refugiados que chegaram à cidade com as suas vidas desfeitas.

  A inauguração, incluiu “uma cerimónia mais reservada e sentimental”, liderada por Dias Ben Zion, presidente da Comunidade Judaica do Porto e por Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto.

  Contou também com a presença dos embaixadores das potências envolvidas na Segunda Guerra Mundial e de Israel, assim como de Karel Fracapane, especialista do programa do Holocausto da UNESCO, do embaixador Luíz Barreiros (chefe da delegação de Portugal à IHRA – Aliança Internacional Memória do Holocausto), de Marta Santos País, comissária do Projecto Nunca Esquecer – Programa Nacional em torno da Memória do Holocausto, o bispo do Porto e do presidente da Comunidade Muçulmana da cida-de. O Governo fez-se representar pelo secretário de Estado da Cultura, Nuno Artur Silva.

  Para respeitar as regras da Direcção-Geral de Saúde, foi em “em ambiente controlado, com um total de 30 pessoas, tendo em conta a relevância política do mesmo e a sua curta duração de 50 minutos num espaço de 500 metros quadrados que possui plano de contingência para a covid-19”.

  No dia 27 de Janeiro, para celebrar o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocaus-to, o museu foi visitado por alunos de escolas da região do Porto.

  “Importa ensinar o Holocausto em Portugal. Na escola, eu e o meu irmão éramos os únicos judeus. O tema nunca era abordado nem ensinado e poucos sabiam o que tinha sido o Holocausto”, sublinha, no comunicado, Dara Jeffries, do conselho fiscal da CJP.

  Através do Museu, outro membro da CJP Jonathan Lackman “deseja seguir, no Porto, o papel que os avós tiveram nos EUA para a preservação da memória do Holocausto: “O meu avô fugiu de Treblinka e a minha avó foi resgatada com tifo do campo de Bergen-Belsen, no Norte da Alemanha, onde faleceu Anne Frank. Contarei sempre a história deles”, sublinham na nota de imprensa.