Primeiro monumento britânico aos soldados portugueses da I Guerra Mundial inaugurado em igreja dos arredores de Londres frequentada pelo último rei de Portugal

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O primeiro monumento de homenagem no Reino Unido aos soldados portugueses mortos durante a Primeira Guerra Mundial, um vitral, foi inaugurado numa igreja nos arredores de Londres que foi frequentada pelo rei Manuel II.

 A janela é uma obra da artista Caroline Benyon, feita na sequência de uma campanha iniciada pelo pároco da igreja católica, Ulick Loring, após conhecer a ligação com o monarca português exilado em Twickenham após a proclamação da república em Portu-gal, em 1910.

 “Quando cheguei aqui, ouvi histórias sobre o facto de o último rei de Portugal, Manuel II, frequentar esta igreja. E alguns anos depois decidimos instalar um memorial para ele e para a mulher. E foi durante

a preparação que tive conhecimento de que os portugueses apoiaram os seus aliados durante a Primeira Guerra Mundial e que D. Manuel fez bastante trabalho humanitário pelos feridos da Primeira Guerra”, recordou.

 A ideia de criar um memorial permanente aos soldados mortos durante a Primeira Guerra Mundial surgiu “porque não existe mais nenhum neste país, apesar de descrevermos Portugal como os nossos aliados mais antigos. Por isso senti que estávamos a fazer justiça aos portugueses”.

 A janela dedicada aos soldados portugueses tem no topo o Arcanjo Miguel, o anjo da guerra, que simboliza os sacrifícios dos portugueses na guerra, uma imagem de soldados nas trincheiras e uma esfera armilar portuguesa.

 Ao lado foi inaugurada outro vitral em homenagem a Manuel II, com a imagem do Arcanjo Gabriel, o anjo da cura, que representa o trabalho humanitário do rei em prol dos feridos da guerra, junto a uma

enfermeira da Cruz Vermelha.

 Um frequentador assíduo desta igreja, o diácono Nick Reynolds, elogiou as janelas, cuja instalação apoiou por ter também ligações familiares

a Portugal.

 “São muito bonitas, muito bonitas. E são uma boa memória, uma lembrança do passado e uma lembrança para sempre. Há muitos paroquianos que não ligavam tanto à história desta igreja. Mas hoje

foi muito importante para dar mais importância ao que

significa esta igreja e a ligação a Portugal”, disse.

 Outra fiel da igreja, Antónia Alves Short, também mostrou orgulho pela homenagem, manifestando-se “emocionada” pela cerimónia realizada para a inauguração dos dois vitrais.

 A missa teve direito a uma guarda de honra de veteranos militantes britânicos, que se apresentaram fardados, e

outros dos presentes na cerimónia usaram as medalhas dos seus antepassados.

 A inauguração coincidiu com o 100.º aniversário da batalha de La Lys, em França, que resultou em mais de 7.000 baixas portuguesas entre mortos (400), feridos e 6.600 prisioneiros, sendo um dos mais mortíferos da história militar de Portugal.

 A celebração na igreja de St. James foi dirigida pelo bispo John Wilson, sendo um dos adjuntos do cardeal Vincent Nichols, arcebispo de Westminster e líder da igreja Católica em Inglaterra e País de Gales, e incluiu alguns cantos em português, incluindo o hino nacional.

 O embaixador de Portugal no Reino Unido, Manuel Lobo Antunes, disse que foi “uma homenagem mais do que justa”, pela qual se manifestou “muito agradecido e muito comovido”.

 Referindo a ligação que a paróquia mantém ainda hoje com Manuel II, o diplomata entendeu que foi feita “uma justa homenagem aos portugueses que morreram nos campos da Flandres, em França, mas também à memória de um rei que é estimado”.