Primeiro-ministro português destaca diáspora como poderosa rede global que Portugal deve articular

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 O primeiro-ministro, António Costa, destacou as redes da diáspora portuguesa como uma “poderosa rede global” que o país tem de ser “capaz de articular”, reforçando a “proximidade” com as suas comunidades emigrantes espalhadas pelo mundo, considerando que Portugal além dos seus 10 milhões de habitantes possui 5,7 milhões de portugueses e luso-descendentes em 176 países dos 193 reconhecidos pela ONU.

 “Esta aproximação é de extrema importância. O conjunto destas redes [da diáspora] é uma poderosa rede global que temos de ser capazes de articular, desde logo dentro dos novos espaços económicos regionais”, afirmou o chefe do governo português, no Porto, na sessão de abertura do I Congresso Mundial de Redes da Diáspora Portu-guesa.

 De acordo com António Cos-ta, o fortalecimento das relações entre as várias redes da diáspora portuguesa é importante no espaço da União Europeia e das suas relações com o Canadá, mas também quando na América do Norte “se constitui a NAFTA [Tratado Norte-Americano de Livre Comércio]” ou, na América do Sul, se organiza o Mercosul [Mercado Comum do Sul]”.

 “Quando, na América do Norte, se constitui a NAFTA, é importante que comunidades portuguesas possam ter uma relação forte entre si”, afirmou o primeiro-ministro, frisando que o mesmo é válido quando, “na América do Sul se organiza o Mercosul”.

 De acordo com o primeiro-ministro, “quando, ainda recentemente, se abriu o espaço económico africano”, tal “foi uma enorme oportunidade para as comunidades portuguesas residentes nos diversos espaços de África se articularem entre si”.

 “De cada vez que a União Europeia [UE] celebra um acordo de comércio livre com o Canadá ou o Mercosul, é uma extraordinária oportunidade para perceber que a presença de Portugal na UE e a presença de cada um de vós em cada um desses espaços económicos cria um enorme espaço para desenvolvermos e reforçarmos as relações entre todos”, disse.

 Costa considerou como uma “realidade absolutamente essencial” a “valorização do contributo da economia da diáspora”, por ser um elemento importante para o crescimento das exportações portuguesas.

 O primeiro-ministro destacou, ainda, os “cinco eixos” da diáspora que o Governo procurou desenvolver nos últimos anos.

 A aprovação da nova lei da nacionalidade, “que agilizou a obtenção de nacionalidade portuguesa por parte dos netos das comunidades mais antigas”, e o recenseamento eleitoral automático foram dois aspectos destacados por António Costa, que referiu o facto do número de votantes no estrangeiro ter triplicado.

 O chefe do Governo salientou o contributo dos portugueses para o desenvolvimento dos países de acolhimento, o percurso extraordinário daqueles de que o país se orgulha, e a atenção das autoridades portuguesas para os casos de in-segurança política, tendo proferido uma palavra de solidariedade para com a comuni-dade portuguesa na Venezuela. Falou também do caso do Brexit e do apoio à comunidade portuguesa do Reino Unido.

 António Costa destacou a presença da antiga secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, dra. Manuela Aguiar, ao mencionar a criação de apoios às comunidades como eixo da política externa portuguesa.

 De acordo com o governante, o “reforço dos vínculos” com as comunidades portuguesas no mundo tem sido feito, também, por “actos simbólicos”, designadamente decidindo que as celebrações do Dia de Portugal deixassem, desde 2016, de ser feitas exclusivamente em território nacional, destacando que as do próximo ano incluirão a comunidade da África do Sul.

 A melhoria e o “esforço de modernização dos serviços administrativos” junto das comunidades e o desenvolvimento de 157 gabinetes de apoio ao emigrante também foram mencionados pelo primeiro-ministro.

 Costa destacou também a “valorização da língua” e da cultura, lembrando a criação de mecanismos de “apoio e incentivo” para “quem deseja regressar”.

 Anteriormente, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, tinha equacionado na sua intervenção o trabalho do Ministério para as comunidades, baseado em quatro pilares: a adaptação à dinâmica das comunidades, a organização do trabalho de forma a responder às suas necessidades, a consolidação e aprofundamento da ligação com as comunidades, e a colocação de todas as redes em contacto para potenciar o impacto da acção do Governo.