Primeira-dama do Zimbabwé evita tribunal por queixa de agressão na África do Sul

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Primeira-dama do Zimbabwé evita tribunal por queixa de agressão na África do Sul

A primeira-dama do Zimba-bwé, Grace Mugabe, que é alvo de uma queixa por alegadamente ter agredido a semana passada uma jovem modelo na África do Sul, escusou-se a apresentar-se às autoridades sul-africanas e a comparecer na terça-feira perante um tribunal de Joanesburgo, tendo regressado discretamente a Harare, noticiou a imprensa sul-africana.

 A Polícia Sul-Africana (SAPS) escusou-se a confirmar a emissão de um mandado de captura ou se o iria fazer no futuro.

 O The Citizen, o diário de maior circulação no país, escreve que “Grace Mugabe não se apresentou na esquadra da polícia de Sandton, em Joanesburgo, na terça-feira, por queixa de agressão apresentada a semana passada, apesar de ter garantido à Polícia e às autoridades governamentais que o faria”.

 O The Citizen acrescenta que “a esposa do Presidente Robert Mugabe havia já saído do país quando os jornalistas se deslocaram ao Tribunal da Magistratura de Randburg on-de o ministro Mbalula fez o anúncio do seu comparecimento.

 Em declarações à imprensa na terça-feira o ministro da Polícia sul-africana, Fikile Mbalula, disse aos jornalistas que “ela não está sob prisão porque cooperou e apresentou-se à Polícia”, afirmando que “a primeira-dama do Zimbabwé comparecerá hoje [terça-feira] perante um tribunal de Joanesburgo”.

 “Os cidadãos estrangeiros devem compreender que têm responsabilidades, especialmente aqueles com passaportes diplomáticos. Eu não posso ir para o Zimbabwé agredir alguém e esperar que o assunto desapareça”, acrescentou o ministro.

 “As investigações prosseguem e foi negociado com o suspeito a questão da entrega às autoridades que supostamente deveria acontecer às 10 horas da manhã, mas isto não se materializou”, afirmou o porta-voz da Polícia, Vish Naidoo,

 A suposta vítima, uma jovem mulher de 20 anos, apresentou queixa à Polícia contra Grace Mugabe por agressão na segunda-feira. Entretanto, a alegada altercação teria acontecido num hotel de Sandton, no domingo à noite.

 O jornal referiu que Grace Mugabe encontrava-se na África do Sul para fazer tratamentos a um problema no pé e que alegadamente agrediu a jovem, Gabriella Engels, que encontrou num quarto de hotel juntamente com os seus dois filhos, Robert Jnr e Chatunga, no domingo à noite.

 “Ela abriu-me a testa em 3 sítios com uma extensão eléctrica e usou a tomada para me agredir”, disse a suposta vítima citada pelo jornal.

 Em declarações ao jornal Star, diário de Joanesburgo, Gabriella Engels disse acreditar que “o desaparecimento repentino da esposa do Presidente Mugabe pode significar que tenha sido assistida a sair do país.”

 “Estou desapontada com o facto de ela ter sido autorizada a fugir do país. A Polícia disse-me que ela se tinha apresentado [às autoridades]”, afirmou Engels ao jornal.

 “Tenho sérias dúvidas que se venha a fazer justiça neste caso. Fui agredida por ser modelo e é esta a minha profissão. Como é que poderei ganhar a vida com o rosto marcado por cicatrizes?”, afirmou.

 Segundo o Star, um alto funcionário governamental zimbabweano, que pediu o anoni-mato, confirmou ao jornal que a primeira-dama regressou a Harare.

 “Sim, ela regressou ao país. Não temos conhecimento sobre a origem da queixa de agressão”, afirmou o funcionário ao diário sul-africano.

 O Governo do Zimbabwé não reagiu a esta questão.

 O especialista em assuntos legais, Oscar Thovhakale, citado pelo Citizen, disse que a imunidade diplomática não se aplica a Grace Mugabe, na qualidade de primeira-dama, e que por isso deveria estar sob custódia da Polícia.

 “Se existe uma queixa contra qualquer pessoa, essa pessoa deve entregar-se às autoridades ou a Polícia deve prender a pessoa”, explicou.

 Em 2009, Grace Mugabe agrediu um repórter fotográfico britânico, em Hong Kong, por fotografá-la num luxuoso hotel daquela cidade.