Pretória reconhece autoridade do Conselho de Transição na Líbia

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Pretória reconhece autoridade do Conselho de Transição na Líbia

Pretória reconhece autoridade do Conselho de Transição na LíbiaO governo sul-africano saudou na terça-feira o reconhecimento do Conselho Nacional de Transição líbio pela União Africana e anunciou a sua decisão de reconhecer igualmente aquele órgão como autoridade nacional da Líbia.

 Em comunicado emitido na capital, Pretória, o governo do presidente Jacob Zuma começa por saudar a decisão da União Africana, salientando que decorre das duas mais recentes reuniões do seu Comité Ad Hoc para a Paz e Segurança, realizadas em Adis Abeba e em Pretória, e também de garantias dadas pelo CNT, designadamente de que protegerá os imigrantes residentes no país, incluindo os de origem africana.
 Outras garantias dadas à União Africana pelo CNT, referidas no comunicado, são a dedicação ao continente africano, a manutenção da unidade nacional como prioridade e o envolvimento de todas as partes, sem excepção, na reconstrução nacional.

 Estas garantias, recorda a nota governamental, fazem parte do roteiro da União Africana para a paz na Líbia.
 “Neste contexto, o governo sul-africano anuncia que re-conhece o Conselho Nacional de Transição como representante de todo o povo líbio, constituindo um governo transitório inclusivo que ocupará o seu assento na União Africana”, afirma o comunicado.
O governo sul-africano reitera ainda a sua disposição e disponibilidade para apoiar os esforços gerais de estabilização da situação, promoção da democracia e reconstrução nacional.

* Portugueses e Líbios criam associação de cooperação económica
          
 Um grupo de empresários criou a associação de cooperação económica Portugal-Líbia, para reforçar os contactos comerciais entre os dois países, disse na terça-feira à agência Lusa um dos promotores, Luís Cabrita, presidente executivo da empresa de tecnologia Prológica.
 A instituição, que chamará Associação Luso-Líbia para a Cooperação e Desenvolvimento, terá a reunião constituinte a 27 de setembro, tendo-se já realizado três reuniões preparatórias.

 Com as autoridades líbias a garantir que os contratos assinados entre o regime de Muammar Kadhafi e outros países são para cumprir, Luís Cabrita disse acreditar no futuro das relações empresariais entre os dois países.
 “Estou optimista quanto à relação entre Portugal e a Líbia, embora gostasse que essa mesma perceçpão fosse partilhada por outros responsáveis portugueses”, disse Luís Cabrita à agência Lusa.
 A Líbia – ainda debaixo de Kadhafi – estava entre os importadores potenciais do computador Magalhães, produzido em conjunto pela Prológica e pela empresa JP Sá Couto.

 A Associação Luso-Líbia para a Cooperação e Desenvolvimento conta como membros fundadores quatro empresários líbios, próximos do Conselho Nacional de Transição (CNT), as actuais autoridades líbias, quatro representantes de empresas portuguesas, bem como representantes diplomáticos dos dois países e terá como objectivo, mais tarde, também atrair investimento líbio para Portugal.
 “O interesse da relação inter-empresarial, e tendo empresas dos dois países, é transvazar aquilo que poderiam ser meramente empresas portuguesas a concluir negócios e poderem fazer parcerias com empresas líbias, e isto ser bi-direcional”, disse Luís Cabrita.

 As pessoas e as empresas envolvidas na fundação, quer do lado português quer do lado líbio – que Luís Cabrita não adiantou quais são – já tinham relação entre elas antes do início da revolução na Líbia, que começou em Fevereiro e que, seis meses mais tarde, acabou com o regime de Muammar Kadhafi.
 “Na actual situação, também iremos tentar providenciar a ajuda necessária, quer do ponto de vista humanitário quer do ponto de vista de solidariedade com a Líbia”, acrescentou o responsável da Prológica.
 Outro dos promotores da associação, que pediu para não ser identificado, disse à Lusa que os empresários decidiram criar a associação para “acordar” as empresas portuguesas para o potencial líbio.

 “As empresas portuguesas precisam de ser mais dinâmicas e mais agressivas. Não é possível fazer negócios com a Líbia, nem com África, sentado a uma secretária em Lisboa”, acrescentou.