Pretória habituou-se a um estilo de vida diferente do passado

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Pretória habituou-se a um estilo de vida diferente do passado

Quem diria, num passado a certa distância, que imagens como as que publicamos podiam ser obtidas em plenas artérias, neste caso na capital sul-africana, mas estamos em crer que pelo rumo que a vida levou a partir de certa altura neste país, estes métodos se estendam ou sejam praticados hoje um pouco por todo o lado.

 Nesses tempos que conhecemos ao vir para estra terra, ninguém se atrevia a este procedimento, porque se alguém se lembrasse de tomar tal iniciativa, não tardaria a aparecer no local a polícia, ou entidade reguladora do comércio, para proceder à sua detenção por alegada prática ilegal de transacção comercial na via pública, e apreensão da respectiva mercadoria exposta.

 Hoje, para essas tomadas de posição os tempos mudaram completamente. Pelos vistos as autoridades pouco incomodam qualquer tipo de vendedor ambulante, nem tão-pou-co se preocupam com o local escolhido, por vezes à porta, ou a pouca distância de estabelecimentos que pagando as suas licenças e contribuições legais ao estado, vendem legalmente idêntica mercadoria.

 Um pouco por toda a parte, incluindo por vezes as ruas de maior movimento da cidade, estamo-nos a referir a Pretória, situação que provavelmente se deve estender a outras regiões, os peões têm por vezes, em certos lugares, muito especialmente aos sábados, utilizar o pavimento da rua destinada à circulação de viaturas, para se poderem movimentar, uma vez que os passeios se transformaram em autênticas feiras diárias, se bem que neste último ano, com as ruas esburacadas ao mesmo tempo por todo o lado, não se sabendo por quantos meses ou anos mais continuarão neste estado deplorável, a afectar também esse tipo de comércio ambulante, já que para além das máquinas em movimento, não há espaço para se poderem instalar.

 Começando com pequenos atrelados estacionados em determinados cruzamentos, onde durante o dia são vendidos hot-dogs, hamburgas e boerewors, depressa outros ambulantes lhe seguiram o exemplo e, espalhados pelas praças e ruas citadinas, transacionam toda a variedade de fruta, legumes e vegetais, cal-çado, vestuário, artigos plásticos e de fantasia, cabedal, joalharia, relojoaria, papelaria, cosméticos, louças, vidros, bibelores, toda a espécie de quinquilharia e ornamentos para lares e escritórios.

 Não andaremos longe da verdade ao afirmar ter sido a ne-cessidade, criada por um lado a falta de trabalho, e por outro o constante aumento da população, alguma vindo de paí-ses vizinhos e de outras regiões do continente africano, muitos desses a residir ilegalmente no país, a principal causa de tudo isto. O desemprego é infelizmente cada vez maior, os recursos limitados, o ser humano tem que comer, e o dinheiro para as simples refeições, ou alimentos indispensáveis, quantas vezes para enganar o estômago, têm que vir de qualquer lado, daí as pessoas com encargos familiares, e sem qualquer fonte de receita, se ver obrigado a procurar recursos para sua sobrevivência e dos seus, sujeitando-se a métodos, ocupações, contingências e privações, que antes certamente nunca sonharam, ou acreditavam viesse um dia a ser possível.

 Grande parte das pessoas nessas circunstâncias, são vistas diariamente em cruzamentos de movimentadas ruas citadinas com semáforos (robots), a mendigarem ou vendendo colas, canetas, calculadores, capas de volantes para automóveis, emblemas de marcas de viaturas, bandeiras, embalagens de frutas, capas plásticas para documentos, brinquedos, ou distribuição de panfletos publicitários de preços de automóveis, acessórios e derivados, restauração e produtos de beleza, entre outros.

 Em maior ou menor escala, dificuldades sempre as houve e haverá, só que muitas das pessoas, com a vida que tinham outrora na Áfricas do Sul, não sabiam verdadeiramente o que era enfrentá-las directamente, e perante factos consumados e a contas com esse fenómeno, recorrem a actividades, ou optam por medidas donde possam tirar algum proveito, em vez de baixar os braços e estender a mão à caridade. 

 É mais decente e dignificante a pessoa nessa situação dedicar-se a qualquer tipo de negócio, que para angariação de migalhas para subsistência seja limpo e honesto, do que enveredar por outra via que só conduz à desgraça, como burlar, roubar ou recorrer à violência, por vezes chegando ao extremo de assassinar – como infelizmente nalguns casos tem acontecido -, para satisfazer as suas exigências, salvo alguns ajustes de contas, na maior parte dos casos ligadas à necessidade.

 Provavelmente que num país como este, com uma larga percentagem de emigrantes na sua população, não serão só sul-africanos a enfrentar essas dificuldades, mas certamente incluída em privações de vária ordem gente das várias nacionalidades, incluindo a portuguesa, e a avaliar pelos constantes pedidos de ajuda a instituições de solida-riedade social, como em Pretória acontece com “Os Lusía-das”, infelizmente do nosso lado essa proporção não será tão pequena como alguém possa imaginar, com alguns desses nossos compatriotas em dificuldade extremas a preferir ocultá-las, e viver de privações de toda a ordem, do que por vergonha pedir apoio, ou estender a mão à caridade.

Mas infelizmente, e sem com isto querer ser agoirento, muito menos prenúncio da desgraça, por melhor ninguém espere, porque com a economia a conhecer algum declínio, para isso contribuindo certas e prolongadas greves, a afectar o normal funcionamento de produção em áreas consideradas influentes ou vitais para equilíbrio da balança comercial do país, tudo tende a piorar, a não ser que em reflexão e bom senso de quem as provoca ou origina, essa situação seja invertida e tudo volte à normalidade, para bem destas terra e da sua população.