Presidente sul-africano pede desculpa por violência contra estrangeiros

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 O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, apresentou desculpas pela violência contra estrangeiros que eclodiu no país, garantindo que os sul-africanos “não são xenófobos”. Discursando sábado na capital do Zimbabwé, onde foi assistir ao funeral do ex-presidente zimbabwiano Robert Mugabe, Ramaphosa foi vaiado pela multidão que assistia às cerimónias fúnebres num estádio de Harare.

 “Apresento-me perante vós como um irmão africano que lamenta e pede desculpas pelo que aconteceu no meu país”, disse Cyril Ramaphosa, acrescentando que os tumultos vão “contra o princípio de unidade do povo africano”.

 O presidente sul-africano garantiu que continua a trabalhar para “encorajar o povo a acolher todos os cidadãos dos países africanos”.

 “Os sul-africanos não são xenófobos, não têm nada contra os cidadãos de outros países”, declarou.

 Milhões de zimbabwianos fugiram da repressão e da crise económica durante o regime de Mugabe e procuraram refúgio na África do Sul, onde, no início deste mês, se verificou uma onda de tumultos e pilhagens dirigidas contra estrangeiros e as suas empresas, concentrada principalmente na maior cidade sul-africana, Joanesburgo.

 

* Enviados especiais visitam países africanos

 

 O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, enviou uma missão especial liderada pelo antigo ministro da Justiça Jeff Radebe para entregar mensagens de solidariedade a vários chefes de Estado e de Governo no continente africano, à excepção de Moçambique.

 “A missão, composta por Jeff Radebe, o embaixador Kingsley Mmabolo e dr. Khulu Mbatha, visitará Nigéria, Níger, Gana, Senegal, Tanzânia, República Democrática do Congo e Zâmbia”, anunciou a Presidência sul-africana em comunicado divulgado este domingo na página oficial de internet.

 O comunicado adianta que os “enviados especiais” nomeados pelo Chefe de Estado sul-africano partiram da África do Sul no sábado, 14 de Setembro de 2019, “para entregar mensagens de solidariedade a vários Chefes de Estado e de Governo em África”.

 De acordo com o comunicado, os enviados foram portadores de uma mensagem do presidente Ramphosa “sobre os incidentes de violência contra imigrantes estrangeiros na África do Sul, que se manifestaram em ataques a estrangeiros e na destruição de propriedades”.

 “Os enviados especiais têm a tarefa de tranquilizar os países africanos de que a África do Sul está comprometida com os ideais de unidade e solidariedade panafricanas.

 Os enviados especiais vão também reafirmar o compromisso da África do Sul com a Lei e Ordem”, salienta a nota.

 A Presidência da República sul-africana refere ainda que “os enviados especiais têm por missão informar os governos dos países africanos identificados sobre as medidas que o governo da África do Sul está a tomar para parar com os ataques e responsabilizar os perpetradores”.

 Moçambique e Portugal, cuja diáspora residente na África do Sul foi também alvo da violência xenófoba, saques e destruição de propriedade sem precedentes perante a impassividade da Polícia sul-africana, não são mencionados no comunicado presidencial como parte do itinerário dos enviados especiais nomeados pelo Chefe de Estado sul-africano.

 Pelo menos doze comerciantes e empresários portugueses, em Malvern, Benrose, Jeppestown, Germiston, Denver, Tembisa e Katlehong, epicentro do conflito em Joanesburgo, foram alvo de violentos saques e destruíção dos seus negócios, alguns prédios na sua totalidade, perante a impassividade da polícia sul-africana e dos bombeiros locais, segundo informações recolhidas pela Lusa.

 Segundo estimativas relatadas à Lusa pelos proprietários, os prejuízos materiais nas lojas portuguesas ascendem a 43,5 milhões de randes (cerca de 2,7 milhões de euros).

 Os últimos dados oficiais das autoridades sul-africanas indicam que a recente onda de violência xenófoba contra locais e estrangeiros resultou na morte de 12 pessoas, a maioria sul-africanos, mais de 600 detidos e no repatriamento voluntário de 600 nigerianos e cerca de 140 moçambicanos desde o início, a 1 de setembro.

 Dados do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Moçambique, indicam que a recente onda de violência xenófoba na África do Sul afectou mais de 400 emigrantes moçambicanos.