Presidente Nyusi anuncia agravamento de restrições face à Covid-19

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Horários mais curtos no comércio e na restauração e encerramento de espaços culturais e

praias são algumas das medidas anunciadas pelo presidente de Moçambique perante o avanço da pandemia no país.

As novas restrições face à Covid-19 anunciadas pelo presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, em vigorar desde as 00h00 de 15 de Janeiro (sexta-feira) terão um período de 21 dias, segundo aprovado na quarta-feira, 13 de Janeiro, em reunião extraordinária do Conselho de Ministros. Filipe Nyusi fez o anúncio durante uma comunicação à nação acerca da evolução da pandemia de Covid-19, com um “aumento significativo” de internamentos e mortes nas últimas semanas.

  Uma fatia de 19% dos óbitos registados em Moçambique desde o início da pandemia, aconteceu já em 2021, realçou. De todas as mortes, 81% registaram-se na área metropolitana de Maputo, acrescentou. “A qualquer momento alguém doente pode não ter onde ser internado”, porque até os serviços privados estão a ficar saturados, referiu. Segundo o boletim do Ministério da Saúde, até quarta-feira havia 140 doentes nos centros de internamento de Covid-19 e noutras unidades hospitalares, sendo que 79,3% destes pa-cientes encontram-se em Maputo.

  “Esta nova situação é a mais grave desde que a Covid-19 surgiu em Moçambique”, é de uma “gravidade sem paralelo”, sublinhou o chefe de Estado.

  Os dados são um “sinal gravemente vermelho” que exige medidas, afirmou Nyusi, referindo que está a ser aumentado o número de camas, mas “isso não reduz o número de infectados”, apelando assim ao cumprimento das medidas básicas de prevenção: uso de máscara, desinfecção frequente das mãos e cumprimento do distanciamento social.

 

* Novas restrições

 

  Entre as medidas anunciadas, reforça-se a exigência do teste à Covid-19 para quem quer entrar no país, agora sem excepções, realçou Filipe Nyusi, ao frisar que a medida se aplica “a todos os viajantes”, apelando a que cada um se mantenha actualizado sobre as normas em vigor em todos os países por onde vai circular.

  Toda a actividade comercial passa a encerrar até às 18h00, sendo que restaurantes podem fechar mais tarde, até às 20h00 de segunda à sexta, mas têm de fechar mais cedo, até às 15h00, aos fins de semana. Os ‘bottle stores’, devem fechar sempre até às 13h00 e o mesmo se vai aplicar às zonas de venda de bebidas com álcool em supermercados e noutras superfícies comerciais.

  Bares, discotecas, salas de jogo, casinos e bancas de venda de bebidas voltam a ter de fechar portas na nova fase de restrições, assim como ginásios e piscinas públicas, mantendo-se abertos espaços públicos como calçadões para caminhadas, sem aglomerações.

  As praias estarão também interditas a quem as procura para recreação e lazer, numa altura em que a afluência crescia, dado ser esta a época mais quente e de férias no país.

  Voltam também a encerrar os espaços culturais que já tinham reaberto, tais como cinemas, museus, salas de teatro e galerias.

  Os campeonatos nacionais de várias modalidades desportivas vão decorrer, mas sem público, acrescentou o chefe de Estado.

  O número máximo de participantes em eventos privados é reduzido para 30, podendo chegar aos 50 desde que ao ar livre, devendo os mesmos decorrer até às 20h00. O número de participantes em cerimónias de cultos religiosos está limitado a 50 e os funerais e velórios não podem juntar mais que 20 pessoas, 10 caso a morte tenha sido provocada por covid-19. O Governo moçambicano recomenda ainda o recurso ao teletrabalho e uso de novas tecnologias, sempre que possível.

  Após 21 dias em vigor, a partir das 00h00 de sexta-feira, será feita nova avaliação das medidas (ou seja, depois de 4 de Fevereiro), com base na evolução dos casos de Covid-19, concluiu.