Presidente Marcelo paga dívida de consciência na Procissão do Corpo de Deus em Monção

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O Presidente da República foi na quarta-feira a Monção “pagar uma dívida” que tinha na “consciência” por não ter visitado aquele concelho do Alto Minho em outubro de 2017, após os incêndios florestais que assolaram a região.

 “Eu fiquei de visitar os municípios atingidos e havia algumas lacunas. Havia uma lacuna importante no meu espírito que me pesava na consciência e que era Monção. Portanto, neste momento, venho pagar essa dívida minha em relação a Monção de solidariedade, relativamente às populações, aos autarcas, a todos os que combateram o que foi uma tragédia que nós bem recordamos”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

 O chefe de Estado, que foi brindado com um ‘banho’ de multidão, abraços, beijos e muitas ‘selfies’, disse que a sua presença em Monção (distrito de Viana do Castelo), onde passou cerca de três horas, foi, “ao mesmo tempo, um sinal de esperança no futuro”.

 “Está-se a trabalhar de uma forma positiva para que não mais se repita aquilo que aconteceu”, afirmou o chefe de Estado.

 O presidente da Câmara de Monção, António Barbosa, admitiu que já tinha feito o convite “várias vezes, e com alguma insistência”, e que Monção era “um pequeno lapso naquilo que é a governação” do chefe de Estado.

 “Mas a vinda do senhor Presidente da República representa mais do que isso. É um sinal de que estamos a entrar numa época de incêndios, infelizmente, e já começaram alguns. Veio dar um sinal de que continua preocupado com o que aconteceu no passado, para garantirmos que futuramente não se repetirá”, afirmou o autarca.

 António Barbosa referiu que, apesar de não ter um Plano Municipal de Defesa Contra Incêndios ainda aprovado, o concelho “está com um projecto no terreno, a investir 50 mil euros no terreno para garantir a segurança e fazer a limpeza” das propriedades.

 “Não se pode repetir o que aconteceu em outubro de 2017”, disse, assegurando que “as pessoas de Monção não estavam zangadas com o professor Marcelo”.

 “Ninguém consegue estar”, frisou.

 O Presidente da República marcou também presença no primeiro dia da Festa do Corpo de Deus/Coca de Monção, assistindo à eucaristia, na igreja matriz, e integrando a procissão solene que percorreu as ruas da vila de Monção, no Alto Minho.

 

* Dezenas de sem-abrigo já com alojamento

 

 O Presidente da República revelou na quinta-feira que “em menos de um ano” dezenas “significativas” de sem-abrigo encontraram alojamento temporário, ao passo que existem 20/30 pessoas com casas “definitivas” em Lisboa e Porto, “o que ainda é pouco”.

 “Há casos que, em termos de alojamento temporário, podem significar umas dezenas importantes de pessoas [a nível nacional]. São dezenas significativas. Quanto ao alojamento estável definitivo, entre a Grande Lisboa e o Grande Porto são duas ou três dezenas, o que ainda é pouco”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, depois de visitar o quarto de um sem-abrigo agora alojado “com o apoio da Câmara do Porto”.

 Para o Presidente da República, “o que é positivo é, no espaço de menos de um ano, de uns meses”, encontrar “casos concretos de passos positivos que foram dados no sentido da estabilização – de alojamento, evolução do ponto de vista de saúde e num ou noutro caso de empregabilidade”.

 Marcelo, que estava acompanhado da secretária de Estado da Habitação, Ana Pinho, adiantou ainda que os casos dos sem-abrigo estão actualmente a ser acompanhados na Grande Lisboa e no Grande Porto, perspectivando-se uma futura monitorização em “Braga, Setúbal e Algarve, os outros pontos de mais incidência” de pessoas a viver na rua.

 Marcelo Rebelo de Sousa falava à comunicação social na rua do Rosário, no centro do Porto, naquela que foi a segunda paragem da noite de uma “ronda por casos concretos” que já conhecia e que quis revisitar.

 O Presidente disse ter visitado a habitação onde dois sem-abrigo foram alojados com o apoio de “uma mutualidade” e seguiu para a rua Júlio Dinis para conhecer o “alojamento relativamente estável” de “um casal que costumava ficar na estação de São Bento”.

 Segundo o chefe de Estado, o caso deste casal foi solucionado “com o apoio da Câmara do Porto em ligação com os Serviços de Assistência de Organizações de Maria (SAOM)”

 “Há uma conjugação de es-forços de autarquias e instituições de solidariedade social”, frisou.

 

* META PARA CUMPRIR: INTEGRAÇÃO DAS

PESSOAS SEM ABRIGO ATÉ 2023/2024

 

 O Presidente da República assegurou na quinta-feira que a integração das pessoas sem-abrigo até 2023/2024 é “uma meta para cumprir” e identificou a “saúde” como a área onde é preciso “ir mais longe do que se tem ido”.

 “A meta é para cumprir. É evidente que haverá sempre aqueles que queiram ficar na rua. Mas é uma minoria. A expectativa é que a grande maioria tenha até 2023, na minha meta, ou até 2024, na meta do Governo, condições de saúde, habitação e empregabilidade para deixar a rua”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, depois de jantar, com vários sem-abrigo, bacalhau gratinado “à avó” e duas taças de gelatina na Associação dos Albergues Nocturnos do Porto (AANP).

 A Estratégia Nacional para a Integração das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo (ENIPSSA) 2017-2023 está orçada em 60 milhões de eu-ros e engloba 15 objectivos, 76 acções e 103 actividades, incluindo medidas como o acolhimento residencial, o alargamento e integração na área da saúde e o incremento na criação de condições para a formação e emprego.