Presidente Marcelo destaca prudência de Portugal em não romper laços e privilegiar o diálogo entre culturas e civilizações

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O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, destacou no sábado o papel de Portugal no diálogo entre culturas e civilizações, salientando que o país tem a prudência de não “romper laços”.

 “Porque já vimos séculos em que o centro do mundo, do progresso e da riqueza foi outro e estamos atentos a ver novos séculos, em que o futuro será bem diverso do presente, preferimos aliar à constância da nossa política externa a prudente sabedoria de não quebrar pontes, de não romper laços, de não fechar nunca vias de convergência”, adiantou, dirigindo-se a embaixadores e chefes de missão.

 Marcelo Rebelo de Sousa falava após a apresentação de cumprimentos do Corpo Diplomático, no Palácio de Sant’Ana, em Ponta Delgada, onde se iniciaram no sábado as comemorações do Dia de Portugal, que seguiram ontem, domingo, nos Estados Unidos da América.

 O Presidente da República apresentou o caminho do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, como exemplo do “traço identitário” de Portugal.

 “Trabalhamos sempre pela paz, pela segurança, pela justiça, pelos direitos humanos, pelo apaziguamento, pelo entendimento, pelo multilateralismo”, salientou.

 Marcelo Rebelo de Sousa realçou a vontade de Portugal “chegar ao milénio mais do que nunca ao serviço da humanidade”, mas com um “insubmisso orgulho nacional”.

 “Já vimos, ao longo de quase nove séculos, tantos aparecerem e desaparecerem, emergirem e submergirem, liderarem e serem dominados, que não confundimos as modas de cada instante com o curso da história, nem as aparências de cada hora com

a inexorabilidade dos tempos”, salientou.

 Segundo o Presidente da Re-pública, os Açores, que acolheram este ano as comemorações do 10 de Junho, são um exemplo “antigo e singular” da abertura de Portugal ao mundo.

 “A própria personalidade e obra de Onésimo Teotónio de Almeida, símbolo da comemoração do Dia de Portugal deste ano bem retratam a odisseia, mas também a riqueza cultural, telúrica e humana dessa vossa e nossa maneira de ser”, apontou, manifestando a “gratidão” de Portugal a todos os açorianos.

 

* MARCELO APELA AO BOM SENSO DOS PARTIDOPARA NÃO CRIAREM CRISE POLÍTICA NA DISCUSSÃO DO ORÇAMENTO DE

ESTADO PARA 2019

 

 O Presidente da República considerou sábado que haverá “bom senso” entre os partidos na Assembleia da República para não criar uma crise política, numa altura em que a União Europeia vive um momento difícil.

 “Todos sabem como este momento europeu é um momento difícil, que obriga a decisões difíceis, que são complicadas para todos, também para Portugal. Ninguém quer juntar às complicações que vêm de fora complicações de dentro. Esse bom senso faz com que não haja a temer qualquer tipo de crise ou qualquer tipo de problema com o Orçamento de Estado” de 2019, adiantou.

 Marcelo Rebelo de Sousa falava à margem das comemorações do 10 de Junho, em Ponta Delgada, em resposta a uma questão sobre a possibilidade de a aprovação do último Orçamento de Estado desta legislatura estar em risco, face a declarações recen-tes dos líderes do BE e do PCP, que dão apoio parlamentar ao Governo minoritáriodo PS.

 O Presidente da República desvalorizou também o facto de os líderes da oposição não marcarem presença nas comemorações do 10 de Junho, que este ano decorrem entre Ponta Delgada, nos Açores, Boston e Providence, nos Estados Unidos.

 “O senhor primeiro-ministro está comigo fisicamente, líderes como o líder do PSD e a líder do CDS estão espiritualmente, porque – e muito bem – com o meu conhecimento e a minha concordância viajaram para junto de comunidades portugueses da Guiné Bissau e de Timor-Leste, respectivamente. Os líderes do PCP e do BE estão em território físico de Portugal, naturalmente vibrando, não directamente com as comunidades, mas com os portugueses que se encontram neste território físico”, salientou.