Presidente José Eduardo dos Santos pede “tolerância zero” à corrupção

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José Eduardo dos Santos

José Eduardo dos Santos O Presidente da República de Angola pediu “tolerância zero” à corrupção por parte do MPLA, de que é também líder, advertindo que detectou “timidez” no partido na fiscalização dos actos de gestão do governo.

 “O melhor é comprometermo-nos com uma espécie de tolerância zero (à corrupção) depois do VI Congresso”, afirmou José Eduardo dos Santos no âmbito da XV sessão do comité central do MPLA em Luanda.
 O MPLA, acrescentou José Eduardo dos Santos, enquanto partido maioritário e de governo, foi “tímido” na fiscalização dos actos de gestão do executivo, quer na AN, quer através do Tribunal de Contas.

 “Esta circunstância(a fiscalização tímida do MPLA ao governo) foi aproveitada por pessoas irresponsáveis e por gente de má-fé para o esbanjamento de recursos e para a prática de actos de gestão ilícitos e mesmo danosos ou fraudulentos”, afirmou.

 “Penso que deveríamos assumir uma atitude crítica e autocrítica em relação à condução da política do partido neste domínio”, sugeriu.
 E, para que não restem dúvidas da intenção do líder do MPLA e chefe de Estado quanto ao seu empenho para combater a corrupção, disse: “O melhor é comprometermo-nos com uma espécie de tolerância zero depois do VI Congresso”.

 O Presidente da República de Angola defendeu, ainda e na mesma ocasião, que as próximas eleições presidenciais, que chegaram a estar calendarizadas para este ano, devem realizar-se ao mesmo tempo que as legislativas.
 José Eduardo dos Santos, no discurso de abertura da XV sessão do comité central do MPLA, partido do qual também é presidente, justificou a junção dos dois actos eleitorais como forma de “poupar tempo e dinheiro”. Não apontou uma data.

 Mas os dois cenários possíveis são 2012, quando termina a legislatura iniciada com as legislativas de Setembro de 2008, onde o MPLA obteve uma maioria qualificada no Parlamento, ou antecipar o fim da legislatura para coincidir com as presidenciais.
 No entanto, se o anteprojecto constitucional do MPLA vingar na comissão constitucional da Assembleia Nacional, como deverá acontecer graças à maioria qualificada do partido no poder no Parlamento que se estende à comissão, o chefe de Estado será o cabeça de lista do partido mais votado para o Parlamento.

 Ainda no contexto do “poupar tempo e dinheiro”, José Eduardo dos Santos, preconizou a aprovação rápida da Constituição para então ser realizada a eleição legislativa e presidencial.
 E apontou que o Presidente da República deve ser o Chefe de Estado, do governo e Comandante em Chefe das Forças Armas, como acontece actualmente.

 José Eduardo dos Santos defendeu também a realização de um “estudo profundo” para forçar a descida dos preços no país que tem a capital como uma das mais caras do mundo e, assim, aumentar o poder de compra dos angolanos porque os preços “sobem mas nunca descem”.
 “Como fazer baixar os preços, como aumentar significativamente a produção interna”, deixou como questões para os membros do CC do MPLA, defendendo que, nestas condições, aumentar só os salários, que é o que se tem dito, não basta em minha opinião”, notou.
 Nesta reunião do CC do MPLA, participaram 225 dos 281 membros que compõem o órgão máximo do partido entre congressos.