Presidente dos Lusíadas, Paula de Castro, focou com tristeza a desunião que reina na Comunidade

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No jantar de gala na ACP de Pretória: Presidente dos Lusíadas, Paula de Castro, focou com tristeza a desunião que reina na Comunidade

Para angariação de mais alguns fundos que lhe permitam continuar a ajudar os mais necessitados da comunidade que a ela recorrem, alguns em desespero pedindo auxílio, a Associação de Bem-Fazer “Os Lusíadas”, promoveu na noite do penúltimo sábado, 25 de Outubro, no salão nobre da ACP de Pretória, o seu jantar de gala anual, a que marcaram presença cerca de trezentas pessoas.

 Contando-se entre os presentes o Frei Gilberto Teixeira que ali procedeu à bênção da refeição, o embaixador Ricoca Freire; a conselheira diplomática da nossa embaixada, Ana e Brito Maneira e a chanceler Carlota Amorim; o director de “O Século de Joanesburgo, Varela Afonso; o comendador Ivo de Sousa; e os presidentes, da ACPP, Américo Pimentel; o da Casa Social da Madeira, Miguel Carreira; a do Marítimo de Pretória, Ana Maria Furriel; e o líder do Grupo de Jovens “PIE”, ligado à Igreja de Santa Maria, Carlos Câmara.

 Marcou também presença no convívio a nova presidente da Sociedade Portuguesa de Beneficência, em Joanesburgo, Isabel Policarpo, sendo de realçar que não obstante as duas organizações se dedicarem praticamente à mesma actividade, daí dever haver entre ambas uma certa ligação e intercâmbio, e nesse âmbito até “Os Lusíadas” te-rem cedido em cooperação, o seu número de “Welfare” a essa Sociedade Portuguesa, quando criada na capital do rande, que nos lembre é a primeira vez que vemos em convívios promovidos pelos Lusíadas, um líder dessa Sociedade de Beneficência, que tem a seu cargo o Lar de Ido-sos Santa Isabel.

 Nesse jantar, onde actuou em primeiro lugar o jovem acordeonista da comunidade, Cláudio Alho, seguindo-se-lhe em música, para a animar o convívio, as discotecas “DJ Fresh”, do conhecido locutor da Rádio-5FM, e “Sounds GR-8, de Paulo dos Santos.

 Foi mestre-de-cerimónias Carlos Calado, que ali voltou a provar toda a sua compe-tência no desempenho desse cargo, tanto nas boas-vindas e agradecimentos aos que nessa noite ali se encontra-vam, como do motivo que originou o jantar, descrevendo por alto a verdadeira missão dos Lusíadas, até porque na qualidade de membro da instituição, conhece a fundo a sua missão, deixando no entanto esse esclarecimento em pormenor para a presidente dessa Associacão de Bem-Fazer, Paula de Castro.

 Chamada ao palco e começando a sua intervenção, primeiro em inglês e depois em português, com agradecimentos a todas as presenças naquele elegante convívio, e reconhecimento a quem consigo colaborou no evento, de modo particular aos patrocinadores, aqui com destaque para o presidente da ACPP, Américo Pimentel, pela ce-dência gratuita do salão, e em especial ao “Meat2 Oceans Market” nas pessoas dos seus proprietários Izídio e Steve, que como referiu, desde que está à frente dos Lu-síadas são duas pessoas que têm mostrado caridade e espírito de apoio a favor de quem mais precisa, nunca lhe negando apoio, sempre colaborando nos eventos que têm sido organizados para angariação de fundos a favor dos mais necessitados, ao ponto de quando ajudam numa festa com esse cariz, procuraram logo saber a data da próxima, como tal sempre preparados para ajudar.

 

* Comunidade cada vez dividida

 

 Alegando estar a chegar ao fim dos seus seis anos de mandato, talvez até o seu adeus como presidente dos Lusíadas, que lhe têm dado, por um lado muita alegria, e por outro alguma tristeza, por ver uma comunidade cada vez mais dividida, daí não podermos crescer com essa divisão afirmando:

 Temos que ser uma comunidade com mais honestidade e integridade, a única maneira de se conseguir uma comunidade unida, para ajudar quem precisa, sem essa união não se consegue crescer no apoio a quem mais precisa, e nesse sentido sabendo existirem em Pretória vinte e quatro mil portugueses, procurar onde é que estão aqui hoje esses compatriotas, e até mesmo a nível de colectividades, quantas estariam ali representadas?

 Será que “Os Lusíadas” poderão continuar desta maneir? a seu ver não só acha que não, como lhe parece impossível, afirmando a propósito:

Estamos a ajudar 40 famílias com donativos mensais, e cada vez há mais pedidos de ajuda, e além dos casos que vai apresentando nos Lusíadas, hás outros que não traz para a instituição, por procurar ajudá-los pessoalmente, afirmando:

 Não estamos a ter da comunidade o apoio que necessitamos. Temos que pensar mais naqueles que necessitam, e nesse prisma até alguns dos idosos internados no Centro-Dia da igreja de Santa Maria, são suportados pelos Lusíadas.

 Como é que podemos continuar sem apoio da comunida-de. Como é que vamos dizer um dia às famílias que estamos a ajudar com donativos mensais, que esgotados os nossos limitados recursos financeiros, não as podemos continuar a ajudar?

 Hoje, abrindo o coração, tenho que dizer tudo aquilo que sinto, porque a continuar assim, não vamos a lado nenhum, muito menos poder continuar, e é muito triste que certas pessoas que podiam ajudar, se estão a afastar da comunidade, razão que gostaria de saber, afirmando a propósito da instituição a que preside:

 “Se quiserem saber algo sobre “Os Lusíadas”, nós somos completamente transparentes, e sem nada a esconder, até querermos que saibam a que se destinam todos os nossos fundos, e para onde vai toda a vossa contribuição, por isso podem-se certificar de tal, junto de qualquer dos nossos membros, que sabem quem são, e ficarão a saber com exactidão a quem é dado o seu destino.

 É muito triste ver uma comunidade tão dividida, como podemos verificar neste jantar. Desculpem-me se estou a ofender alguém, mas é o que eu sinto e que tenho que manifestar hoje aqui.

 Os Lusíadas têm que continuar, para isso peço-vos o vosso apoio, todo o cêntimo conta para ajudar quem precisa. Todos vocês aqui presentes fazem a diferença na comunidade, e sem o vosso contributo esta festa não poderia ser feita.

 Pensem naqueles que mais necessitam, nos idosos, nas crianças, nas viúvas, nas famílias sem nada para subsistência, que estamos a ajudar. Por isso o nosso apelo à união da comunidade que está a ser tão dividida, e a vós aqui presentes que continuem a apoiar “Os Lusíadas”, os desejos de um Natal feliz e próspero Ano Novo. Que Deus vos abençoe.

 Embaixador Ricoca Freire reforçou as palavras de Paula de Castro, no respeitante à falta de união na comunidade.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                

  Convidado a proferir algumas palavras, o embaixador António Ricoca Freire, começando por a todos saudar, agradecer o convite para ali estar com sua esposa,  felicitar “Os Lusíadas” pela meritória obra que tem desenvolvido na comunidade, e mediante a explicação e apelo que Paula de Castro acabara de fazer, e face às mesas vazias que viu no salão se mostrar solidário com tudo o que ela dissera, a merecerem como frisou, o seu inteiro apoio, e que por acharmos importantes e oportunas, vamos também divulgá-las na íntegra:  

 “É verdade que a comunidade portuguesa continua dividida, e eu posso dizê-lo por experiência retrospectiva porque estive na África do Sul em 2003/2004 como cônsul geral em Joanesburgo e já nessa altura me marcou a divisão na comunidade, fazendo-me muita impressão haver oito e nove associações em Joanesburgo, e passados dez anos nada mudou, e o dizer que a esse respeito nada mudou até é uma forma simpática de o referir, olhando a que talvez até piorou.

 As pessoas podem-se unir por necessidades pontuais, para ultrapassar uma pequena crise, mas aquilo que é o alicerce da união. É a capacidade de eu sair de mim para pensar mais no outro, ou seja eu sair de mim e me pôr ao serviço daqueles que preci-sam, os idosos, as crianças, e os jovens da comunidade portuguesa que vivem debaixo de viadutos, em Joanesburgo, a capacidade de amar o outro que vamos servir,  é esse pensamento sobre os outros que precisam de nós, que é necessário.

 Depois é a rivalidade mesquinha, as pessoas são capazes de destruir uma instituição por necessidade de protagonismo. São incapazes de ceder um lugar para servir e apoiar o lugar do outro, preferem destruir o lugar do outro, a ajudá-lo a levar para a frente o seu mandato. O protagonismo individual e mesquinho que é seguido imediatamente pela intriga, é aquilo que eu mais oiço, portanto vão pensando nos vários sinais que dividem a comunidade

 Uma angariação de fundos com este cariz é sempre muito importante, eu espero que esta dos Lusíadas sirva para ajudar aqueles que ne-cessitam, sem ser através do cheque, isso chama-se voluntariado, porque há disponibilidade, não é fazer grandes projectos e depois, não têm de ser grandes, têm é que ser cumpridos. Fazer projectos de vida, em que o serviço à comunidade seja prioridade, de alguma forma cada um há-de encontrar a sua maneira de servir, e isso é muito importante. Os jovens que aqui estão hoje, são um destinatário importante deste apelo ao voluntariado, porque eles têm uma energia, uma disponibilidade e certamente uma generosidade e um ideal muito importante no voluntariado que se pretende.

 Sobre a quantidade de pessoas portuguesas a viver em Pretória e Joanesburgo, para mim o que é preciso é termos consciência de que fazemos parte de um grupo mais vasto. Pretória tem que ter o coração aberto a problemas que lhe são trazidos de Joanesburgo, e a de Joanesburgo aberto a problemas que lhe são trazidos de Pretoria, porque isso é o tal sinal exterior de amor que une todos. A caridade começa pela nossa casa e parece-me ser um conceito muito pequenino de caridade e compaixão.

 Sobre a pergunta de Paula de Castro no que poderemos fazer para unir a comunidade, eu por mim vou continuar a fazer aquilo que sei fazer, ou julgo poder fazer, que é continuar a dizer sempre, desde Julho de 2012 que aqui cheguei, até ao dia que me mandarem daqui para fora, vou continuar sempre a pedir unidade, denunciar as manobras e os esquemas pequeninos da comunidade que a dividem e impedem que ela funcione como um corpo, e fazer o apelo à comunidade, porque as associações, a maior parte delas estão caducas, decadentes, umas reconhecendo isso, outras sem sequer são capazes de o reconhecer.

 É claro que há figuras na comunidade que devem ser interpeladas, e que são obviamente os comendadores da comunidade portuguesa, porque a comenda da Ordem de Mérito que foi atribuída a muitos ao longo dos vários anos, foi exactamente para honrar o trabalho que fizeram em prol da comunidade, pois se o fizeram antes da comenda, mais razão têm para o fazer depois de terem sido comendados, porque a comenda não é um reconhecimento do passado, uma verdadeira comenda bem entendida, é um apoio e um encorajamento para o futuro, portanto fica aqui o meu apelo aos comendadores, para que dentro, obviamente das suas capacidades e daquilo que podem fazer, porque não é apenas neles que vamos assentar, eles são apenas uma parte importante, porque foram distinguidos na comunidade, portanto vamos honrálos, pedindo-lhes ajudem a ser factores de união, e ajudem a construir uma comunidade mais unida e mais não digo.     

 Relativamente às associações peço que não lutem forçosamente para prolongarem de uma forma diferente aquilo que foi projecto do passado, as associações talvez tenham de começar a fundirem-se umas com as outras, algumas eventualmente com pequenas sedes aqui e acolá, mas a associação tem que ser uma só, os tempos são outros, nem sei se alguma vez se justificou esta desunião, é preciso fazer dos muitos corpos pequenos um corpo único. É esse corpo único da comunidade portuguesa, com letra grande, que se calhar nunca existiu.

 Concebe-se  que haja divisões ao serviço dos mais necessitados; concebe-se que haja ciúmes, que os há, relativamente àquilo que faz “b”; concebe-se que haja uma instituição que considere outra instituição como rival, embora isso absolutamente absurdo, mas é exactamente isto que se passa, as pessoas nem o serviço dos outros, àqueles que mais necessitam, os consegue unir.

 Vamos fazer esforços, eu não estou optimista, mas também não sou pessimista, sou realista, mas acho que é possível levar as pessoas a consciencializarem aquilo que podem fazer. Eu acredito que haja muitas pessoas cheias de intenções e cheias de vontade de fazer, podem é estar um pouco perdidas, o primeiro passo é colocar-me disponível para que os meus préstimos possam servir para alguma coisa.

 Aqueles que querem ter protagonismo, então que vão ter protagonismo para outro lado qualquer, façam o que quiserem, agora não venham exercer protagonismos numa área onde os protagonismos não são possíveis, porque o segredo é estar unidos para se criarem energias, para que a força frágil de cada um, seja uma força mais forte de todos.

 Os que não sabem ou não querem estar assim nesse projecto, afastem-se porque no projecto de servir, não pode haver hierarquias, nem pode haver rivalidades, todos têm que estar em convergência e ao serviço do mesmo objectivo, são as palavras do embaixador que ama a comunidade portuguesa, no país onde serve Portugal”.   

 Sempre a pensar na colecta de mais alguns fundos a favor dos que em desespero procuram ajuda nos Lusíadas, ficando ali bem claro reverter tudo o que vai conseguindo amealhar a favor dos mais necessitados na comunidade, foi feito pelo presidente da assembleia-geral da ACPP, Manuel José, o leilão de alguns artigos oferecidos com essa finalidade, e antes de o iniciar agradecer as palavras de Paula de Castro e do embaixador, que considerou frontais e oportunas, ao focarem na verdade toda a realidade.

 No convívio além da presidente Paula de Castro, e do mestre-de-cerimónias Carlos Calado, estiveram presentes os membros lusíadas, Frei Gilberto Teixeira, Ivo de Sousa, Rogério Varela Afonso, Anacleto Guiomar, Joaquim Vicente Dias, Tony de Sousa Alegria, José Gaspar Dias, Tony Oliveira, Rui de Freitas,e os irmãos Carlos e Rui Dias.