Presidente do Governo da Madeira, Miguel Albuquerque, almoçou com a Comunidade Portuguesa de Joanesburgo no Núcleo de Arte e Cultura

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O presidente do Governo da Região Autónoma da Madeira, Miguel Albuquerque, partici-pou ontem, domingo, num almoço comunitário no Núcleo de Arte e Cultura (NAC) em Regents Park, sul de Joanesburgo. Este almoço convívio, aberto a toda a Comunidade, fez parte do roteiro do presidente madeirense na sua visita oficial à África do Sul por causa da Festa da Flor que decorreu em Parys, província do Free State.

 O almoço, a que estiveram presentes o embaixador de Portugal, Manuel Carvalho, e o cônsul-geral em Joanesburgo, Francisco Meireles, reuniu centenas de portugueses e membros da esfera social sul-africana e contou com a participação do presidente da Assembleia Municipal de Joa-nesburgo, Vasco da Gama e do actual chefe executivo do Mercado Abastecedor da Re-gião Metropolitana de Joanesburgo, o City Deep, Ayanda Kanana.

 Miguel Albuquerque e sua comitiva chegaram pelas 13h30 e passaram largos minutos a cumprimentar os presentes no salão de festas do NAC.

 O apresentador da tarde, José Luís da Silva, deu as boas-vindas a todos. Em seguida, foram escutados os hinos nacionais das Repúblicas da África do Sul e de Portugal e da Região Autónoma da Madeira.

 O presidente do NAC, Joaquim Coimbra, subiu ao palco para dirigir algumas palavras aos presentes.

 “Boa tarde a todos, quero ser muito breve. Em nome do NAC, quero dar-vos as boas-vindas e agradecer a vossa presença. Hoje uma tarde que reúne dois eventos, a despedida do nosso Centro de Dia “Coração de Maria”, que en-cerra hoje as suas actividades de 2018 e só as retoma para o ano em Janeiro e a visita do presidente da Madeira, Miguel Albuquerque.

 Queria frisar que hoje não há títulos, queria que fossemos todos “meninos” e “meninas” que é assim que nos tratamos aqui no Centro de Dia.

 Quero também agradecer o pedido feito ao NAC para receber o presidente Miguel Albuquerque e nós fizemos o maior esforço para termos a casa que temos hoje e por isso, a vocês todos, para vocês todos, peço uma enorme salva de palmas!”

 “À minha equipa, para ela, por todo o esforço e trabalho, peço uma enorme salva de palmas também!”

 “Hoje, caros compatriotas, conseguimos congregar neste convívio nove clubes, oficialmente representados, seis ranchos folclóricos, oficialmente representados, 12 instituições, entre elas algumas participantes hoje, dois Lares da Terceira Idade e dois Centros de Dia. Temos 10 comendadores e claro, a Co-municação Social, na qual te-mos uma convidada muito especial hoje, do “Correio da Feira”, desde Santa Maria da Feira em Portugal, a jovem jornalista Daniela Correia Soares. Por isso, com orgulho digo, que hoje conseguimos reunir a nossa Comunidade quase toda. Obrigado”, finalizou Coimbra, que fez vivas à Comunidade portuguesa e à África do Sul.

 José Luís da Silva pediu, em memória de Victor Costa, autor do hino da Região Autónoma da Madeira, um minuto de silêncio.

 Subiu depois ao palco o “Quim” utente do Centro de Dia, que fez uma oração de acção de graças pela refei-ção.

 O prato da sopa foi então servido, sopa de vegetais.

 O apresentador da tarde, José Luís da Silva, após o primeiro prato tomou o microfone para fazer, segundo o próprio, um desabafo. “Isto é um desabafo e uma intervenção que faço na minha capacidade e em nome pessoal.

 É bom dar as boas-vindas a vossa excelência senhor presidente da Região Autónoma da Madeira, Miguel Albuquerque. Mas não queria dar-lhe as boas-vindas neste local hoje, gostaria muito de o ter saudá-lo na Casa da Madeira de Joanesburgo ou saudá-lo na Casa Social da Madeira de Pretória.

 Sou uma pessoa que sempre fez o possível para viver em paz com quem vivo há mais tempo, que é comigo mesmo e não podia deixar de mencionar este facto. E de pensar no futuro difícil do nosso país acolhimento, precisamos de união e de estar unidos, nós não precisamos de clivagens e de divisionismos. Este é um sentimento destes portugueses da Ilha da Madeira, este almoço não ter sido em nenhuma das Casas da Madeira é interpretado pela comunidade portuguesa oriunda da Madeira, como uma traição. Rogo a um pouco mais a astúcia no futuro para não se ferirem susceptibilidades, para um próximo encontro que se realize numa das Casas da Madeira”, afirmou José Luís da Silva.

 Chamou depois desta intervenção pessoal, o presidente da Assembleia Municipal de Joanesburgo, Vasco da Gama. “Boa tarde a todos, sou o “speaker” de Joanesburgo e senhor presidente da Madeira, bem-vindo a Joanesburgo. Senhor embaixador, é também muito bom vê-lo hoje. Quero agradecer profundamente à Comunidade portuguesa por continuar envolvidos na própria Comunidade e assegurar que temos uma ligação forte uns com os outros. Não podemos de forma alguma viver sem assegurar que o trabalho, o vosso trabalho como Comunidade, trabalhem juntos. Organizem coisas juntos e assegurem-se que à vossa volta a Comunidade é preservada e tomam conta dela.”

 “Existem muitas questões em Joanesburgo, sabemos que há muita coisa errada na nos-sa cidade. Mas aos poucos, estamos a chegar onde queremos e a cumprir os nossos objectivos. Queremos dar todos os serviços públicos em condições e queremos que vocês trabalhem sem se preocuparem com faltas de água e faltas de electricidade. Queremos melhorar ainda mais a segurança na cidade.”

 “É pena que o presidente da Câmara de Joanesburgo, Her-man Mashaba, não tenha podido estar aqui hoje, se não ele falaria por certo mais de uma hora. Porque uma oportunidade destas é muito especial. Ele pede que as comunidades trabalhem de perto com o governo local e nacional para assegurar que o governo faz o que vocês querem e precisam.

 Quando entrámos para esta administração municipal, conseguimos calcular que há 23 biliões de randes em falta devido a fraudes. Os números de casos em tribunal, rondam os 2.500 só em fraude. Quem segue as redes sociais e a Comunicação Social, sabe que muita coisa está a ser descoberta.

 É muito importante que todos participemos na vida política e social e não permitamos passivamente que o governo faça o que quer.

 Precisamos envolver-nos nas próximas eleições, autárquicas e presidenciais. Peço-vos, enquanto Comunidade, envolvam-se e votem.

 Agradeço à Comunidade portuguesa por me convidarem a estar aqui presente hoje. Só através de uma estreita relação é que poderemos arranjar o que está de mal na África do Sul”, conclui Vasco da Gama, ao som de uma forte ovação. 

 Logo em seguida, foi chamado a discursar o embaixador de Portugal, Manuel de Carvalho.

 “Boa tarde caros amigos, dou a todos as boas-vindas e quero dizer-vos o enorme prazer que é para mim estar aqui convosco esta tarde. Aqui, esta tarde juntam-se três coisas importantes para mim, a Comunidade madeirense que tenho honra em servir e procuro servir da melhor maneira. Junta-se aqui um outro lado, o país que nos acolhe. Um pais que tenho vindo a percorrer, um país lindo.

 Reparei que o país, a África do Sul, tem grandes problemas, é também evidente o esforço para os resolver e dou conta que muito do que hoje temos na África do Sul, deve-se ao génio político de Nelson Mandela, que curiosamente este ano celebramos o centenário do seu nascimento e este mês o quinto aniversário da sua morte. Reparei como o hino foi cantado, com paixão.

 Queria agradecer a todos as associações que aqui se juntaram hoje. A todos, obrigado e uma muito boa tarde”, rematou o embaixador de Portugal.

 Foi em seguida a vez de Miguel Albuquerque falar.

 “Em primeiro lugar, quero  dizer-vos que ao fim de 30 anos de carreira política, já me chamaram todos os nomes, excepto dois. O primeiro não interessa dizer e o segundo é “menino”. Por isso, pelo “menino”, muito obrigado.

 Este dia é muito significativo, entendi convidar todos para vos agradecer.  No meu último ano de mandato, a forma co-mo sempre me receberam na África do Sul.

 Eu todos os anos, como presidente, vim aqui à África do Sul. Tive ocasião de visitar um espectro muito alargado de clubes e associações portu-guesas e madeirenses e sempre fui muito bem-recebido.

 E nesse sentido entendi e continuo a entender convidar a Comunidade para este almoço e agradecer a quem organizou e quem veio aqui hoje”, afirmou Miguel Albuquerque, que recebeu uma enorme ovação.

 “Sou um político que tomo decisões e não ando ao sabor do vento. Quando entrei para o poder, a Madeira estava na maior crise económica e social e está hoje em crescimento e tem grande prospecção de futuro.

 Não vou ao sabor do vento, porque para mim não há um local sagrado único. Tenho muito prazer estar aqui hoje,  não estou em campanha eleitoral e vim aqui conviver e almoçar com vocês para agradecer por tudo o que fizeram pela Madeira e pela África do Sul”.

 Esta afirmação de não andar ao sabor do vento e de não haver locais únicos e sagrados, valeu a Albuquerque uma ovação ainda maior.

 “Nós hoje, temos trabalho e continuamos a trabalhar. O Mundo está a mudar muito rapidamente, a mudar de forma acelerada.

 Como era a Europa há 10 anos, está muito diferente ho-je. A nível dos Estados Unidos da América, as mudanças também são muitas e aceleradas e em África também. Nós, como elementos activos da nossa Comunidade, temos de estar muito atentos e saber posicionar-nos para não perdermos o comboio.

 Temos uma obrigação das próximas gerações e saber bem qual é o nosso papel. Hoje, temos de estar muito atentos, a África do Sul é um país que representa 25% do produto interno bruto do continente todo. Um país que hoje está a mudar. Vai ter eleições presidenciais para o ano.

 Nós temos hoje, na África do Sul, uma Comunidade muito activa, activamente integrada e bem integrada. Temos como governo regional e nacional, tudo para apoiá-la e fazer no nosso papel prospectivo de futuro.”

 “A primeira coisa que digo, só podemos ser fortes se formos unidos. Um pai tinha vários fi-lhos e no leito da morte chamou-os, disse ao mais velho para trazer vimes e para tentar partir um. Partiu-o. Depois pediu para partir três e partiu. Depois com mais quatro, já sete, tiveram de ser dois filhos a partir. Com vinte vimes, nem os filhos todos conseguiram partir. Portanto, a lição é a seguinte, temos de ser unidos e estar unidos para sermos fortes. Se não participarmos nos centros de decisão somos ultrapassados.

 Os parceiros mais importantes da África do Sul são a Alemanha e a China. E a nossa Comunidade tem de estar presente, para criar empregos que é o maior desafio deste país.

 Agradeço ao senhor cônsul-geral e ao senhor embaixador pelo apoio dado aos nossos empresários e investidores.

 Quero, novamente, agradecer a presença e participação de todos”, concluiu Miguel Albuquerque.

  O presidente da Madeira ofereceu depois uma garrafa de vinho da Madeira, ano 1985, ano da fundação do NAC.

 O buffet do almoço foi aberto com vários pratos típicos portugueses. A comida toda estava perfeita, desde a feijoada ao frango grelhado passando pelo bacalhau à Brás.

 Finda a refeição, foi a vez da actuação do rancho folclórico Troyeville/NAC. Uma actuação que contou com um momento muito especial, a actuação do presidente Joaquim Coimbra, antigo dançarino do rancho. A actuação de Coimbra levou a uma enorme e ruidosa actuação, parecida com aquela de um estádio de futebol. Um momento muito bonito e tocante no seio do clube. Notou-se que Coimbra vive intensamente as actividades culturais portuguesas.

 O grupo das senhoras da cozinha, que prepararam a refeição e que preparam todas as quintas-feiras as refeições do Centro de Dia, foram homenageadas.

 As actuações concluíram-se com Daniela Estanqueiro a cantar, Leandro Coimbra e com a actuação do grupo coral “Coração de Maria” do Centro de Dia.

 A música prosseguiu ao som de Rui Celestino que cantou e dançou com os vários presen-tes pela tarde adentro. A tarde foi encerrada ao som da música e em convívio.