Presidente do Egipto visita Portugal

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O Presidente egípcio inicia hoje, segunda-feira, uma visita de dois dias a Portugal para agradecer o apoio diplomático ao seu país e reforçar a imagem de destino seguro para os turistas do mundo inteiro.

 A redução dos turistas deve-se à imagem de insegurança do país, depois da queda dos governos de Hosni Mubarak e de Mohamed Morsi, com protestos violentos nas ruas e a tomada de posse pelos militares, liderados pelo actual Presidente, eleito formalmente em 2014.

 “Queria tranquilizar os turistas", os "nossos destinos turísticos são totalmente seguros e estáveis e os nossos aeroportos, em conformidade com os critérios da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) são seguros e estáveis”, afirmou, em entrevista à Lusa, o presidente egípcio.

 Em 2014, as receitas do turismo diminuíram 95 por cento em relação aos tempos de Mubarak, que governou até 2011, e o regresso dos turistas tem sido demasiado lento em relação ao esperado pelos analistas.

 “O Egipto recebia um determinado número de turistas que vinham para cá passar um bom tempo, visitar destinos turísticos encantadores e ver os magníficos monumentos do Egipto. Este número diminuiu nos últimos anos”, admitiu o Chefe de Estado, que visita Portugal numa altura de protestos de organizações não-governamentais contra o regime, acusado de violação sistemática dos direitos humanos.

 A visita, a convite do Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, inclui vários encontros bilaterais e será a primeira visita de Estado a Portugal "de um presidente egípcio em mais de 24 anos”.

 O objectivo é “o desenvolvimento da cooperação em todas as áreas”, explicou à Lusa al-Sisi No ano passado, o “volume das trocas comerciais aumentou 38%, mas este valor ainda está muito modesto: são apenas cerca de 200 milhões de euros”, explicou o dirigente.

 No encontro, o Egipto pretende reforçar acções de “cooperação no sector económico e em outros sectores que possam potenciar em larga medida as oportunidades de cooperação”, disse o Presidente, salientando que a visita a Portugal é também uma forma de agradecer o apoio diplomático português.

 “Tenho que registar, com toda a consideração, a tomada de posição equilibrada por parte de Portugal relativamente aos acontecimentos ocorridos no Egipto. Na verdade tem sido uma posição de apoio e de compreensão daquilo que se passava no Egipto no âmbito das difíceis circunstâncias a que está assistir toda a re-gião”, disse al-Sisi, que conquistou o poder nas eleições de 2014, depois de um golpe de Estado ter afastado o seu antecessor, também democraticamente eleito, Mohamed Morsi.

 As exportações de Portugal para o Egipto subiram 12,2% entre 2011 e 2015, registando um forte aumento este ano. Só até agosto, Portugal já tinha vendido 82,6 milhões de euros a este país do norte de África, o que representa uma subida de 28,1% face aos 64,5 milhões de euros em bens vendidos nos primeiros oito meses do ano passado.

 As importações, por seu turno, subiram 6,3%, mas desde 2012 que estão numa tendência decrescente, só alterada no ano passado, e mesmo assim por uma escassa margem: enquanto em 2012 as compras de Portugal ao Egipto totalizavam mais de 145 milhões de euros, em 2015 pouco passavam dos 90 milhões.

 O ano passado, aliás, foi o primeiro dos últimos cinco anos em que a balança comercial foi positiva a Portugal, em 12,2 milhões de euros.

 O Egipto é o 43.º cliente de Portugal, mas nos primeiros oito meses deste ano subiu para 39.º, ao passo que, enquanto fornecedor, o Egipto ocupa a 52.ª posição.

 As peles e couros, as matérias têxteis e os plásticos e borracha representam mais de 80% das compras de Portugal ao Egipto, enquanto que os principais produtos exportados são as pastas celulósicas e o papel, que valem qua-se metade do total.

 

Al-Sisi elogia “vitória inquestionável” e competência de António

Guterres 

 

 O Presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, considera que António Guterres teve uma “vitória inquestionável” na votação para secretário-geral das Nações Unidas.

 “Apoiámos a sua candidatura desde o início. Respeitamo-lo e consideramo-lo um homem muito competente para o lu-gar e esperamos o seu sucesso”, disse o chefe de Estado do Egipto, país com assento no Conselho de Segurança da ONU, em entrevista à agência Lusa

“Nós, de facto, temos uma enorme consideração pela pessoa do engenheiro António Guterres: foi uma vitória inquestionável”, disse o Presidente egípcio, que aponta a necessidade de um reforço do papel das Nações Unidas na cena internacional.

 “Felicitamo-lo pela sua eleição e pelo papel que vai desempenhar durante a sua liderança desta organização internacional de alto nível”, disse Al-Sisi.

 Guterres venceu todas as votações no Conselho de Se-gurança e foi aprovado pela assembleia-geral da organização.

 Depois de ter estado dez anos à frente do Alto Comissariado para os Refugiados, o antigo primeiro-ministro português assume o papel de secretário-geral da ONU em Janeiro de 2017 para um mandato inicial de cinco anos, sucedendo a Ban Ki-moon.

 

* Tribunal de recurso egípcio anula condenação à morte de antigo Presidente Morsi

 

 Um tribunal de recurso egípcio anulou na terça-feira a condenação à pena de morte do antigo Presidente islamita Mohamed Morsi e ordenou um novo julgamento num tribunal criminal, indicou à agência France Presse uma fonte judicial.

 Morsi foi condenado à pena de morte em Junho de 2015 num processo por violências contra polícias durante a revolta de 2011.

 O tribunal de recurso anulou igualmente as condenações de cinco dos coacusados de Morsi, entre os quais o antigo guia supremo da Irmandade Muçulmana Mohamed Badie.