Presidente do BIC acredita ser possível vender o Novo Banco por preço próximo dos cinco biliões de €

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Presidente do BIC acredita ser possível vender o Novo Banco por preço próximo dos cinco biliões de euros

Em entrevista à jornalista da Antena 1 Rosário Lira e ao jornalista do Diário Económico António Costa, o presidente do BIC, Mira Amaral, defende que a venda do Novo Banco por cerca de cinco biliões de euros permitiria aos bancos não perderem dinheiro. O BIC integra o fundo de resolução.

 Entre os 17 candidatos à compra do Novo Banco, Mira Amaral destaca em particular o interesse da Fosun que considera como “positivo”. O interesse chinês poderá aumentar o preço, e aos bancos que integram o fundo de resolução, como o BIC, não interessa perder dinheiro.

A presença da Fosun entre os candidatos eleva a fasquia do preço a pagar. De resto, Mira Amaral considera que se a opção for externa, para além dos chineses da Fosun, também o Bilbao e Vizcaya é um candidato a considerar, uma vez que já em 2004 tentou sem sucesso uma OPA ao BCP. Se a opção for interna, o BPI e Santander Portugal são os bancos que contam.

Mira Amaral revela que a exposição ao BES obrigou o BIC a provisionar cerca de 17 milhões de euros (obrigação imposta a todos os bancos de provisionar 50 por cento de todos os créditos ao Grupo Espírito Santo), mas o presidente do BIC acredita que o impacto desta situação é meramente contabilístico, porque nem todas as empresas do grupo estavam falidas.

 

* As opções  para a TAP e PT

 

 Em relação à TAP, “injectar capital público e protelar a situação” seria para Mira Amaral a primeira opção a tomar em relação à operadora, se a União Europeia permitisse ao Estado capitalizar a empresa. Não havendo essa possibilidade, a solução é privatizar, porque a empresa precisa de dinheiro.

 Quanto à venda da PT à Altice, Mira Amaral não tem dúvidas de que se a Altice comprar a Portugal Telecom o operador não vai manter a mesma dimensão, “tudo isto vai à vida”. O presidente da Comissão Executiva do BIC gostava que outro interessado se tivesse candidatado, visto que a Altice é um Fundo.

 De resto, Mira Amaral considera que faz sentido denunciar a fusão da PT SGPS com a Oi, porque o acordo não foi cumprido, e admite que para os consumidores o fim da PT tal como a conhecemos não tem implicações, até porque há outros operadores. Porém, enquanto português sente-se chocado.

 

* Próximas eleições,  próximo Governo

 

 Mira Amaral não acredita que haja um acordo pré eleitoral entre PSD e CDS/PP e re-comenda a António Costa que não faça a despesa da corrida.

 Para Mira Amaral, o líder do PS deve “estar quietinho” e “fazer o papel de mudo”, porque quanto mais falar mais riscos corre e menos se desgasta. Acredita que o PS vai ganhar as eleições, mas a política não vai mudar porque a Alemanha não vai permitir.

 A austeridade vai continuar, mas vai ter mais ‘marketing’ social. O economista considera que Cavaco Silva vai ser um mero “notário” do acordo que se alcançar, porque em fim de mandato já não vai lançar a bomba atómica e dissolver a Assembleia da República.

 Para as presidenciais gostava de ver uma corrida entre Marcelo Rebelo de Sousa e António Guterres, que considera ter mais perfil para Presidente da República do que teve para primeiro-ministro.