Presidente da Sonangol admite que 2009 foi ano muito difícil

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Sonangol O presidente da Sonangol admitiu em Luanda que o ano de 2009 foi “muito difícil” para a petrolífera angolana devido ao cenário “muito desfavorável” da economia nacional e internacional.

 “O ano de 2009 foi um ano difícil, ano de muitas restrições, onde o cenário económico nacional e internacional foi muito desfavorável, obri-gou-nos a fazer ajustamentos dos nossos programas de trabalho e consequentemente dos nossos orçamentos, quer a nível operacional, quer de investimentos”, explicou Manuel Vicente.

 Numa conferência de imprensa organizada, como acontece todos os anos, para marcar mais um aniversário da empresa, o 34.º, Manuel Vicente juntou ao leque das dificuldades sentidas em 2009 o início do declínio de alguns campos petrolíferos e a proxi-midade desse início noutros.
 Mas, apesar das dificuldades, a Sonangol teve em 2009 lucros superiores a dois mil milhões de dólares.

 “A Sonangol tem dois papéis essenciais, como concessio-nário nacional e de empresa de petróleos. Na qualidade de concessionária, tem de cuidar da preservação e das melhores práticas de exploração dos recursos nacionais no sentido de garantir um rácio reserva/produção razoável e aí reside o cuidado, mas não é motivo de pânico, há planos estratégicos que salvaguardam a situação”, explicou o presidente da maior empresa angolana.
 “Há campos no fim de vida e temos de procurar recursos no sentido de repor as reservas já exploradas”, disse.

 Como companhia de petróleos, a Sonangol, explicou Manuel Vicente, tem activos, reservas e estas “podem ser encontradas no país ou no exterior e esse trabalho tem sido feito”, garantiu.
 “Encontrar reservas onde for possível, no sentido de poder explorá-las e ter mais valias, é uma responsabilidade da empresa e aí entra o Iraque, entra a América do Sul e todos os pontos onde estamos ou estamos a tentar entrar, porque se queremos ser companhia de petróleos, temos de continuar nesta senda, não há como recuar”, afirmou.

 Quanto à licitação de novos blocos em Angola, Manuel Vicente reafirmou: “Esta actividade irá continuar adiada, porque houve mudança no Governo, novo quadro político e nova Constituição, esse cenário mantêm-se”.
 “Não anulamos os concursos, ainda não chegámos a esse ponto, mas estão pendentes até uma nova decisão”, notou.
 O presidente da Sonangol admitiu ainda não acreditar que dentro de um ano a em-presa já esteja em bolsa porque falta adequar a sua contabilidade aos padrões internacionais.

 “Continua a ser um desafio, mas primeiro temos, e esse é um desafio fundamental, de colocar toda a nossa contabilidade em padrões internacionais aceitáveis… esse trabalho está a ser desenvolvido mas está a demorar mais que aquilo que era esperado, mas o desafio permanece e vai ser prosseguido”, garantiu.

 Esclareceu ainda que novos investimentos em Portugal, fora da área natural de negócio da Sonangol não estão em perspectiva.
 “Não há nada previsto para os sectores dos transportes, seja aéreo ou terrestre em Portugal”, disse Vicente questionado na conferência de imprensa sobre um eventual interesse na TAP ou na ANA.