Presidente da República quer Portugal a vencer rapidamente défice de esperança

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Presidente da República quer Portugal a vencer rapidamente défice de esperança

O Presidente da República defendeu na sexta-feira que é preciso preencher e vencer, "rapidamente", o défice de esperança que existiu "durante uns anos" em Portugal, porque "há razão para esperar um futuro melhor" para o país.

 "As pessoas estavam com um certo défice de esperança, é preciso preencher o défice. Fala-se de défice de tudo, de défice do orçamento, e não se fala do défice de esperança, que existiu durante uns anos em Portugal e é bom que esse défice seja vencido rapidamente", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, em Beja, durante uma deslocação à Ovibeja.

 A visita à feira foi a última paragem da primeira edição da iniciativa "Portugal Próximo", através da qual Marcelo Rebelo de Sousa percorreu nove concelhos dos distritos de Portalegre, Évora e Beja, no Alentejo, nos últimos três dias.

 Convidado pelos jornalistas sobre o comentário "tivémos um general sem medo [Humberto Delgado], temos um Presidente sem medo das pessoas", que um visitante da feira lhe dirigiu, Marcelo Rebelo de Sousa disse: "Acho que nenhum Presidente teve medo das pessoas, eu gosto das pessoas e quando disse que ia ser, tanto quanto possível, um Presidente de afecto, era isso mesmo".

 "Naturalmente, gosto de estar com as pessoas e é bom que as pessoas gostem de estar comigo. Acho que essa é a função do Presidente", disse, confessando que "não esperava tanto" afecto das pessoas, como o que recebeu nos últimos três dias no Alentejo, e que considerou não se dever "tanto a mérito" seu, mas ao facto de as pessoas terem "um certo défice de esperança".

 O Chefe de Estado acrescentou que o périplo por terras alentejanas deu para "perceber que há problemas de fundo" na região, os quais, disse, esperar que, "com os fundos europeus e o esforço de todos, seja possível ir ultrapassando nos próximos anos", embora haja "muita coisa a mudar".

 No Alentejo, "a universidade está mais forte, há muitas micro e pequenas empresas, há juventude a fixar-se, há obras sociais que estão a vingar, há um esforço enorme com o apoio dos autarcas e, portanto, continua a ser um panorama muito difícil para o interior alentejano, mas há horizontes de esperança", sublinhou.

 Numa região que "estava muito parada", há "muita coisa a mudar", já que existem "no-vos projectos, a ideia de ampliação do Alqueva, desejo de investimentos que não exis-tiam, projectos importantes para a ferrovia ser um elemento de coesão social e territorial", mas "vamos lá ver se muda no bom sentido", disse Marcelo Rebelo de Sousa.

 Esperança "é a minha palavra fundamental desde que estou em funções, vai para um mês e meio. Há razão paRa esperar um futuro melhor para Portugal", afirmou.

 Durante a visita, em que recebeu um "banho de multidão" à chegada e esteve permanentemente rodeado de pessoas, que faziam questão de o cumprimentar ou tirar fotografias, Marcelo Rebelo de Sousa passou por vários "stands", como o da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo, onde, num quadro de ardósia com a pergunta "O que o faz forte?", escreveu: "Acreditar em Portugal".

 A visita ficou marcada pela homenagem pública ao considerado "pai, mentor e grande dinamizador" da Ovibeja, Manuel Castro e Brito, que morreu no dia 29 de março, vítima de doença súbita.

 A cerimónia decorreu na presença da família e de muitos visitantes da feira e incluiu a exibição de um filme sobre Manuel Castro e Brito, o descerrar de uma placa evocativa com o lema da Ovibeja, "todo o Alentejo deste munido" e uma actuação do grupo coral "Os Alentejanos".

 No final, o Presidente evocou Manuel Castro e Brito e anunciou que irá agraciá-lo, a título póstumo e "em nome de Portugal", com a condecoração de Grande Oficial da Ordem de Mérito, a qual irá entregar à família do mentor da Ovibeja a 29 de setembro deste ano, data em que seria o seu aniversário.

 Manuel Castro e Brito "era um homem excepcional, amigo do seu amigo, leal, fiel, combatente, corajoso, de uma dedicação sem limites, que deixa saudades imensas em todos aqueles que privaram com ele", elogiou Marcelo Rebelo de Sousa.