Presidente da Casa Social da Madeira de Pretória indignado

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Casa Social da Madeira

Casa Social da MadeiraPresidente da Casa Social da Madeira de Pretória indignado com as polémicas que pretendem causar instabilidade na Colectividade. Damião de Freitas não acreditava, antes de ser eleito presidente, que tantos ditos e mexericos pudessem existir na comunidade, daí a sua desilusão.

 Segundo o discurso preparado pelo presidente da Casa Social da Madeira, Damião de Freitas, ao que nos referiu aprovado por toda a sua direcção, para ser divulgado na festa do 28.º aniversário da colectividade, comemorado no passado dia 22 de Agosto, só o impedindo de tal, segundo a sua versão, a sobrecarga de actividades em palco, com actuação de artistas, leilões e outras funções próprias da celebração, e quando o pretendeu fazer já muitos dos presentes na celebração tinham deixado o salão, daí agora nos ser entregue para sua publicação, que passamos a transcrever na íntegra:
 “Caros sócios a CSM atravessa neste momento uma fase muito difícil. Estamos ainda em transacção, e até construirmos o salão ideal há muito que trabalhar, há muito para fazer e há muita falta de dinheiro.

 Como sabem o nosso dinhei-ro está a ser travado por certas conveniências, uma delas sendo o encerramento da porta da CSM, francamente não sei qual o interesse, e outra o falhanço da direcção, mas esta direcção não está a dormir e estamos alerta de certas actividades e manhosices de certos indivíduos que sorrateiramente actuam para desestabilizar e criar destorço na colectividade. Sinceramente já está a ficar uma situação muito preocupante. A falta de respeito que existia à presidência, não ao presidente, repito à presidência da CSM é uma pouca vergonha e acre-ditem que a direcção vai reagir, mas no meio de tudo isto há um empenho positivo que havemos de concluir aquilo que começamos, precisamos dos optimistas e os reais amigos da CSM, para nos ajudarem a atravessar essa meta.

 Precisamos de homens e senhoras com idades de 40-50 para fazerem parte da direc-ção. Se ainda não acordaram, a realidade que os que funda-ram a CSM estão a ser chamados um por um, para darem contas a Deus, acordem a essa realidade. Temos que aceitar que não podemos aguentar os reinos até estarmos com um pé na cova. Vamos incluir os mais novos e passar para eles os conhecimentos e deixá-los evoluir, e só assim é que haverá continuidade, não podemos estar agora a pensar que as coisas têm de ser como meu avô fez, não, tem que haver mudança, tem que haver novas ideias e temos que fugir da burocracia, isso só cria mau ambiente e eis uma das razões porque a juventude foge das colectividades, as verdades têm que ser ditas e enfrentadas para poder haver renovação daquilo que está errado, as glórias têm que ser para a comunidade, não para o indivÍduo, mais uma vez eu peço que parem com essa pouca vergonha de quererem enterrar a direcção.    

 Quanto ao crime. Sabemos todos qual a situação do país em relação ao crime. Não vamos agora acreditar que a CSM está num lugar perigoso e que não tem segurança e temos que ir para outro lugar melhor e mais perto, etc. Na casa antiga em Pretoria West sentíamos mal porque havia um bairro que se tornou degradado, aí a CSM ter sido roubada várias vezes, começámos a ficar negativos e no fim ficámos sem sócios, sem apoio e sem imóvel. Eu às vezes penso que por vezes nós somos os nossos maiores inimigos.

 Meus amigos, não existe lugar nenhum na África do Sul onde o perigo não esteja, perguntem-me a mim, longe de que, também não sei, se está bom para o Manuel, não está bom para o António, nunca vamos satisfazer a todos, eu só peço que não se desanimem uns aos outros e venham-nos apoiar.
 Quanto ao crime e violência, nunca estaremos livres dessa horrenda maneira de vida, só temos é que ser cautelosos, mais alerta e saber enfrentar.
 Pensando um pouco, o que acontece àqueles que são roubados nos seus negócios, nem todos podem fugir para a Madeira ou Portugal. Eu também sei que os heróis são poucos, mas vamos ter fé em Deus, e pedir que Ele nos acompanhe, vamos viver na esperança que o que há-de vir será melhor.
 A CSM vive na esperança de em breve começar a construção do seu novo salão, onde possamos acolher muito mais pessoas. Como vêm essa necessidade existe, salão esse que será o orgulho da comunidade. A direcção simplesmente pede o vosso apoio, as negociações continuam com o comprador do terreno da antiga sede.

 Não chego a compreender porque é que a CSM tem que esforçadamente aceitar a sua palavra como garantia, não queremos desconfiar nem insultar a credibilidade de ninguém, mas também não há garantia que estejamos vivos amanhã, no meio da vida há a morte, e as coisas têm que ser asseguradas. Tenho fé que em breve vamos encontrar uma solução, senão vamo-nos aproximar de um banco e cedendo o “bond” (empréstimo) da casa antiga como garantia, vamos pedir um empréstimo de 3 milhões de randes e construir nem que seja 500 metros quadrados de salão para melhor podermos estar reunidos e fazermos as nossas festas”.
 Pedindo aos presentes a indicação do número dos seus telemóveis, para por via telefónica a todos contactar no futuro, a fim de lhes dar conhe-cimento das festas e outras actividades que forem planeando, isto sem desprezar os habituais meios de comunicação, e para além do endereço electrónico www.madeiraclub.co.za sublinhando estar o seu executivo muito entusiasmado com estas novas directrizes, na certeza de que poderão cativar mais a juventude, com toda a sua direcção muito entusiasmada com estas novas iniciativas, e muita fé no futuro, Damião de Freitas concluiu o seu discurso nestes termos:

 “Nada é fácil na vida, mas com o vosso apoio positivo, o caso torna-se muito mais fácil. Não vamos agora puxar o tapete para que a direcção caia, porque aí não vamos para a frente, vamos ser muito unidos, vamos acreditar que há um futuro, vamos acreditar que a juventude da CSM merece que lhes deixamos algo para se sentirem orgulhosos”.
 Já no discurso que proferiu na colectividade aquando da visita do secretário regional do equipamento social do Governo da Região Autónoma da Madeira, eng. Santos Costa, a 22 de Julho último, à Casa Social da Madeira, Damião de Freitas sublinhou nas suas palavras:
 “A juventude faz parte da direcção, coisa que nunca aconteceu na CSM, e também tem a responsabilidade de ensaiar os dançarinos do rancho. A juventude e o rancho são pedras fundamentais desta casa, na dinamização da cultura da Região Autónoma, e os ensaios do rancho fazem com que a juventude venha à Casa da Madeira, prosseguindo:

 Sr. Secretário, nós temos que ser sinceros para com nós mesmos, ser realistas e por certos assuntos em perspectiva, aqui eu pergunto:
 – Porque é que a Casa da Madeira se encontra nesta situação, onde estão os só-cios fundadores, onde estão os sócios efectivos, e para que fins fundamos esta casa, onde está a ajuda financeira dos sócios? Agora eu pergunto, como é que a CSM pode sobreviver. Cheguei à conclusão que a culpa é da CSM que não acompanhou os tempos, a CSM não criou condições para comunicação com os sócios, e eles esqueceram-se dela.
 A CSM esqueceu-se da ju-ventude e hoje não a temos ao seu lado. A CSM não procurou os ideais da juventude, a CSM não quis ou não teve os meios para evoluir, a CSM perdeu duas gerações de descendentes de madeirenses além de 28 anos de existência. Onde estão os filhos dos madeirenses? A CSM tem de ser mais pragmática na sua aproximação. Reuniões à roda da mesa do café só servem para desestabilizar o trabalho feito pela direcção. Só há uma Casa Social da Ma-deira, temos que nos actuali-zar, sermos mais flexíveis, e menos autocratas, tem que haver um outro modo de pensar. Estamos no século 21, era da comunicação electrónica, e temos que usá-la para comunicar com os sócios e simpatizantes, actualização de endereços, sejam electró-nicos ou físicos, os estatutos têm que ser mantidos e estar à disposição dos sócios, e temos que lutar pela glória da Casa da Madeira, e não por glória pessoal”.

 Em género de comentário diremos que problemas como os agora apontados pelo pre-sidente da CSM, existem por assim dizer em todas as restantes colectividades lusas, não só da África do Sul, como decerto infelizmente por todo o mundo.
 Foi a transformação ultimamente verificada, imprevisível na altura, que deu lugar a este e outros fenómenos que no negativo se vão hoje verificando um pouco por todo o lado, porque quando os clubes, tal como a CSM foram formados há mais de uma vintena de anos, nunca pela cabeça de fundadores e directores da ocasião lhes passou pela ideia que no futuro isto pu-desse vir a acontecer, por conseguinte fruto do tempo.
 Agora quanto ao afastamento dos jovens na actualidade, assim como de sócios das casas que ajudaram a fundar, e porque não do desinteresse da maior parte da nossa comunidade em frequentar as agremiações lusas, a par da falta de colaboração das colectividades, umas com as outras, nisso estamos consigo, o que é pena e se lamenta, contribuindo esse lamentável estado de coisas para que a seu tempo, talvez mais cedo do que se possa pensar, a maior parte das nossas agremiações fiquem pelo caminho, a isso as obrigando as despesas cada vez maiores, e as receitas cada vez menores, e os que ainda hoje teimam apoiar com patrocínios e do-nativos os clubes da sua simpatia, acabarem por se cansar de serem sempre os mesmos sacrificados, daí e a menos que não se consigam outras fontes de receita para sobrevivência, não lhes restar outra alternativa que não seja o encerramento.

 É pena que tal venha a acontecer, mas a verdade é que tudo indica não haver outro caminho, apenas uma questão de tempo. Só vemos por exemplo para Pretória, onde residimos e agora começa a levantar-se um problema que já apontámos há algum tempo, uma única alternativa, a unificação dos clubes, onde passe a existir uma única direcção formada por representações de todas as colectividades que aderirem à ideia, com igualdade de direitos e deveres para todos os associados, e cada uma possa fazer as suas festas. A nosso ver e salvo melhor opinião não ve-mos outra solução.