Presidente Cyril Ramaphosa encontrou-se com Comunidades europeias em Germiston

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 Decorreu no salão multiusos do clube helénico em Germiston, na terça-feira 26 de Março, um encontro entre o presidente do ANC e da África do Sul, Cyril Ramaphosa e delegações das comunidades portuguesa, grega, cipriota e italiana. Encontro este organizado pela HIP Alliance, um grupo formado por elementos das várias comunidades.

 Na sessão de perguntas e respostas, apenas 13 perguntas previamente seleccionadas, foram levantaram questões de toda a natureza, desde a economia nacional, à privatização da Eskom e outras empresas estatais, criação de emprego, expropriação de terras, igualdade de género e combate ao racismo.

 Entre os membros presentes, esteve George Bizos e Sophie de Bruyn, Luli Callinicos, vários ministros do Governo e secretários de Estado, bem como o premier do Gauteng, David Makhura. Em palco estiveram Maurizio Mariano da parte italiana, a activista Catherine Constantinides da parte helénica, ao centro o presidente Ramaphosa e David Makhura, Stavros Nicolaou apresentador da noite e director da HIP Alliance com John Baladakis e o comendador José Nascimento e Manuel Ferreirinha, da parte portuguesa.

 Stavros Nicolaou deu as boas-vindas a todos os presentes, depois do hino nacional sul-africano, cantado pelo italo-sul-africano Nicky Giuricich. Nicolaou afirmou que o objectivo central daquele serão era chegar à melhor solução para a coesão social no país.

 Stavros Nicolaou deu as boas-vindas aos vários ministros e secretários de Estado presentes, membros do corpo diplomático no salão e a vários membros do ANC.

 O arcebispo da Igreja Ortodoxa grega deu uma bênção a todos os presentes na noite e em seguida interveio David Makhura.

 “Muito obrigado ao HIP Alliance, aos ministros e convidados presentes. Não há dúvidas que o nosso bem-amado país enfrenta enormes desafios. Vislumbram-se tempos dificieis, que requerem uma liderança forte e capaz”. Aludiu assim Makhura à capa-cidade e necessidade de Cyril Ramaphosa ocupar o cargo de presidente da África do Sul, ao vencer as eleições do próximo mês de Maio.

 Foram depois colocadas várias questões ao presidente. Da parte portuguesa, a pri-meira a colocar foi Cidália Jordão Olivier, “dado o clima político actual, qual é a propo-sição de valores do ANC para as eleições?”

 A segunda questão posta por Cidália Olivier foi “em casa de não obterem maioria absoluta no parlamento, haverá planos para formar um governo de coligação?”

 A esta questão, o presidente afirmou categoricamente que o ANC irá ganhar as eleições sem necessidade de recorrer a coligações partidárias para governar.

 O comendador José Nascimento também levantou uma questão, ao mostrar-se certo que o ANC irá vencer as próximas eleições. “O ANC irá vencer porque é o único que garante a estabilidade no nosso país,” afirmou o comendador Nascimento. A questão levantada pelo comendador Nascimento era relevante aos serviços camarários. “Camarada presidente, qual é o plano que tem para resolver o dilema da prestação de servi-ços camarários?”.

 O presidente respondeu que será alocada uma verba, de vários biliões de randes, para responder à necessidade de modernizar as infraestruturas e eliminar a corrupção e ineficiência dos autarcas até aqui em cargos públicos.

 Manuel Ferreirinha levantou uma questão relativa à expropriação das terras sem compensação. Começou por dizer em português “boa noite minhas senhoras e meus senho-res”, “o investimento dos nossos empresários portugueses neste país é profundo e im-pacta profundamente na economia e está por todo o país. Isto prova que a África do Sul tem um futuro muito positivo mas depende de que todos os sul-africanos coloquem mãos à obra, em diálogo e parceria com o Governo, para encontrar soluções para os desafios que enfrentamos. Senhor presidente, durante 25 anos fomos alvo de muita atenção, nós como minoria – chamados brancos. Temos que virar essa atenção para todo o país. A nossa Comunidade portuguesa tem estado dedicada à África do Sul e desde o início da Nova África do Sul, temos agricultores que estão a expandir as suas propriedades agrícolas, temos os nossos empresários a investirem nos seus negócios e empresas. E a razão para isso, é porque vemos um futuro brilhante para a África do Sul. Para criar esse futuro, temos que estar unidos e usar todos os recursos e capacidades ao nosso dispor neste país para encontrar soluções. A questão que tenho, para os agricultores que são tão optimistas, é o caso da terra e da expropriação de terrenos. Muito obrigado aos nossos portugueses”.

 O presidente Ramaphosa não se pronunciou sobre esta questão.

 Por fim, antes da intervenção do presidente Ramaphosa, George Bizos entregou um livro autografado da sua biografia ao presidente da África do Sul.

 Seguidamente o líder do ANC respondeu a todas as questões numa intervenção que durou quase uma hora e meia. Nessa intervenção garantiu que as empresas para-estatais, como a Eskom, serão reestruturadas e alinhadas de forma a contribuir positivamente para a economia. Garantiu não querer a Fase 4 dos apagões de electricidade e que o assunto irá ser resolvido quanto antes.

 Depois do discurso do presidente, foram-lhe entregues algumas lembranças em agradecimento, embora já a sala estivesse quase vazia devido ao adiantado da hora, cerca das 23h30.

 A sessão foi encerrada com nova actuação de Nicky Giuricich.