Presidente angolano promete combater a fuga de divisas para mercado informal

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O novo Chefe de Estado angolano, João Lourenço, revelou que há divisas no país mas que se encontram fora do sistema bancário a alimentar a economia informal.

 “Há divisas em Angola, só que estão fora das instituições próprias que deviam ter o controlo delas”, declarou o Presidente João Lourenço, num encontro com a comunidade angolana, na África do Sul, no quadro da sua visita oficial de 72 horas a este país da África Austral.

 O Chefe de Estado afirmou ainda que, por isso, deu orientações ao novo governador do Banco Nacional de Angola (BNA, central) e ao novo comando da Polícia Nacional para juntos combaterem esta fuga de divisas da banca para o mercado informal.

 “Mudamos a governação do Banco Central e o comando da Polícia Nacional e qualquer (uma) destas instituições recebeu a responsabilidade de combater a fuga das divi-sas da banca para o comércio informal”, disse João Lourenço, citado pela Pana.

 Segundo o novo Presidente angolano, “as divisas não estão nos bancos, estão em outros locais que não são os adequados, mas perfeitamente identificados”. 

 “Por razões que desconhecemos, todo o mundo sabe onde estão (divisas), mas ninguém faz nada”, afirmou o estadista, que acredita que as mudanças efectuadas vão contribuir “para que haja mais divisas disponíveis para a economia e para outras necessidades do país”.

 O Presidente João Lourenço respondia às preocupações apresentadas pela comunidade angolana radicada na África do Sul, que reclamou contra as dificuldades vividas nas operações de transferências bancárias, pagamento dos subsídios de bolsa para os estudantes e legalização de nacionais residentes há vários anos neste país e que permanecem sem documentos.

 

* Angola – país de oportunidades

 

 O Chefe de Estado angolano apontou a dependência do país de um único produto de exportação, o petróleo, cujos preços, disse, “caíram nos últimos anos em mais de 70 porcento”, como outro factor responsável pela escassez de divisas no país

 “Esta queda contribuiu para a redução das receitas do Estado”, indicou, alertando que “o tempo em que o barril de petróleo custava acima de 100 dólares americanos não volta mais”.

 “Daí a necessidade urgente de se diversificar a economia, para que o país tenha mais produtos para exportar e, com isso, outras fontes de recursos, além do petróleo”, afirmou o líder angolano.

 Estando a economia do país “de alguma forma destorcida”, prosseguiu, “é urgente acelerar o processo de diversificação da economia nacional, que passa pela atracção de parceiros externos, como via para ganhar acesso a tecnologias, conhecimento e aos mercados externos”. 

 “Vamos tomar as medidas necessárias para termos em Angola um Estado cada vez mais amigo do investimento, melhorando a política migratória e apostando nas melhores tecnologias e nas melhores práticas internacionais no domínio dos negócios”, disse João Lourenço.

 Entre as medidas a serem aplicadas, até Março do próximo ano, João Lourenço apontou acções para facilitar a

criação e o funcionamento das empresas privadas nacionais e estrangeiras, criando um ambiente mais favorável, que promova e defenda a livre iniciativa, a competitividade e a sã concorrência da economia nacional. 

 “Vamos adoptar incentivos fiscais para as empresas que decidam investir no interior, contribuindo para a redução das assimetrias regionais e da pobreza e para o aumento do emprego e do rendimento das famílias”, prometeu o estadista angolano num outro encontro com empresários dos dois países, na companhia do seu homólogo anfitrião, Jacob Zuma.

 João Lourenço prometeu ain-da adoptar “medidas para combater as imperfeições do mercado, combatendo mono-pólios e oligopólios, por serem práticas não competitivas e prejudiciais à vida dos consumidores e por tornarem ineficiente o processo produtivo do país”. 

 “Vamos avançar com um programa de promoção das exportações e substituição das importações em que os principais actores serão os agentes do sector privado nacional e estrangeiro”, sublinhou, apelando aos empresários sul-africanos para olharem para Angola como “um país de oportunidades” e investimentos em várias áreas da vida económica e social do país.