Prémio Nobel da Química distingue cientista Nascido em Pretória

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Prémio Nobel da Química distingue cientista Nascido em Pretória

O prémio Nobel da Química foi atribuído ao austríaco Martin Karplus, ao britânico Michael Levitt (nascido em Pretória em 1947) e ao israelita Arieh Warshel pelo desenvolvimento de modelos informáticos que permitem compreender e prever processos químicos.

 Nos anos 70, os três investigadores, todos com nacionalidade norte-americana além da sua nacionalidade de origem, "lançaram as fundações dos poderosos programas que hoje são usados para prever processos químicos", escreve a Real Academia Sueca no comunicado em que anuncia os premiados.

Antes destes desenvolvimentos, recorda a academia, os químicos criavam modelos de moléculas com bolas de plástico e paus. Hoje, usam computadores.

 "Modelos computacionais que espelham a vida real tornaram-se cruciais para a maioria doa avanços feitos na química actualmente", acrescenta a instituição.

 Contactado em directo duran-te a apresentação do prémio, o galardoado Arieh Warshel, de 72 anos e a trabalhar na Universidade da Califórnia do Sul, explicou que o trabalho dos cientistas premiados foi "desenvolver métodos que permitem ver como as proteínas funcionam de facto".

 "O que desenvolvemos foi uma forma computacional de olhar para a proteína e perceber como faz o que faz", acrescentou, exemplificando que esta informação pode ser utilizada para criar medicamentos, por exemplo.

 Como explica a academia, as reações químicas ocorrem a uma enorme velocidade e numa fracção de uma milésima de segundo os eletrões saltam de um núcleo atómico para outro, pelo que é virtualmente impossível mapear todo o processo químico re-correndo apenas ao método experimental.

 Com a ajuda dos métodos desenvolvidos por Karplus, Levitt e Warshel, os cientistas deixam os computadores re-velarem os processos químicos, como a purificação dos fumos de escape através dos catalisadores ou a fotossíntese numa folha verde.

 O trabalho dos investigadores agora premiados, adianta a academia, é também inova-dor porque permitiu unir a física clássica de Newton à física quântica, que é fundamentalmente diferente.

 Antes, os químicos tinham de escolher usar uma ou outra. Karplus, Levitt e Warshel aproveitaram o melhor dos dois mundos e desenvolveram métodos que usam a física clássica e a física quântica.

 "Hoje, o computador é uma ferramenta tão importante para os químicos como o tubo de ensaio. As simulações são tão realistas que preveem o resultado das experiências tradicionais", escrevem os membros do júri no comunicado.

 O prémio tem o valor pecuniário de oito milhões de co-roas suecas (918 mil euros), a dividir pelos três laureados.

 Martin Karplus nasceu em 1930 em Viena e é hoje investigador da Universidade de Estrasburgo, França, e da Universidade de Harvard, nos EUA.

Michael Levitt nasceu em 1947 em Pretória, na África do Sul e trabalha na Escola de Medicina da Universidade de Stanford, nos EUA.