Prémio Nobel da Paz para dissidente não influenciará sistema político da China

0
18
Prémio Nobel da Paz

Prémio Nobel da PazA atribuição do prémio Nobel da Paz ao dissidente Liu Xiaobo não influenciará o sistema político chinês, afirmou, em Pequim, um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China.

 “Se certas pessoas tentam assim modificar o sistema chinês, cometem um erro grosseiro”, declarou Ma Zhaoxu, sobre o prémio atribuído, na pelo comité Nobel.
 “Os políticos tentam utilizar isso para atacar a China”, acrescentou Ma, durante uma conferência de imprensa.

* Mulher de Liu Xiaobo continua em prisão domiciliária e impedida de falar

 Liu Xia, mulher do Nobel da Paz de 2010, o dissidente chinês Liu Xiaobo, continua sob prisão domiciliária em Pequim, impedida de falar com amigos e imprensa, segundo o seu advogado.
 A mulher de Liu Xiaobo (que cumpre 11 anos de prisão por dissidência política) agradeceu o apoio exterior que está a receber desde que foi anunciado o prémio, referiu um diplomata europeu à agência EFE.
 Simon Sharpe, primeiro secretário dos Assuntos Políticos da delegação da União Europeia na China, conseguiu falar por telefone com Liu Xia na segunda-feira, depois de elementos da segurança o terem impedido de a visitar.
 Liu Xia encontra-se sob vigilância policial desde sexta-feira, quando foi anunciada a atribuição do Nobel ao marido, e as autoridades proibiram-na de falar com a imprensa.

 No penúltimo domingo, Liu Xia foi escoltada até à prisão onde se encontra o marido, em Jinzhou (Liaoning).
 Sharpe e uma dezena de outros diplomatas tentaram na segunda-feira à noite, sem sucesso, chegar ao apartamento de Liu Xia, em Pequim, para lhe entregar uma mensagem de congratulações do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.
 “Tentámos entrar, mas disseram-nos que não podíamos, a menos que a inquilina saísse para nos convidar” a entrar, disse Sharpe, explicando que isso seria impossível uma vez que Liu Xia está detida desde sexta-feira para impedir que fale com os meios de comunicação social.
 O diplomata europeu estava acompanhado de outros 10 representantes da UE, incluindo da Suíça, Suécia, Polónia, Hungria, República Checa, Bélgica, Itália e Austrália, numa “acção de certa forma coordenada, mas informal”
 Sharpe conseguiu transmitir à poetisa, de 49 anos, a mensagem divulgada por Durão Barroso, na qual qualifica o Nobel como portador de “uma mensagem de rotundo apoio a todos os que lutam no mundo pela liberdade e direitos humanos”.
 Valores que “fazem parte do núcleo da União Europeia”, disse Durão Barroso.

 O Governo chinês considera o dissidente e ex-professor de Literatura, de 54 anos, um “delinquente” por ter colaborado, em 2008, na redacção do manifesto político “Carta 08”, na qual 300 intelectuais pediam a entrada em vigor de di-reitos constitucionais como liberdade de imprensa ou o pluripartidarismo.