Prémio da Física marca o início de uma nova concepção do universo – diz investigadora portuguesa

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investigadora portuguesaA cientista Ana Mourão, que liderou a equipa de portugueses que colaborou com Saul Perlmutter, distinguido com o Nobel da Física, considera que o estudo premiado “marca o início de uma nova concepção do universo”.

 Esta é já a terceira vez que a investigadora Ana Mourão colabora com um Nobel da Física, tendo trabalhado com o Nobel de 2006, George Smoot (que venceu juntamente com John Mather), e com Samuel Ting (prémio Nobel em 1976 com Burton Richter), com quem colaborou já depois de este ter sido distinguido.

 Em declarações à Lusa, Ana Mourão disse que liderou a equipa composta por dois portugueses – uma estudante de licenciatura, que desenvolveu o projeto de final de curso com Saul Perlmutter, e um aluno que já tinha terminado – que trabalharam diretamente com o agora Prémio Nobel, em Berkeley, um projeto financiado pela FLAD que, recorda, “era completamente do zero e de um risco altíssimo”.

 “Quando iniciámos a colaboração com o Saul Perlmutter, o que pensávamos era que íamos medir a desaceleração do universo, porque se pensava que o universo estava a desacelerar e depois, eventualmente, colapsaria ou não. Era isso que se tentava perceber, se o universo ia colapsar ou não”, relembra.

 A coordenadora do mestrado em engenharia física tecno-lógica do Instituto Superior Técnico considera que a descoberta da aceleração da ex-pansão do Universo através da observação de supernovas “marca o início de uma conceção do universo que ainda nem se sabe para que lado vai evoluir”.
 “Em 1998, chegou-se à conclusão de que as ideias que havia sobre o universo não eram verdadeiras”, disse, acrescentando que quando se concluiu que cerca de 70 por cento do universo é constituído por uma energia que se desconhece, “abriu-se uma janela imensa para uma física completamente desconhecida que se continua sem saber o que é”, enfatizou.

 Ana Mourão garante que “desde as primeiras conclusões, em 1998” que se sabia que a descoberta “ia receber o Prémio Nobel, mas era preciso confirmar para ter a certeza de que não havia nada errado”.
 “Seria uma questão de mais ano menos ano. Estávamos à espera todos os anos que este projecto recebesse o prémio Nobel”, confessa.
 Segundo Ana Mourão, a ciência em Portugal já é internacional e “é muito provável que a nível de todas as áreas científicas haja pessoas nas me-lhores equipas ao nível internacional”.

 A Academia Sueca distinguiu com o Nobel da Física o trabalho de três cientistas norte-americanos pela descoberta da aceleração da expansão do Universo através da observação de supernovas.
 O prémio vai ser partilhado entre o professor da Universidade da California Saul Perlmutter e os professores universitários Brian P. Schmidt e Adam G. Riess, da Austrália e Baltimore, respectivamente.

 Saul Perlmutter é o responsável pelo trabalho “The Supernova Cosmology Project”, desenvolvido pela Lawrence Berkeley National Laboratory da Universidade da Califórnia, a funcionar em Berkeley, nos Estados-Unidos da America.