Preços em Moçambique mais elevados do que na África do Sul

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Preços em Moçambique mais elevados do que na África do Sul

As diferenças de preços de vários produtos alimentares nas cidades de Maputo e de Nelspruit, na África do Sul, revelaram a existência de uma margem comercial ex-cessiva no mercado moçambicano, de acordo com um estudo divulgado em Maputo.

 O estudo “Variação de Preços em Moçambique”, desenvolvido pelo Programa para o Desenvolvimento Económico e Empresarial (SPEED), da organização norte-americana USAID, em parceria com a Confederação das Associações Económicas (CTA), adianta que essa margem comercial excessiva existe mesmo em supermercados que operam nos dois países.

 Avaliando os preços de oito produtos – açúcar, frango, farinha de milho, tomate, óleo alimentar, feijão cozido e pasta de tomate e atum enlatado – a análise procura explicar as motivações que levam os consumidores moçambicanos a fazerem compras na cidade de Nelspruit, da província fronteiriça de Mpumalanga, situada a cerca de 200 quilómetros da capital moçambicana, apesar da crescente oferta do mercado moçambicano.

 À partida, e embora não indiquem a composição de um possível cabaz, os autores concluem que a deslocação pode representar uma pou-pança de pelo menos 82 dólares, considerando já o custo de deslocação num veículo utilitário, que ronda o mesmo valor.

 Por operarem nas duas cidades, os supermercados Game, Spar e Shoprite foram se-leccionados para servirem de referência comparativa, lê-se no documento, já disponível na página electrónica do programa SPEED.

 Com margens comerciais entre 81% e 92%, no caso dos alimentos processados (feijão cozido, pasta de tomate e atum) e até 50% no caso de alimentos básicos (os restantes, de acordo com a classificação das autoridades moçambicanas), o estudo mostra que as diferenças de preços são superiores aos custos de transferência de um mercado para o outro.

 “A diferença de preço é suficientemente grande para co-brir os custos do comércio, que incluem os direitos de importação e os impostos apli-cáveis sobre as vendas. No caso do comerciante formal, isto também inclui os custos de oportunidade de atrasos aduaneiros, o cumprimento das exigências sanitárias e fitossanitárias, entre outros”, salientam os autores.

 Por outro lado, a análise indica que a desvalorização da moeda sul-africana, o rand, face ao metical, que se tem verificado de forma contínua ao longo dos dois últimos anos (actualmente um rande equivale a cerca de 2,7 meticais), não se está a reflectir no preço dos produtos importados a partir da África do Sul, indiciando um aumento das margens de lucro dos retalhistas.

Sobre as razões que poderão estar na origem das margens de lucro dos retalhistas que operam no mercado moçambicano, o estudo aponta o custo de arrendamento dos espaços comerciais, “que é quatro vezes superior em Maputo”, além das taxas de imposto sobre o rendimento das sociedades, que “são quatro pontos percentuais mais elevadas”.