Pousadas portuguesas voltam a ter clientes após violência em Joanesburgo

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Duas semanas depois do violento conflito que eclodiu na grande Joanesburgo, o negócio voltou à normalidade em duas pousadas portuguesas, em Kensington, uma área próxima dos Consulados Gerais de Portugal e de Angola, em Joanesburgo.    

 “Não vieram durante duas semanas, só a agora é que estão a chegar”, relatou na sexta-feira à nossa reportagem Camila da Silva, proprietária da ‘Guest House’ Cassandra’s Place.

 “Eu mandava-lhe os whatsapps a dizer que [a pousada] era nos subúrbios e realmente nos nossos lados nada aconteceu, e agora já está a chegar gente”, adiantou.

 De acordo com esta proprietária hoteleira, os turistas de Angola “é que ficaram mais receosos” mas hoje [sexta-feira] já chegou uma senhora de Angola, já me telefonaram duas pessoas de Moçambique a dizer que vão chegar e julgo que a situação já está a normalizar”.

 “Mas foi horrível”, recordou Camila da Silva referindo-se à onda de saques, destruição de imóveis e alegada violência xenófoba sem precendentes que eclodiu em Joanesburgo e Pretória, epicentro do conflito na província de Gauteng.

 Em Kensington South, na Vila Latino Retreat, onde Analiza Lousada faz turismo médico há mais de vinte anos na África do Sul, a recente situação de instabilidade esporádica afectou os clientes que se deslocam regularmente à África do Sul para tratamento médico.

 “Devido ao que se tem passado, infelizmente, tive cinco cancelamentos de Angola e três de Moçambique”, afirmou a proprietária.

 “Um dos que estava cancelado, por ser funcionário de uma grande empresa estatal, foi a própria empresa que cancelou todas a vindas, mas como o controlo médico é muito sério porque é relacionado com cancro, a pessoa teve de comprar a passagem aérea para poder dar seguimento ao seu tratamento”, salientou.

 Analiza Lousada explicou que “os distúrbios começaram na semana passada, de domingo para segunda, e comecei a receber chamadas e perguntas sobre a situação logo na segunda-feira e a partir de quarta-feira os cancelamentos começaram a acontecer”.

 “As pessoas que estavam na altura hospedadas, que eram seis, quatro de Angola e dois de Moçambique, também queriam sair, dois deles adiantaram a saída de domingo para sexta-feira”, afirmou.

 “Nota que para alterar o bilhete cada um pagou 150 dólares porque o receio era muito”, sublinhou Analiza Lousada.