Portugueses radicados na Venezuela com dificuldades de acesso a divisas para viagens a Portugal

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Portugueses radicados na Venezuela com dificuldades de acesso a divisas para viagens a Portugal

Portugueses radicados na Venezuela disseram à Agência Lusa que estão a ter dificuldade de acesso a divisas para gastar em viagens a Portugal. “Nos próximos dias vou viajar para Portugal, há mais de oito meses que reservei e paguei as passagens para ter a certeza que conseguia lugar. Em comparação com anos anteriores vou ter muito menos re-cursos para gastar, o que me obriga a fazer ajustes mesmo numa viagem programada com antecipação”, disse Matilde Ribeiro.

 A luso-venezuelana explicou que em pouco menos de um mês vai visitar Lisboa, Porto e Ponta Delgada, contando apenas com “3.000 dólares (2.272 euros) autorizados para consumos, com o cartão de crédito”, recursos que “são insuficientes porque nalguns sítios é preciso pagar hotel e o aluguer de viatura”.

 “Anteriormente o Sitme (Sistema de Transacções com Títulos em Moeda Estrangeira), facilitava-me adicionalmente outros 5.000 dólares (3.787 euros). Em Dezembro último essa quantia foi reduzida a 3.000 dólares (2.272 euros), mas agora não me deram nada”, disse.

 Carlos Andrade diz que “o país parece estar a ter problemas com divisas”, razão pela qual o Banco Central da Venezuela começou a realizar “leilões quinzenais” aos quais as pessoas concorrem e “se o valor que oferecerem por cada dólar estiver dentro de uma determinada faixa de preços, o banco é autorizado a transferir-nos o que for aprovado para uma conta no estrangeiro, para usar durante as viagens”.

 “No meu caso aprovaram-me 1.000 dólares adicionais (757,50 euros), mas conheço várias pessoas que não lhes autorizaram nada, porque ofe-receram por debaixo ou por cima do valor dessa faixa de preços, que só depois do leilão é que sabemos qual era”, frisou.

 Na Venezuela vigora desde 2003 um sistema de controlo cambial que impede a livre obtenção de moeda estran-geira, sendo necessário recorrer à Comissão de Administração de Divisas (Cadivi), para solicitar autorização para consumos, com cartão de crédito, no estrangeiro.

 

* Mais de 20 jornais afectados e oito encerrados por falta de papel na Venezuela

 

 A falta de divisas para importar papel para jornais está a causar uma crise na imprensa venezuelana, obrigando oito diários regionais a suspender as suas edições impressas, uma situação que poderá afectar duas dezenas de publicações.

 “Os importadores esgotaram os seus stocks de papel e de tinta”, disse Edgar Fiols, director da Associação de Industriais de Artes Gráficas da Venezuela, precisando que os importadores estão à espera, há mais de seis meses que o executivo emita os “certificados de não produção”, necessários para solicitar dólares para a importação.

 Os atrasos na emissão dos certificados e as dificuldades para obter divisas originou um mercado paralelo, em que as divisas são ilegalmente cotadas a valores que superam em mais de 600% o valor oficial de 6,3 bolívares por cada dólar norte-americano.

 Segundo Edgar Fiols, o papel para os jornais é, para as autoridades venezuelanas, um bem não prioritário para importação, com os atrasos na emissão de certificados a afectar principalmente os diários regionais que dependem exclusivamente de distribuidores, em contraste com grandes jornais que conseguiram fazer grandes importações de maneira directa.

 David Natera, presidente do Bloco Venezuelano de Imprensa, vai mais longe e atribui os atrasos a “um pretexto para impedir a circulação de meios impressos” e uma maneira de “impedir a liberdade de expressão e informação” num país onde os jornalistas se queixam cada vez mais de autocensura por temerem sanções e de tentativas governamentais de criar uma hegemonia na área da comunicação social.

 Por outro lado, a socióloga e professora universitária Maryclen Stelling defendeu que “assim como o Governo (venezuelano) solucionou a crise do papel higiénico, deve procurar uma solução para o problema do papel para jornais, porque, se estes encerrarem, reduz-se a possibilidade de os cidadãos estarem informados”.

 Segundo a imprensa venezuelana, os jornais “Antorcha”, “El Sol de Maturín”, “El Caribazo”, “La Hora”, “El Caribe”, “Los Llanos”, “El Espacio” e “Versión Final” suspenderam as suas edições impressas em papel.

 Por outro lado os diários “La Región”, “El Periódico de Monágas”, “El Clarín”, “La Notícia de Barinas”, “El Espacio de Barinas”, “La Prensa de Monágas”, “La Prensa de Anzoátegui”, “La Hora Digital”, “Jornada”, “El Regional de Zúlia”, reduziram as suas publicações, prevendo deixar de circular nos próximos dias. 

 Com reservas e papel para apenas 10 dias estão os diários “Mundo Oriental”, “La Notícia de Oriente”, “El Oriental”, e “Avance”.