Portugueses na África do Sul irmanados no sentimento de perda pela morte de Mandela

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Portugueses na África do Sul irmanados no sentimento de perda pela morte de Mandela

O secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, afirmou que os portugueses residentes na África do Sul estão “perfeitamente irmanados num sentimento de perda muito grande”, após a morte do antigo Presidente sul-africano Nelson Mandela.

 “A comunidade, de um modo geral, tinha uma grande admiração por Mandela. É inquestionavelmente uma referência para toda a gente na África do Sul”, declarou José Cesário, que se encontra na capital da Ucrânia, Kiev, onde decorreu um encontro da OSCE.

 De acordo com o governante português, “a comunidade está perfeitamente irmanada num sentimento de perda muito grande, que toda a gente sente na África, tal como os portugueses que lá estão”.

 Nelson Mandela, acrescentou Cesário, “era um grande fator de equilíbrio da sociedade”.

 “Era efectivamente um estadista extraordinário”, sublinhou.

 

* Embaixadora sul-africana em Lisboa espantada pela resposta portuguesa

 

 A embaixadora da África do Sul em Lisboa mostrou-se “espantada” pela resposta portuguesa à morte de Nelson Mandela, atenuando a “profunda tristeza”, mas sem abalar a necessidade de celebrar a vida do “Tata” (pai) da democracia em África.

 Em declarações à Lusa, Keitumetse Matthews frisou tratar-se de uma grande perda para a África do Sul, mas “ainda maior para o Mundo” porque o antigo estadista sul-africano “era um exemplo para todo e qualquer ser humano”.

 Já com a bandeira a meia haste e três velas – duas delas com o sorriso de Mandela estampado – a arderem à porta do número 10 da Rua Luís Bívar, nas avenidas novas, em Lisboa, algumas pessoas começaram a aproveitar para deixar mensagens no livro de condolências, bem como depositar ramos de flores.

 O líder do PS, António José Seguro, a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, acompanhada pela deputada Helena Pinto, também o fizeram, cumprimentando a representante da África do Sul. Os corpos diplomáticos de Iraque, Marrocos ou Bielorrússia foram outros dos presentes.

 “Obviamente, estou muito triste. [Mandela] Era da família de toda a gente, muito próximo de todos. Amamo-lo profundamente, mas é uma mistura de tristeza e de celebração. A sua vida tem de ser celebrada porque foi vivida intensamente. O tempo depois da prisão foi uma vida em cheio. Temos de celebrar porque o seu legado tem de permanecer o mais possível”, disse a diplomata sul-africana.

 Matthews, há quase três anos no posto, lembrou que “Portugal tinha um movimento ‘anti-apartheid’” e que o líder sul-africano do movimento re-belde então, Oliver Tambo, visitou Lisboa “no pico da luta”, algo que considerou ter sido “muito importante” e “merecedor de reconhecimento, pois muita gente não o sabe”.

 “Estamos muito contentes, muito felizes, com a resposta que nos deram. Muito obrigado. Estou espantada com a resposta. Têm sido tantos telefonemas e mensagens de toda a parte em Portugal. Os ?media’ têm sido excelentes, com documentários, televisões, rádios, todos a relatar a vida dele, sobre a situação na África do Sul, antes e depois… é um reconhecimento que tenho de dar a Portugal pela solidariedade demonstrada”, disse.

“Rest in Peace, ‘Madiba’” (descansa em paz e o nome do clã Thembo a que Mandela pertencia) ou um simples “Thanks” (obrigado) são vá-rias das inscrições deixadas na à entrada da embaixada.