Portugueses da Venezuela estão alarmados quanto ao futuro

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 Os portugueses na Venezuela estão muito preocupados e alarmados quanto ao futuro do país, uma situação que deve ser acompanhada de maneira muito especial pelos políticos e pelas autoridades em Portugal, disse no sábado o deputado do PSD José Cesário.

 “Transmitiram-me uma grande preocupação relativamente ao futuro de cada um. As pessoas estão alarmadas. Evidentemente que há razões políticas […], mas estão sobretudo alarmadas sob o ponto de vista social, da escassez de recursos e de meios, da falta de respostas no plano médico. Quem está doente tem um problema tremendo, os hospitais não respondem”, disse.

 José Cesário, que já foi secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, falava à agência Lusa ao finalizar uma visita de três dias à Venezuela, onde contactou com portugueses nas cidades de Caracas, Maracay, Valência e Barquisimeto.

 “É preciso trabalharmos muito junto desta comunidade. Às vezes temos a sensação, em Portugal, de que a Venezuela desapareceu dos noticiários, das notícias em geral […]. A verdade é que a situação é muito complexa e muito alarmante, talvez mais do que era, mesmo quando aqui há um ano havia manifestações e agitação nas ruas”, disse.

 Para o deputado do PSD pelo círculo de emigração de fora de Europa, “a situação é muitíssimo complicada”, pelo que é “muito importante” que os órgãos de comunicação social e os responsáveis políticos, como o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, “estejam conscientes de que esta comunidade precisa de um acompanhamento muito especial”.

 “Temos consciência de que nada disto é novo, mas há efectivamente um conjunto de elementos novos, que têm de ser tidos em consideração: além das pessoas que já eram muito pobres, hoje começa a aparecer um novo conjunto de novos pobres”.

 Estes pobres, disse, resultam de uma classe média que tem vindo a ser depauperada e enfrenta muitos problemas, sem conseguir responder ao “aumento brutal do custo de vida”, num momento em que a economia local “começa a ser dolarizada”.

 “Ou seja, a compra de produtos essenciais começa a só conseguir ser feita com moeda forte, dólares, euros,

outras moedas. Isso cria novos problemas no presente, e sobretudo no médio prazo, que obrigaram a encontrar respostas que permitam que muita gente que tinha uma situação estável venha a ser ajudada de forma a superar esta situação delicada”, disse.

 José Cesário sublinhou ainda a forte inflação na moeda própria e o aumento de preços entre os que estão definidos já em dólares ou euros

 O deputado disse ter sido confrontado com situações complicadas de professores e funcionários lusodescendentes, além de comerciantes (a atividade predominante na comunidade), que estão a ganhar “quantias ridículas e não conseguem ter acesso a bens essenciais”.

 “Eram pessoas que até há relativamente pouco tempo tinham situações diferentes. Isto põe em casa, por exemplo – é bom dizê-lo -, mesmo programas de ensino da Língua Portuguesa que têm sido, e bem, divulgados, afirmados, alargados […], porque há muitos professores a partir para outros países, muita gente que não suporta esta situação”, explicou.

 No seu entender, “Portugal e outros países europeus têm de olhar para isto de uma forma global e encontrar estas respostas que neste momento só existem muito parcialmente”.

 Esse olhar, alertou, tem de ser estendido a outras áreas, como África do Sul, Angola e Argentina, onde “situações explosivas” estão também a agravar-se.

 O social-democrata recordou que há programas sociais de apoio a idosos e emigrantes, mas sublinhou que têm de implicar menos burocracia, para que as respostas sejam mais rápidas.

 A crise na Venezuela intensificou-se desde Janeiro último, quando o presidente do parlamento, o opositor Juan Guaidó, jurou publicamente assumir as funções de Presidente interino do país, até afastar Nicolás Maduro do poder, convocar um governo de transição e eleições livres e democráticas no país.