Portugueses com sucesso académico em Joanesburgo mantêm viva a chama e a tradição do folclore

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Portugueses com sucesso académico em Joanesburgo mantêm viva a chama e a tradição do folclore

Os luso-sul-africanos Analiza de São Martinho e Victor de Andrade são prova de que é possível conciliar o trabalho, o prazer e ainda a cultura sem problemas. São prova de que o sucesso académico não é impedido pela participação em actividades culturais.

 Ambos são licenciados de sucesso pela Universidade da Wits, de Joanesburgo, e ambos dançam e participam no Rancho Folclórico Núcleo de Arte e Cultura/Troyeville. Dois exemplos que mantêm as raízes culturais e ancestrais vivas, para as poder legar a gerações vindouras, a par do sucesso pessoal e profissional.

 Analiza Gonçalves de São Martinho nasceu na cidade de Joanesburgo e tem 24 anos de idade. Na sua família ela é a primeira geração luso-sul-africana, pois os pais são oriundos de Portugal, com o pai da Freguesia de S. Martinho, no Porto, e a mãe oriunda do Grande Porto. Licenciou-se na passada quinta-feira, dia 10 de Dezembro de 2015, em Medicina com um Bacharelato em Medicina e Cirurgia, fará agora um ano de serviço comunitário a par do seu internato e ainda não decidiu a especialidade a seguir.

 A par deste curso, tem ainda um Bacharelato em Ciências da Saúde com especialidade em Farmacologia. Conta-nos esta jovem, que fala muito bem Português, que Medicina foi algo que sempre quis seguir, sempre esteve envolvida em acções de caridade da Comunidade e considera-se uma pessoa extrovertida e muito social, por isso, para Analiza, Medicina foi sempre a profissão a seguir.

 Para a jovem lusa não foi fácil, pois tentou mas a principio não foi aceite e não entrou em Medicina, por isso considerou ainda fazer Enfermagem. Não desistiu, tentou novamente e no ano seguinte foi aceite no seu curso de predilecção.

 No campo cultural, contou ao Século de Joanesburgo que dança no rancho desde os 10 anos de idade. Foi a Mãe, umas das iniciadoras do Ran-cho Portugal dos Pequeninos, que a incentivou a dançar e lhe cativou o gosto pela vertente cultural lusitana. Parou de dançar por uns tempos, devido às exigências dos estudos, mas retomou a dança folclórica no Grade 8, o que foi há 15 anos.

 Para Analiza não é dificil conciliar ambas as coisas, estudos e rancho, porque para ela foi sempre um escape e acredita que é sempre necessário tempo próprio, passado na Comunidade e em actividades lúdicas, o rancho – graceja – é também uma boa fonte de exercício físico. Confessou-nos que acredita que há muita gente que enche o peito e dizem que são “orgulhosamente portugueses”, mas que depois não fazem nada.

 “Sim, não estamos em Portugal, mas temos que manter a cultura, devemos ensinar os nossos futuros filhos e manter as raízes e os laços culturais.

 Esta jovem doutora é ainda membro do “Portuguese Girls Soccer”, onde jogou futebol feminino no clube “DesportiVo”, na União Portuguesa.

 Actualmente Analiza de São Martinho tem namorado e garante-nos que consegue ter uma vida equilibrada em tudo e ter um modo de vida saudável.

  No dia 1 de Janeiro, começa o seu internato no hospital em Tigerberg, perto da Cidade do Cabo.

 

* ANDRADE TEM RAIZES NA MADEIRA E LECCIONA NA UNIVERSIDADE DA WITS

 

 Victor Manuel de Andrade tem 40 anos de idade, nasceu Vanderbijlpark e actualmente mora em Joanesburgo. Tal como Analiza, faz parte da primeira geração luso-sul-africana na sua família, com ambos os pais, oriundos da  Calheta, na ilha da Madeira.

 Obteve um Bacharelato em Patologia da Fala e Audiologia, com o Mestrado e o agora recém-completado Doutoramento em Audiologia, este ano no mês de Junho.

 Toda a sua carreira no Ensino Superior foi feita na UniversiDade da Wits, em Joanesburgo, onde também trabalha a leccionar e a supervisionar estudantes e pesquisadores na Clínica de Audiologia. Apresentou o seu trabalho de pesquisa em várias conferências, na mais recente das quais ganhou o Prémio de Melhor Investigador, no Congresso da especialidade em Durban, este ano de 2015 no mês de Novembro. Este seminário fez parte da “Ear, Nose and Throat South African Speach Hearing Association.”

 Emigrou para  Inglaterra onde viveu e trabalhou durante sete anos, no Serviço Nacional de Saúde Inglês, no seu ramo de especialidade para depois re-gressar à África do Sul e inGressar na Wits para obter o Mestrado e Doutoramento.

 Victor de Andrade começou a dançar no NAC/Troyeville a convite de uma das membros do grupo folclórico após ter voltado do Reino Unido.

 Confessou-nos que gosta muito de dançar e que é “uma sensação visceral e física” a de manter a Cultura Portuguesa e as tradições vivas. “Estar envolvido no rancho folclórico é uma das maneiras de manter a Cultura para lá da Língua, que é muito importante, mas há mais tradição para além do idioma” conta-nos Victor.

 Estar no Rancho permite, segundo de Andrade, “um processo que liga gerações com os antepassados e há, por isso, uma ligação contínua entre gerações.”

 Questionado sobre dançar no NAC/Troyeville lhe faz confusão, com as suas raízes madeirenses, Victor de Andrade prontamente responde que “isso não existe, essa divisão não existe aos meus olhos. Somos todos portugueses e danço pelo amor e gosto à nossa e friso nossa cultura.”

 Para este Professor Doutor, o Rancho sempre lhe proporcionou uma oportunidade para a distração, mesmo durante as piores alturas e mais atarefados momentos do doutoramento.

 Victor de Andrade actualmente está solteiro mas, segundo o próprio, leva uma vida equilibrada. É, segundo sabe, o primeiro luso a ter um doutoramento na área da especialidade, a Audiologia.

 Ambos os luso-sul-africanos falaram ao Século de Joanesburgo com à vontade e simpatia, com paixão e entusiasmo não só pelas suas áreas de eleição profissional, mas também das suas raízes culturais.  Falam com gosto do Rancho NAC/Troyeville, dos seus colegas de dança e transmitem esse gosto a quem falar com eles sobre o assunto. Simples, prontos em participar, sentaram-se prontamente com este semanário para nos esclarecer os motivos e a conjugação do trabalho e do prazer da cultura portuguesa.