Portuguesa Isilda Félix um exemplo de dedicação no acolhimento de crianças com dificuldades em Pretória

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 Natural da então Lourenço Marques, hoje Maputo, capital moçambicana, onde viveu até aos 23 anos de idade, Isilda Maria Quintino de Avelar Álvares Félix, com os acontecimentos ali ocorridos em 1974 foi viver para a Rodésia, hoje Zimbabwé, ali se mantendo até 1979, ano em que resolveu tentar Portugal, para depois de uma curta estadia ali, e habituada ao calor e sol radiante africano, decidiu voltar ainda neste mesmo ano a este continente, escolhendo para o efeito a África do Sul, fixando-se inicialmente em Setembro desse mesmo 1979 na povoação de Kriel, seguindo-se Evander e Kinross, até que em 2001 se fixou em Littelton, proximidades de Pretória, precisamente na habitação que ainda hoje, como propriedade sua, ocupa e serve de acolhimento a crianças de tenra idade que lhe são confiadas.

 É ali, na “DOVE’S NEST”, que em português significa “Ninho de Pombas”, que nesse intitulado “place of safety”, (lugar de segurança), crianças recém-nascidas são confiadas pelas assistentes sociais da “Child Welfare”, de que é gerente da unidade de adopção Nina de Caires, esta que na verdade tem sido espectacular na ajuda a crianças abandonadas e famílias em crise, cuja preferência dada a Isilda Félix advém do acolhimento, mediante provas dadas ao longo dos 18 anos nesta actividade, daí ir ganhando credibilidade e confiança pelos organismos que superintendem nesta área, que reconhecem nela condições humanitárias suficientes para não duvidar do bom tratamento, carinho e amor dado a estes inocentes, que privados do afecto materno encontram ali o seu ninho de abrigo.

 Pelo que no contacto com ela ali soubemos, quando a criança é entregue à Segurança Social pelos pais biológicos, uns por razões de carência não terem possibilidades económicas para as criar, a outros por insuportáveis desavenças no casal ou outros graves motivos lhe ser retirada, e como tal dada para adopção, isto depois do período dado aos pais para reflexão em possível mudança de comportamento ou melhoramento de situação financeira para tentar reavê-las, caso contrário será a mesma encaminhada para casas de acolhimento, entre elas a “Dove’s Nest”, de Isilda Félix, até que a Assistência Social encontre famílias que estejam preparadas e em condições para tomar conta delas, e nesse caso através de garantias que visem salvaguardar a integridade e os legítimos interesses de cada criança nessa situação.

 Para manter esta actividade, em que nos vários aspectos acarreta grandes despesas, Isilda Félix conta logicamente com certas ajudas, desde subsídio a nível oficial, neste caso dos serviços sociais sul-africanos, só que bem vistas as coisas insuficiente para o suporte de todos os encargos, daí se mostrar grata aos donativos mensais atribuídos pelos Lusíadas, aqui com elogios à presidente desta Associação de Bem-Fazer, Paula de Castro, de quem assiduamente recebe mensagens de encorajamento a prosseguir essa nobre missão, não esquecendo além de outras a Woolworths e a Talent-10, assim como as anteriores ofertas recebidas do comendador Mário Ferreira, contribuições preciosas na ajuda aos salários das actuais quatro empregadas sul-africanas, Joana, Happy, Dineo e Mónica, que ali ajudam em limpeza e lavagem de roupa, não esquecendo outras pessoas que periodicamente a apoiam com artigos alimentícios, roupa, fraldas e brinquedos, tudo assim se tornando mais fácil com estas colaborações.

 De referir que esta propriedade habitacional que Isilda Félix possui há trinta e dois anos em Lyttelton, com todas as condições para albergar condignamente as crianças que lhe são confiadas, só que com o decorrer dos tempos o pavimento foi-se danificando, e por conseguinte a necessitar em certos lugares de alguma reparação, daí e com falta de recursos financeiros para os reparar, agradecer a alguém que lhe possa fornecer algum material apropriado, grata ficando também por outro lado a pessoas e firmas que a possam ajudar, além de bens alimentares de maior consumo como são o leite e os cereais, a roupa, as fraldas e os brinquedos para essas crianças à sua guarda, aqui deixando para possíveis contactos de quem com ela deseje colaborar, o número do seu telemóvel: 083 726 7144.

 Para se definir o carácter desta nossa compatriota e o modo com que continua a ser reconhecida por pessoas que por ali passaram desde tenra idade e dificilmente a esquecem, basta referir que seis delas, hoje adolescentes, com os seus 18 anos a frequentar o ensino secundário, não esquecendo o modo como sempre ali foram acarinhadas, continuarem a viver nesta “Dove’s Nest”, e a ser ajudadas por Isilda Félix no pagamento de despesas, com uniformes e todo o material escolar, por aqui se vendo o quanto é apreciado o seu trabalho, e enaltecido o amor que dedica aos que lhe são confiados.

 Como pessoa simples que não gosta de publicidade, muito menos de dar nas vistas, antes preferindo passar despercebida, e só o seu grande amor e dedicação às crianças, muito especialmente às desprotegidas, a terão levado a optar por a elas se dedicar, com provas dadas neste seu apoio a inocentes em dificuldades que não tiveram culpa de vir ao mundo, Isilda Félix vai utilizando como meio de transporte para as crianças a seu cargo, e recolha de artigos que lhe vão sendo oferecidos, um “Mini Bus” de nove lugares que em tempos lhe foi doado pela “Zest Electrical Motors”, em Sandton, de Joanesburgo, que olhando aos tempos cada vez mais difíceis, e benefícios na sua utilização, poderá ser considerada uma bênção.

 Para além do justo reconhe-cimento que individualmente e por direito possa ser atribuído a esta nossa compatriota, pelas autoridades que neste âmbito regulam o acolhimento infantil na África do Sul, não passará certamente despercebida, como complemento, a comunidade portuguesa a que Isilda Félix nos orgulha pertencer, e com isso enaltecido em paralelo, o contributo que nos diversos âmbitos e sectores os portugueses continuam a dar, rumo ao entendimento, paz e progresso que todos ambicionam para este maravilhoso país de acolhimento.