Português da Venezuela fez greve de fome e conseguiu que o Governo lhe devolvesse as terras

0
96
Português da Venezuela

Português da VenezuelaO empresário português Francisco Alves que na quarta-feira suspendeu uma greve de fome, que mantinha desde penúltimo domingo, contra a anunciada confiscação pelo Estado de uma sua propriedade, já recebeu um documento do Instituto Nacional de Terras que anula a medida.

 “Estou a caminho de Valência (cidade), tenho em meu poder o documento que anula completamente o decreto de resgate do meu terreno por parte do Estado”, disse.
 O empresário explicou que em casa todos estavam à sua espera.
 “Já passámos uma etapa e agora temos que trabalhar, mas primeiro vou dedicar um ou dois dias a descansar (…) Já comi, uma sopinha ao meio dia e outra à noite. Sinto-me bastante melhor e amanhã vou a uma clínica, verificar os valores do açúcar e fazer exa-mes médicos”, frisou.
 Francisco Alves Félix iniciou no penúltimo domingo uma greve de fome, para evitar a confiscação de uma proprie-dade e apelou ao Governo português que intercedesse junto dos seus homólogos ve-nezuelanos, pedindo respeito pelos seus direitos.
 Na quarta-feira suspendeu a greve de fome, para se reunir, em Caracas, com o ministro venezuelano da Agricultura e Terras, Juan Carlos Loyo, que lhe prometeu revogar a medida de confiscação das propriedades.

 Manifestando sentir-se debilitado pelos três dias de greve de fome, explicou que a reunião com Juan Carlos Loyo decorreu num ambiente de respeito e de diálogo “muito proveitoso”.
Declarou-se agradecido ao Governo português, nome-a-damente ao cônsul geral de Portugal em Valência, António Chrystêllo Tavares, pelo apoio prestado.
 Durante a greve de fome re-cebeu manifestações de solidariedade da comunidade lusa, da Câmara Venezuelana Portuguesa de Comércio e Turismo e da imprensa vene-zuelana e internacional.
 Natural de Vila Franca de Xira e emigrado na Venezuela há 26 anos, Francisco Alves Félix dedica-se à actividade metalúrgica e instalações industriais.

* Empresário agradece apoio de Portugal  e de portugueses, destacando  o “diálogo proveitoso” com as autoridades locais

 O empresário português Francisco Alves agradeceu todo o apoio de Portugal e da comunidade lusa local durante o tempo que esteve em greve de fome por receio que uma propriedade lhe fosse confiscada, e ao mesmo tempo destacou o “diálogo proveitoso” com as autoridades locais.
 “A Embaixada e o Consulado foram muito importantes para mim, o Governo Português re-agiu ante esta situação e isso foi muito importante. Por outro lado, a cadeia de solidariedade que se gerou à volta deste tema e da minha pessoa também foram importantes”, disse.
 Francisco Alves falava em Caracas, à saída de um encontro com o ministro vene-zuelano de Agricultura e Terras, Juan Carlos Loyo, durante o qual o governante lhe prometeu que revogaria a medida de confiscação das terras, comprometendo-se o empre-sário a suspender a greve de fome.
 “Sim isso é certo (suspensão da greve de fome), fica suspensa neste momento. Não comi nada, mas já está suspensa. Esse foi o meu compromisso com o senhor ministro”, frisou.

 Manifestando sentir-se debilitado pelos três dias de greve de fome, explicou que a reunião com Juan Carlos Loyo decorreu num ambiente de respeito e de diálogo “muito proveitoso”.
 “Realmente não me maltrataram, foram muito respeitoso, não tenho a mínima queixa. O senhor ministro esteve um bom bocado aí falando comigo, estabelecendo um diálogo. E penso que foi muito proveitoso o diálogo”, frisou.
 Interrogado sobre as inva-sões de que foi alvo nos últimos quatro meses, explicou que “muita gente põe um boné vermelho (cor da revolução bolivariana) e sente-se com o direito de pisar os demais”, sublinhando, no entanto, ter recebido sinais de desaprovação das autoridades venezuelanas.
 “Eu não creio que o Governo (venezuelano) esteja de acordo com as invasões. Não está de acordo. O senhor ministro me expressou esse mesmo conceito”, disse.

 Por outro lado, explicou que “o senhor ministro já tinha al-guma informação importante, e decidiu anular a medida de resgate da terra”, tendo, no entanto, entregado “documentos que ficam para o estudo da condição (industrial) do terreno”.
 “Nessa zona, há umas obras importantes ferroviárias, se acaso posteriormente vier a ser afectado, se surgir eventualmente alguma medida de expropriação, será alvo de um processo legal”, concluiu.
 Francisco Alves esteve reunido, primeiro em privado com o ministro, e a seguir esteve noutra reunião na qual participaram representantes da Em-baixada de Portugal em Ca-racas e do Consulado Geral de Portugal em Valência.
 A revogação da confiscação das terras já foi activada.

* Imprensa destaca decisão do Governo venenzuelano  em relação  a propriedade deempresário português

 A imprensa da Venezuela destacou a decisão do Instituto Nacional de Terras (Inti) de suspender a conficação da propriedade de um empresário português, sublinhando o facto deste, em contrapartida ter suspendido a greve de fome que realizava por receio de perder o imóvel.
 “Inti revoga confiscação de terras de lusitano” diz o Últimas Notícias, o jornal de maior tiragem no país, explicando que “Francisco Alves suspendeu a greve de fome e destacou o diálogo proveitoso com as autoridades”, agradecendo também “o apoio e solidariedade de Lisboa e da comunidade lusa”.
 “Grevista conseguiu o seu objectivo” diz o El Nacional na capa, explicando que “Francisco Alves suspendeu a greve de fome, porque o Governo anulou a medida de expropriação”.

 Segundo aquele jornal, “houve mediação diplomática” no seu caso e o empresário espera continuar a trabalhar no país.
 Por outro lado, o diário El Uni-versal diz que o “empresário cessou greve de fome, após acordo com o Instituto Nacio-nal de Terras” e avança que “a propriedade de Francisco Alves não será expropriada”.
 Segundo o El Carabobeño, “o empresário venezuelano português, suspendeu a greve, após uma reunião com o Inti na qual se desfez a possibilidade de confiscar-lhe as suas terras no município de San Diego, do Estado de Carabobo”.

 Também na capa do diário El Nuevo País, avança que “Al-ves suspendeu greve de fome” e que “o Inti revogou medida contra si”.
 “Empresário português levanta greve de fome após reunião com as autoridades”, diz o El Expreso.