Portugal vai superar a crise de financiamento

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Portugal vai superar a crise de financiamento

O Presidente da República portuguesa assegurou na quarta-feira aos empresários indonésios que Portugal vai superar a crise de financiamento, sublinhando que o país dispõe de um “elevado grau de coesão política e social” à volta do programa de ajuda externa.

 “Portugal sempre superou com sucesso, e de forma mais célere do que o previsto, as suas crises de financiamento externo. Estou seguro que o conseguiremos fazer mais uma vez”, afirmou Cavaco Silva, no encerramento do primeiro Fórum Empresaral Portugal-Indonésia, integrado na visita de Estado que fez àquele território.
 Nesta ocasião, o Presidente da República destacou que a ‘troika’ composta pela Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu têm feito uma avaliação “muito positiva” da execução do programa de ajuda externa e destacou o que considera ser uma “considerável vantagem” de Portugal, “o elevado grau de coesão política e social”.
 Cavaco Silva, tal como tinha feito terça-feira no arranque da sua visita de Estado à Indonésia, apelou ao reforço do investimento indonésio em Portugal.
 “Gostaria, pois, de convocar os empresários indonésios a aprofundarem a avaliação de oportunidades de investimento em Portugal”, disse, lembrando que o país está integrado no grande bloco económico que é a União Europeia e que possui ligações na América, África e Ásia.
 O chefe de Estado português elogiou ainda o “extraordinário progresso” que tem vindo a ser conseguido na Indonésia, considerando que tal constitui uma oportunidade para o relacionamento bilateral entre os dois países.
 Um dos oradores no Fórum Empresarial foi Luciano Coe-lho da Silva, um português com negócios na Indonésia há mais de 30 anos na área da exploração petrolífera e financeira, que, em declarações aos jornalistas, não considerou difícil a entrada neste mercado para as empresas portuguesas.
 “É evidente que a Indonésia tem alguns aspectos culturais muito próprios que é preciso assimilar e gerir”, alertou, considerando essencial estabelecer “uma empatia” para fazer a ponte com os parceiros (uma palavra quase igual em ‘bahasa’ indonésio).
 Luciano Coelho da Silva teve uma ajuda preciosa: é casado com uma indonésia, Isti Dantun, e reconhece que isso “facilita muito”.
 “Não podemos recomendar isso a todos os portugueses que aqui vêm, mas não será difícil aos empresários casarem-se com parceiros de negócios”, considerou.
 Questionado que áreas de negócio podem ser mais fáceis para os portugueses entrarem neste mercado, Luciano Coelho da Silva apontou a das energias renováveis, sendo que a EDP foi uma das empresas integradas na comitiva empresarial do Presidente na visita à Indonésia.
 Já sobre a possibilidade de as empresas indonésias investirem em Portugal, o também cônsul honorário do Porto mostrou-se mais cauteloso.
 “Eu diria que o mercado indonésio é tão grande e com tanta oportunidade que, inicialmente, talvez não, mas com o tempo lá chegaremos”, afirmou.
 O Presidente da República disse que a sua visita de Estado à Indonésia abriu “uma nova página” no relacionamento bilateral, considerando que seria “um erro político e económico” se Portugal ignorasse uma das economias mais dinâmicas da Ásia.