Portugal vai crescer e nenhum factor político impedirá esse crescimento

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Portugal vai crescer e nenhum factor político impedirá esse crescimento

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, manifestou na terça-feira a certeza, perante empresários portugueses e mexicanos, de que Portugal vai crescer nos próximos anos e assegurou que nenhum factor político ou institucional impedirá esse crescimento.

 Salientando que "todas as análises de crise e todas as decisões sobre a crise passam pelo Presidente da República", o chefe de Estado assegurou que "não haverá razões institucionais que limitem a capacidade de crescimento".

 "Quando eu digo não haverá, não haverá", repetiu Marcelo Rebelo de Sousa, que falava na abertura do seminário empresarial "México e Portugal – uma viagem em comum", num hotel da capital mexicana.

 Sobre a actual situação portuguesa, o Presidente da Re-pública começou por afirmar que "Portugal vai crescer no futuro próximo".

 Depois, questionou se "haverá algum factor político ou institucional na vida portuguesa que instabilize a situação económica, impedindo o crescimento", e referiu que "aí, como compreendem, o Presidente da República tem uma autoridade peculiar".

 "E a posição do Presidente da República é a mesma desde o início do mandato: não há razões políticas, por fortes que sejam, que justifiquem a criação de instabilidade num processo tão sensível como é o financeiro, o bancário, e o do crescimento económico português. E, portanto, não haverá. Quando eu digo não haverá, não haverá", acrescentou.

 Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, também no plano europeu "não haverá nos próximos anos" nenhum "problema que limite o crescimento económico português".

 Relativamente ao controlo do défice, apresentou-o como "um consenso nacional" em Portugal.

 "Longe vai o tempo em que se dizia que mais depressa os alemães se preocupavam com o défice do que os portugueses. Hoje os portugueses preocupam-se com o défice como uma realidade es-sencial para o crescimento da sua economia", disse.

 Quanto ao sistema bancário, declarou que está "em consolidação", acrescentando: "Essa consolidação do sistema, a abertura ao exterior, a diversificação de formas de financiamento criam condições para crescimento económico".

 "Portugal, com bom senso, pode e vai crescer economicamente nos próximos anos", reiterou.

 O chefe de Estado salientou que "o comissário europeu Moscovici reconheceu para este ano um crescimento não inferior a 2,5%".

 "Há condições para crescer. E os empresários aqui presentem sabem-no, porque Portugal cresce pelas vossas mãos, pelo vosso investimento, pelas vossas exportações. E crescendo o investimento, e crescendo as exportações, com um modelo virtuoso de crescimento, haverá crescimento económico e haverá emprego", reforçou.

 O ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, acompanhou Marcelo Rebelou de Sousa na sua visita de Estado ao México e estava previsto

que discursasse antes do chefe de Estado neste seminário empresarial.

 Contudo, mal se iniciaram os trabalhos foi anunciada a intervenção do Presidente da República, e o ministro acabou por não discursar na sessão de abertura.

 Na sua intervenção, o chefe de Estado expressou confiança na estabilidade institucional do México e no crescimento da economia mexicana, e considerou que as relações bilaterais vivem "um momento

histórico".

 A nível global, defendeu que "não há que temer protecionismo comercial", porque "na hora da verdade vai ser tímido".

 "É imparável o processo para a abertura do comércio, para a abertura do investimento. A economia mundial está a crescer e vai crescer nos próximos anos", sustentou.

 

* Marcelo termina visita em tom optimista,  afastando

Instabilidade  em Portugal

 

 O Presidente da República terminou a sua visita ao México em tom optimista quanto às relações bilaterais, declarando que foram encontradas "vias de saída" para vários projectos, e quanto à situação nacional, afastando instabilidade política.

 Marcelo Rebelo de Sousa fez um balanço desta visita de Estado, que durou menos de 48 horas, no Museu Frida Kahlo, onde nasceu, morreu e

viveu a pintora mexicana, antes de seguir para o Aeroporto

Internacional da Cidade do México. "Correu muito, muito, muito bem", declarou aos jornalistas.

 Reiterando a mensagem que deixou num fórum empresarial, o chefe de Estado sustentou que "o crescimento em Portugal tem todas as condições para ser também francamente bom nos próximos anos" e deu como certo que "não haverá nenhuma instabilidade política que crie obstáculos a esse crescimento".

 "Era isso que os empresários queriam ouvir do Presidente da República", considerou.

 Quanto às relações bilaterais, Marcelo Rebelo de Sousa disse que nestes dois dias foi possível o "desbloqueamento de questões relacionadas com mexicanos em Portugal, portugueses no México, projectos, intervenções de um lado e de outro".

 Sem nunca dar qualquer exemplo concreto, o Presidente da República voltou a antecipar, "nos próximos tempos, a inauguração de muitos novos projectos" e "a conclusão de outros para o ano que vem e para 2019".

 Questionado se ficaram saradas "as feridas" deixadas pela reversão da concessão de transportes públicos de Portugal a mexicanos, às quais se tinha referido na antevisão desta visita, respondeu que foram encontradas "vias de saída" para "todos os casos".

 Contudo, também não especificou que soluções foram encontradas, nem que casos foram tratados.

 "Foi possível encontrar em todos os casos, quer de empresários mexicanos em Portugal, quer de projectos que estavam dependurados por uma questão administrativa de portugueses aqui, vias de saída. Portanto, essas vias de saída agora vão ser concretizadas nos próximos dias, nas próximas semanas, e isso foi muito positivo", disse.

 No final da visita ao Museu Frida Kahlo, que os jornalistas não puderam acompanhar, por restrições impostas pelo museu, Marcelo Rebelo de Sousa fez um balaço "muito positivo" da sua deslocação ao México.

 "Foi uma visita muito curta, mas muito intensa. Muito bom

relacionamento entre empresários. Muita empatia com o Presidente da República [dos Estados Unidos Mexicanos, Enrique Peña Nieto]", descreveu.

 O Presidente da República qualificou o relacionamento bilateral com o México como " um caso único na América Latina" em termos económicos e financeiros.

 No plano cultural, adiantou que durante esta visita se falou na possibilidade de se realizar "uma exposição próxima, no ano que vem, sobre Frida Kahlo em Lisboa – outra vez, já houve uma há uns anos".

 Sobre questões nacionais como o caso do roubo de material militar em Tancos e os incêndios, escusou-se a falar, remetendo declarações para quando estiver em Portugal.