Portugal sem Ronaldo não conseguiu utrapassar a “muralha” da Grécia

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Portugal sem Ronaldo não conseguiu utrapassar a “muralha” da Grécia

A Selecção portuguesa de futebol, "órfã" de Cristiano Ronaldo, despediu-se no sábado dos adeptos com um decepcionante “nulo” frente a uma Grécia de má memória, no último jogo antes do estágio nos Estados Unidos e da participação no Mundial2014.

 Privado do melhor futebolista mundial de 2013 e sua principal referência atacante, a equipa das “quinas” nunca pareceu capaz de marcar ao adversário que lhe infligiu a derrota mais traumática da sua história, ao impor-se na final do Euro2004, em pleno Estádio da Luz.

Actuando durante a maior parte do tempo com sistema táctico ao qual está pouco ha-bituada (4-4-2), a Selecção Nacional só poderia ter chegado ao golo num golpe de sorte e foi quase isso que aconteceu em cima do apito final, quando o cruzamento de André Almeida acertou, involuntariamente, na barra da baliza visitante.

 O confronto entre treinadores portugueses terminou com um empate entre Paulo Bento e Fernando Santos, selecionador da Grécia, que Portugal não vence há mais de 18 anos e hoje se mostrou sempre mais interessada em terminar o jogo com o mesmo resultado com que o começou, apesar de um ligeiro assomo perto do fim.

 O seleccionador nacional tinha advertido na sexta-feira que não estava disposto a correr riscos no processo de recuperação de Cristiano Ronaldo e o "capitão" da Seleção Nacional, que ainda não treinou no estágio para o Mundial2014 devido a dores musculares na coxa esquerda, nem sequer constou da ficha do jogo.

 Não foi só a utilização de Cristiano Ronaldo que Paulo Bento não arriscou: Pepe, Fábio Coentrão, Raul Meireles e João Moutinho, titulares indiscutíveis da equipa lusa, foram todos poupados, o que valeu um lugar no "onze" a Ricardo Costa, André Almeida, William Carvalho – o candidato mais elegível -, Varela e Éder.

 O resultado prático de tantas alterações foi aquele que o treinador tinha antecipado na véspera, em conferência de imprensa, com a selecção portuguesa, que joga invaria-velmente num sistema tático 4-3-3, a alinhar de início num pouco habitual 4-4-2, com Hélder Postiga e Éder como jogadores mais adiantados.

 Éder demorou pouco mais de um minuto a dar nota das intenções de Portugal, com um desvio de cabeça que deveria ter colocado Karnezis em maiores dificuldades, mas o guarda-redes grego teve mais trabalho pouco depois para suster os remates de Bruno Alves e Ricardo Costa, na sequência de dois pontapés de canto.

 Qualquer "gás" que a equipa lusa tivesse pareceu esgotado nos cinco minutos iniciais, pois até ao intervalo – e apesar de procurar com mais insistência a baliza do que o adversário o melhor que conseguiu foram dois ou três remates de longe e para longe.

 A estratégia de dois avançados no centro do terreno não produziu grandes resultados durante a primeira parte, mas Paulo Bento preferiu apenas mudar um dos intérpretes, colocando Hugo Almeida no lugar de Hélder Postiga, e logo no recomeço o ponta-de-lança do Besiktas chegou ligeiramente atrasado a um bom cruzamento de Nani.

 A equipa das “quinas” continuava sem saber muito bem o que fazer com a bola sempre que a tinha na sua posse e o seleccionador nacional decidiu-se pelo regresso às origens a 25 minutos do fim, trocando Éder por Rúben Amo-rim e passando a jogar com um trio de avançados, composto Varela (depois Vieirinha), Nani e Hugo Almeida.

 Nani testou pouco depois a atenção de Karnezis, mas foi a Grécia que esteve mais perto de colorir o marcador perto do fim, na sequência de uma saída em falso de Beto (que tinha substituído Eduardo após o intervalo) e depois após uma perda de bola de André Almeida, tendo Beto defendido a muito custo o re-mate de Fetfatzidis.

 A Selecção portuguesa não conseguiu voltar a ser feliz no Estádio Nacional, 10 anos depois do último encontro no Jamor, em 2003 (vitória por 4-0 sobre a Bolívia), antes de partir para os Estados Unidos, onde realizará mais dois jogos particulares, com o México, a 6 de Junho, em Boston, e a República da Irlanda, a 10, em New Jersey.

 Portugal integra o grupo G do Mundial2014, por muitos considerado o “Grupo da Morte” em conjunto com a Alemanha, frente à qual se vai estrear, a 16 de Junho, em Salvador, os Estados Unidos, que defrontará a 22, em Manaus, e o Gana, último adversário na primeira fase de prova, a 26, em Brasília.