Portugal sem nenhum navio patrulha operacional

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Portugal sem nenhum navio patrulha operacional

Os três últimos navios patrulha da classe Cacine, com mais de 40 anos de operação e responsáveis pela fiscalização costeira e ribeirinha estão todos parados, disse fonte próxima da Marinha.

 O Navio da República Portuguesa (NRP) Zaire encontra-se em terra há vários meses para avaliação e não deverá ser recuperado devido ao seu avançado estado de degradação. Outro NRP, o Cacine, está a ser alvo de manutenção periódica até meados de setembro e o NRP Cuanza, que operava na Madeira, está atracado na Base Naval do Alfeite, desde Julho, e aí ficará pelo menos até final do ano.
 Devido a esta situação, a Zona Marítima do Norte (ZMN) está sem patrulhamento permanente desde julho, e assim ficará até ao final do ano, confirmou fonte oficial da Marinha.
 A ZMN vai desde a fronteira com Espanha até Pedrógão, entre a Figueira da Foz e a Nazaré.
 A falta dos navios patrulha, também obrigou a Armada a destacar para a Zona Marítima da Madeira (ZMM) o navio balizador “Schultz Xavier”. Uma situação também reportada na edição de 21 de Julho do jornal da Madeira que dava conta dos problemas estruturais do NRP Cuanza, quando o meio naval operava na Zona Marítima daquela região autónoma.
 Dos dez navios patrulha iniciais da classe Cacine restam apenas três, todos com mais de 40 anos de operação.
 A Marinha não confirma, mas fonte próxima do ramo militar adiantou que, neste momento, Portugal não tem nenhum destes navios patrulha operacional.
 Numa resposta escrita a Marinha esclarece apenas a situação do NRP Cuanza.
 “Procedeu-se à identificação exaustiva do seu grau de deterioração estrutural, e neste momento decorre a definição dos trabalhos a realizar de modo a repor a sua operacionalidade. Enquanto tal não acontecer, a Zona Marítima do Norte não será guarnecida de meio naval a título permanente”.
 A Armada adianta que, “em compensação, será feito um ajustamento ao dispositivo naval do continente, reposicionando mais a norte a uni-dade naval que assegura as tarefas de salvaguarda da vida humana no mar, de segurança marítima e de vigilância e fiscalização na área oceânica do continente, e pela ativação da atribuição de uma lancha de fiscalização rápida à Zona Marítima do Centro”.
 Apesar destas alternativas, a Marinha admite que a situação dos navios patrulha é “preocupante”.
 “Deve-se principalmente ao atraso nos programas de novas construções a cargo dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, destinadas a substituir os actuais navios, nomeadamente os programas de construção dos Navios-Patrulha Oceânicos e das Lanchas de Fiscalização”.
 Os três últimos navios patrulha da classe Cacine – num total de dez – têm sido mantidos, segundo a Marinha, “graças a um esforço financeiro, humano e material pela imperiosa necessidade de assegurar as tarefas de segurança marítima, de salvaguarda da vida humana no mar e de vigilância e fiscalização”.
 A Armada acrescenta ainda que os três meios navais “estão a ser avaliados no que diz respeito à possibilidade de prolongar a sua vida”.
 Para a Marinha, a busca e salvamento marítimo não estão, neste momento, em causa.
 “Existem duas áreas principais sob responsabilidade nacional, que são guarnecidas a tempo inteiro por navios oceânicos (corvetas): um está na área do Continente e Madeira e outro na área dos Açores. Há ainda navios de menor porte atribuídos às zonas e departamentos marítimos que complementam este dispositivo, pelo que não está em causa o cumprimento a nossa missão prioritária”.