Portugal precisava de 3,25 biliões de euros e os mercados prontificavam-se a emprestar 11 biliões

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É assim quando o pagador é bom: Portugal precisava de 3,25 biliões de euros e os mercados prontificavam-se a emprestar 11 biliões
Portugal vai pagar uma taxa de juro de 4,657% pelos 3,25 biliões de euros em dívida a cinco anos colocados na operação de quinta-feira, disse à Lusa uma fonte envolvida na operação.

 A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP, que gere a dívida pública portuguesa, fez a distribuição da dívida pelas ofertas que recebeu e fechou a taxa de juro nos 4,657%.
 A procura foi de cerca de 11 biliões de euros para os 3,25 biliões de euros, cerca de 3,3 vezes a oferta.
 A dívida foi colocada na linha de Obrigações do Tesouro que vence em junho de 2019,  numa operação liderada pelo sindicato bancário composto pelo Barclays, Caixa BI, Goldman Sachs, HSBC, Morgan Stanley e Société Generale.
 A taxa de juro fixada inicialmente estava nos 340 pontos base, mas foi reduzida ao longo da manhã para os 330 pontos base acima da taxa base do mercado para a dívida a cinco anos.

* Sucesso da emissão de dívida “passo importante” para Portugal – diz Comissão Europeia
           
 A Comissão Europeia considera que o sucesso da emissão de dívida a cinco anos realizada na quinta-feira representa o aumento de confiança na economia portuguesa e constitui “um passo importante” para o “regresso sustentável aos mercados”.
 “Num contexto de uma melhoria generalizada nos mercados de dívida da zona euro, (a emissão de dívida) é um sinal da crescente confiança dos investidores na economia portuguesa e reflecte os efeitos positivos da contínua implementação rigorosa do programa” de ajustamento, declarou o porta-voz dos Assuntos Económicos do executivo comunitário, Simon O’ Connor.
 O primeiro-ministro Passos Coelho classificou a colocação de dívida portuguesa como um bom começo de ano para o regresso ao mercado, salientando que foi conseguida uma taxa de juro inferior à última emissão comparável.
 
 “O regresso a mercado não se faz com uma única emissão e terá de ser um processo progressivo, mas começámos bem, o que é importante. Foi uma emissão bastante bem sucedida.
como já anteontem o tinha sido a emissão realizada pela Irlanda e conseguimos uma taxa de juro inferior à da última emissão comparável”, comentou. 
 Passos Coelho defendeu que “Portugal deverá agora continuar a aproveitar as oportunidades para provar que consegue fechar o seu programa de assistência económica e financeira com o regresso a mercado e fazê-lo de modo cumpridor”.
 
 O primeiro-ministro salientou também que o “sucesso” da emissão de dívida se deve ao trabalho realizado na sua preparação: “Tínhamos preparado uma emissão para poder, no início deste ano, reconstruir o nosso acesso a mercado. Não é um caminho que se tenha iniciado agora. Houve um trabalho ao longo do último ano e meio que nos permitiu chegar aqui”.
 
A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP anunciou que foram colocados 3,25 mil milhões de euros para a linha de Obrigações do Tesouro que vence em Junho de 2019, numa operação liderada pelo sindicato bancário composto pelo Barclays, Caixa BI, Goldman Sachs, HSBC, Morgan Stanley e Société Generale.
 O negócio fez-se com uma taxa de 330 pontos base aci-ma da taxa base do mercado para a dívida a cinco anos.
 O IGCP não adiantou, no entanto, o valor da procura pela operação, que segundo fontes envolvidas na operação disseram à Lusa terá chegado aos 11 mil milhões de euros.

* Passos Coelho apela a entendimento entre partidos no pós-troika

 O líder do PSD apelou em Torres Vedras a um entendimento entre os partidos no controlo da despesa no fim do programa de ajustamento financeiro, para que o país não volte a pedir ajuda externa no futuro.
 “Espero que a possibilidade, que está ao nosso alcance de fechar este programa de emergência e de assistência económica e financeira, nos dê a faculdade de, no médio e longo prazo, traçarmos uma estratégia que possa ser comum às principais forças políticas”, afirmou Pedro Passos Coelho.
 O primeiro-ministro, que falava enquanto líder do PSD no encerramento das comemorações dos 30 anos dos Trabalhadores Sociais-Democratas (TSD), concretizou que “é necessário um compromisso que represente um teto de despesa discricionária que não onere as gerações futuras nem os impostos dos portugueses”.
 
 “Todos os partidos sairão a ganhar, porque todos darão aos portugueses a certeza de que todos não iremos viver tempos de desequilíbrio orçamental que tenham de conduzir a um resgate externo”, sublinhou.
 Pedro Passos Coelho comparou a actual crise com a de 1983-1985, altura em que os TSD tinham acabado de se constituir, para lembrar que “o ajustamento teve desta vez um impacto bem mais grave nos rendimentos das famílias do que há 30 anos”, apesar de o pedido de ajuda ter passado do equivalente a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) para, desta vez, quase 45%.
“Não teria sido possível vencer esta crise sem fazer um ajustamento que afetasse os rendimentos”, afirmou Passos Coelho para logo acrescentar que “não se pode deitar fora os sacrifícios que as pessoas estiveram disponíveis para fazer”, enfatizando assim o apelo às forças políticas.
 Para o primeiro-ministro, os números começam a demonstrar “aos poucos que os sacrifícios feitos vão produzindo os seus frutos e as reformas efectuadas posicionam Portugal num patamar mais competitivo” do que há 30 anos.
 
 Pedro Passos Coelho exemplificou com o aumento das exportações, da procura interna e do “volume de emprego” que, reconheceu, “não é ainda o que necessitamos para reabsorver o desemprego que foi gerado pela crise ao longo dos últimos anos”.
 Apontando para o futuro, o líder social-democrata frisou que é necessário combater o défice de qualificações, capaz de dotar as empresas de quadros com maior capacidade de inovação e de investigação, e atrair capital externo para tornar a economia mais sustentável.