“Portugal orgulha-se do legado que as Academias do Bacalhau representam”

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Por motivos de agenda, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, não pode estar presente no jantar de gala do 48.º Congresso Mundial das Academias do Bacalhau, realizado a 19 de Outubro na Cidade do Porto, mas enviou uma mensagem na qual salienta que “Portugal orgulha-se do legado que representam” e na qual volta a citar “o desafio de criar uma plena consciência nacional em torno da nossa Diáspora”.

 Dirigindo-se aos compatriotas congressistas, Marcelo começa por afirmar que “não é todos os dias que se reúnem sob o mesmo teto portugueses de tão diferentes e longínquas latitudes, celebrando em conjunto a amizade, a solidariedade e a portugalidade. Permitam-me, por isso, que comece por dirigir uma palavra ao incansável César Gomes de Pina, Presidente Honorário da Academia do Bacalhau do Porto, organizador deste Congresso Mundial, agradecendo o convite. Não podendo estar fisicamente presente e convosco partilhando do espírito que anima as Academias do Bacalhau em todo o mundo, quero deixar-Vos três breves palavras.

 A primeira, de gratidão, tendo em mente o caminho de cinco décadas percorrido pelas 61 Academias do Bacalhau, congregando milhares de portugueses em todo o mundo.

 Está em Vós o exemplo da nossa vocação histórica, a vocação portuguesa de se constituir plataforma entre culturas, civilizações, continentes e oceanos. Independentemente do espaço onde nos encontramos, essa é a nossa dimensão no mundo, ecuménica e universal. Uma dimensão que nos caracteriza enquanto povo, enquanto comunidade, enquanto seres individuais. Uma dimensão presente em cada um de Vós e em cada uma das Academias do Bacalhau. Portugal orgulha-se do legado que representam”.

 Tal como referi no meu mais recente Editorial que este Congresso seria a refirmação de vitalidade do espírito que esteve na fundação deste movimento, também Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou a importância de celebrar essa vitalidade.

 E fê-lo desta forma:

 “Uma segunda palavra de estímulo à rede que as Academias do Bacalhau representa. Antes de mais uma rede de Portugalidade, uma rede que ajuda a compreender a força do associativismo na Diáspora.A nossa singularidade enquanto seres individuais será sempre valorizada pela presença do outro. Unidos por vontades comuns, valores comuns, profissões comuns, ambições comuns, seremos sempre mais fortes, singular e coletivamente. Enquanto pessoas e enquanto comunidades. É importante sublinhar a importância, e celebrar a vitalidade destas redes que unem portugueses. As redes da Diáspora, esta noite em particular as Academias do Bacalhau, são fundamentais na nossa afirmação e integração junto das comunidades que nos acolhem”.

 E o Presidente da República termina a sua mensagem ao Congresso das Academias do Bacalhau com o seguinte desafio: “Finalmente, uma palavra de desafio. Um desafio feito em dois sentidos, porque envolve todos os portugueses, aqueles que vivem dentro das nossas fronteiras físicas e aqueles que se encontram espalhados pelo mundo. O Cardeal D. Tolentino Mendonça que, como sabem, será Presidente da Comissão Organizadora do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas no próximo ano, diz da nossa Diáspora, que ela nos obriga a ir mais longe e a olhar para os emigrantes não apenas como embaixadores da cultura portuguesa, mas como coprotagonistas, que nos revelam de Portugal não apenas aquilo que já sabemos. Uma ideia que cito, porque encerra o desafio de que Vos falo. O desafio de criar uma plena consciência nacional em torno da nossa Diáspora. Do valor dos nossos compatriotas que, como muitos de Vós, vivem e trabalham fora de Portugal. Só assim conseguiremos ter a verdadeira noção do país que somos. Da verdadeira dimensão do ser português”.