Portugal oferece 1,9 milhões de euros para esforço de reconstrução de Moçambique

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Projectos de cinco organizações não-governamentais portuguesas vão participar no esforço de reconstrução de Moçambique, após a passagem dos furacões Idai e Kenneth, num investimento de 1,9 milhões de euros, anunciou o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal Augusto Santos e Silva.
“Os cinco projectos que foram aprovados mobilizarão 1,950 milhões de euros”, disse Augusto Santos Silva, explicando que os projectos resultam de candidaturas aprovadas no âmbito do Fundo de Apoio à Reconstrução e Desenvolvimento de Moçambique.
O fundo, criado pelo Governo português na sequência dos ciclones Idai e Kenneth, que em 2019 atingiram o centro de Moçambique e a região da Beira, junta fundos públicos, de câmaras municipais, associações, fundações e empresas.
Educação, saúde e a segurança alimentar são as principais áreas a que se destinam os projectos, que serão implementados pelas organizações Apoiar, Fundação Fé e Cooperação (FEC), Health 4 Moz, Helpo e Oikos.
Augusto Santos Silva sublinhou a qualidade das propostas apresentadas e enalteceu o número de candidaturas apresentadas ao abrigo do referido fundo.
“Ficaremos muito melhor sabendo que as comunidades rurais beneficiarão de uma intervenção para melhorar os seus níveis de nutrição, higiene e saneamento público em Sofala e no Dondo. Ficaremos mais contentes com o facto de podermos apoiar a reabilitação de instalações e espaços educativos em Sofala e na cidade da Beira”, disse Santos Silva.
O chefe da diplomacia destacou o facto de ser possível também dar continuidade ao projecto de reconstrução e reforço das capacidades do Hospital da Beira, bem como concretizar na região do Dombe um projecto de reconstrução das infraestruturas de saúde.
Haverá ainda em Sofala e Cabo Delgado um projecto para a reconstrução do sector agrícola, acrescentou Santos Silva.
“Tudo isto é um pequeno passo […] e permite dar o nosso pequeno contributo a uma coisa tão simples que se chama paz”, disse Santos Silva.
Durante a sua intervenção no evento, que teve como orador convidado o cardeal Tolentino de Mendonça, Santos Silva sublinhou repetidamente a importância da cooperação para o desenvolvimento como instrumento para a paz.
“Quem faz cooperação não faz a guerra, pelo contrário contribui para a paz”, disse, apontando o significado especial dessa afirmação no actual contexto de escalada de tensão no Médio Oriente.
“Isto tem um significado particular porque todas as linhas e os instrumentos de política externa dos países membros da União Europeia estão hoje a ser mobilizados para ver se evitamos uma guerra e resolvemos os gravíssimos problemas de estabilidade e segurança que existem na nossa vizinhança próxima e que nos atingem diretamente”, disse.
Por seu lado, o cardeal Tolen-tino de Mendonça centrou a intervenção no debate em torno de uma cultura para a paz, abordando também a presença deste tema no pensamento do Papa Francisco.
Os ciclones Idai e Kenneth, que atingiram Moçambique em Março e Abril de 2019, mataram quase 700 pessoas e destruindo muitas das principais infraestruturas nas regiões afetadas.
As estimativas oficiais apontam para que 2,2 milhões de pessoas tenham sido afectadas.
Ajuda de emergência está a ser prestada pela comunidade internacional, mas as Nações Unidas fizeram há dois meses um apelo adicional de 362,8 milhões de euros.
Doenças e insegurança alimentar estão entre os principais riscos a cobrir.
As obras de reconstrução de-verão avançar ao longo dos próximos dois anos, depois de vários doadores (países e organizações) terem prometido 1,2 biliões de dólares (1,09 biliões de euros).