Portugal está a recuperar a confiança dos investidores

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Portugal está a recuperar a confiança dos investidores

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, manifestou-se na quinta-feira “muito satisfeito” pela colocação de 750 milhões de euros de dívida pública a dez anos, demonstrativo que Portugal “está a recuperar a confiança” dos investidores.

 “Portugal, hoje em dia, pode escolher a forma como vai sair do programa [de ajustamento], quando aqui há algum tempo não podia escolher. 

 Quando pediu a ajuda dos seus parceiros europeus porque estava à beira da insolvência, Portugal não tinha autonomia, não podia escolher, agora pode escolher”, disse Durão Barroso.

 Em declarações aos jornalistas em Cantanhede, à margem da inauguração do UC Biotech, edifício que alberga investigadores na área da bio-tecnologia, o presidente da CE frisou que a recuperação do País “deve-se, sobretudo, aos grandes sacrifícios feitos pelos portugueses”, que, alegou, contribuíram para que Portugal seja visto no exterior como um país “capaz de controlar a despesa, que é capaz de pôr ordem nas suas finanças públicas”.

 Portugal colocou quarta-feira 750 milhões de euros de dívida pública a dez anos a uma taxa média de 3,5752%, naquele que foi o primeiro leilão de dívida sem recurso a sindicato bancário desde 2011.

 Na visita ao concelho de Cantanhede, Durão Barroso expressou “grande admiração” pelo projecto do UC Biotech – investimento de 12,5 milhões de euros que vai albergar 15 grupos de investigação – e do parque de biotecnologia Bio-cant Park, considerando-o um “excelente exemplo” da junção de fundos europeus à iniciativa das universidades de Coimbra e Aveiro e da autarquia local.

 “O futuro da Europa e o futuro

de Portugal vai passar, em larga medida, pela ciência. É a ciência que vai trazer um valor à nossa economia que, de outro modo, não podemos realizar se quisermos competir à escala global”, frisou Durão Barroso.

 Lembrou, a esse propósito, recomendações da Comissão Europeia aos estados-membros de que a consolidação orçamental “deve procurar salvaguardar o investimento em ciência e educação”.

 “Não se deve cortar naquilo que são fontes de crescimento futuro”, advogou o presidente da CE.

 Na ocasião, Durão Barroso, que termina o mandato na Comissão Europeia em Outubro, reafirmou que não será candidato à Presidência da República.

 “Já disse e repito, não sou candidato à Presidência da República. Depois de 30 anos de muita intensa atividade política, estes dez anos na Comissão Europeia, cerca de 12 anos no Governo portu-guês, alguns anos como líder da oposição, acho que preciso de algum tempo para mim próprio, para fazer coisas de que gosto muito”, afirmou.

 

* FEEF aprova  desembolso da última tranche do empréstimo a Portugal

 

 A Direcção do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) aprovou o desembolso da última ‘tranche’ do empréstimo a Portugal, de 1,2 mil milhões de euros, saudando o caminho percorrido, mas advertindo que o processo de reformas não terminou.

 A decisão do Conselho de Directores do FEEF, adoptada numa reunião no Luxemburgo, e ainda na sequência da 11.ª revisão do programa de ajustamento macroeconómico, representa o final da assistência financeira deste mecanismo a Portugal, iniciada em junho de 2011, e que ascendeu no total a 26 biliões de euros, tal como ficara estabelecido na reunião de ministros das Finanças da UE de maio de 2011, quando foi acordado o “resgate” a Portugal.

 Por ocasião da aprovação do “último desembolso do FEEF a Portugal”, o diretor-executivo do Fundo, Klaus Regling, afirmou-se “muito satisfeito por ver os progressos do país sob o programa de assistência financeira”, sustentando que os empréstimos concedidos pelos parceiros europeus e FMI “permitiram a Portugal suavizar o ajustamento, a financiar o seu orçamento e recapitalizar o seu setor bancário, permanecendo na zona euro”.

 “Há três anos, Portugal perdera o acesso aos mercados. Após um ajustamento económico doloroso mas necessário, o país está agora a começar a ver benefícios, à medida que os desequilíbrios estão a ser corrigidos e a credibilidade reconquistada”, disse.

 Regling advertiu, no entanto, que “o final do programa – a 17 de maio próximo – não é o fim do processo de reformas”.

 “Muitos desafios subsistem. Mas os passos bem-sucedidos rumo ao acesso total aos mercados e a determinação das autoridades colocaram Portugal numa boa posição para os enfrentar”, acrescentou o responsável alemão, que é também o diretorexecutivo do novo fundo permanente, o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE).

 Do pacote total de ajuda ex-terna a Portugal, no montante global de 78 mil milhões de euros, um terço é concedido pela UE ao abrigo do Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira, o MEEF, outro tanto através do Fundo Europeu de Estabilização Financeira, o FEEF (26 mil milhões cada), e a terceira fatia, de idêntico valor, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

 Por ocasião da criação do MEE, ficou estabelecido que o FEEF continuaria operacional para terminar o financiamento dos programas de assistência a Grécia, Portugal e Irlanda.

 Depois de a Irlanda ter concluído o seu programa em dezembro último, e com o final da assistência a Portugal, no próximo mês, o Fundo continuará assim apenas operacional até terminar a assistência à Grécia.

           

* OE2014: Défice de 825 ME até março fica abaixo da meta trimestral do resgate

 

 O défice das administrações públicas foi de 825 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, de acordo com o Governo, o que significa que foi cumprido o limite trimestral para o défice orçamental definido no programa de resgate.

 Entre Janeiro e Março de 2014, Portugal cumpriu o limite para o défice orçamental estabelecido no Programa de Ajustamento Económico e Financeiro (PAEF), de acordo com um comunicado do Mi-nistério das Finanças, que cita números da síntese da execução orçamental de março, que será ainda hoje publicada pela Direção-Geral do Orçamento (DGO).

 Até março, o défice provisório das administrações públicas atingiu os 825 milhões de euros, o que significa que ficou “845 milhões de euros abaixo do limite”, um resultado que representa “uma melhoria de cerca de 525 milhões de euros face a igual período de 2013”, segundo o comunicado da tutela.