Portugal espera que Governo de Boris Johnson chegue a acordo com a União Europeia

0
35

 O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou na quarta-feira que Portugal espera que o Govermo britânico chefiado por Boris Johnson “corra bem” e chegue a acordo com a União Europeia (UE) quanto ao ‘Brexit’.

 “Aquilo que nós desejamos em relação ao Reino Unido, que no fundo é o nosso aliado mais antigo, um aliado com muitos séculos, é que tenha a maior das felicidades. Desejamos que seja possível um entendimento entre o Reino Unido e a UE”, afirmou o chefe de Estado aos jornalistas, na Casa do Alentejo, em Lisboa.

 Marcelo Rebelo de Sousa começou por ressalvar que “normalmente o Presidente da República formula os seus votos relativamente a chefes de Estado e compete ao Governo naturalmente formular votos em relação aos governos”.

 “Mas aquilo que eu posso desejar é que corra bem a missão do Governo britânico, como já formulava no ano passado, no sentido de ser possível um entendimento entre o Reino Unido e a UE”, acrescentou.

 O Presidente da República defendeu que “Portugal em si mesmo tem feito o seu trabalho de casa”, na sequência da decisão tomada em referendo de saída do Reino Unido da UE.

 “Isto é, Portugal tem preparado todos os cenários, através de um diálogo que nunca deixou de ter no quadro europeu, mas um diálogo bilateral in-tenso e construtivo com o Reino Unido e com o seu Governo para resolver os problemas

de que eu tenho falado e o Governo tem falado, que são os problemas dos portugueses no Reino Unido e dos britânicos em Portugal”, referiu.

 O novo líder dos conservadores britânicos, Boris Johnson, foi na quarta-feira indigitado primeiro-ministro pela Rainha Isabel II, na sequência da demissão formal de Theresa May devido à dificuldade em implementar o ‘Brexit’.

 O chefe de Estado, que falava à saída da apresentação de um livro que reúne os dois discursos do jornalista João Miguel Tavares nas comemorações deste ano do Dia de Portugal, foi também questionado sobre a greve dos motoristas de mercadorias marcada para a partir de 12 de Agosto, mas recusou falar deste tema.

 “Eu nunca tenho comentado processos laborais específicos. Isso tem acontecido em circunstâncias muito variadas, quer na função pública, quer no sector privado, e em sectores vitais da função pública e em setores vitais da economia privada. Portanto, não vou abrir uma excepção”, respondeu.

 Perante a insistência da comunicação social, Marcelo Rebelo de Sousa mencionou que deverá ter férias “algures em meados de agosto, se for possível”, acrescentando: “Mas isso não vai interferir na minha decisão de, como Presidente da República, não dar opinião, não formular juízos sobre um processo laboral concreto”.

 

* Brexit: Carlos Moedas diz que “bola está nas mãos”  do Reino Unido

 

 O comissário europeu Carlos Moedas considerou que, no que refere ao ‘Brexit’, “a bola está nas mãos do Reino Unido”, sendo que a “boa vontade” de Bruxelas tem sido “pedra de toque” em todo o processo.

 “Fizémos tudo aquilo que estava nas nossas mãos. A Europa provou que era capaz de estar unida naquilo que foi o acordo de saída para o Rei-no Unido. A bola está nas mãos do Reino Unido, e estas notícias de um novo líder do Partido Conservador e portanto novo primeiro-ministro [britânico] são boas notícias para chegarmos a bom porto. Já não temos muito tempo”, considerou o comissário português.

 Carlos Moedas falava em Ponta Delgada, nos Açores, após um encontro com o chefe do Governo Regional, Vasco Cordeiro, e comentava a indicação de Boris Johnson como novo primeiro-ministro britânico.

 Sustentando que a Comissão Europeia está numa “fase de transição”, Moedas sublinhou que a “boa vontade” europeu tem sido “pedra de toque” no ‘Brexit’ e reiterou que o “grande perigo” que existe é um eventual não acordo para a saída britânica da União.

 O novo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, mostrou-se convicto de que será possível negociar um “novo acordo, um acordo melhor” para o ‘Brexit’, num discurso feito após a indigitação pela rainha Isabel II.

 O acordo, disse, “vai maximizar as oportunidades do ‘Brexit'”, ao mesmo tempo que “vai permitir desenvolver uma nova e excitante parceria com o resto da Europa, baseada no livre comércio e no apoio mútuo”.

 Numas palavras de homenagem à resiliência e paciência da antecessora Theresa May, criticou os pessimistas, dentro e fora do país, que pensam que, “após três anos de indecisão” o país “se tornou prisioneiro” e que é incapaz de sair da União Europeia.

 “Vamos restaurar a confiança na nossa democracia e vamos cumprir as promessas repetidas do Parlamento às pessoas e sair da União Europeia a 31 de Outubro, sem mas nem meio mas”, vincou.

 O líder do partido Conservador, Boris Johnson, foi indigitado primeiro-ministro britânica pela rainha Isabel II, na sequência da demissão formal de Theresa May devido à dificuldade em aplicar o ‘Brexit’.

 Boris Johnson, o 14.º primeiro-ministro do reinado de Isabel II, foi empossado numa audiência no palácio de Buckingham.