Portugal e Venezuela assinam dezoito acordos de cooperação bilateral no valor de 1.700 milhões euros

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Portugal e Venezuela

Portugal e VenezuelaPortugal e a Venezuela assinaram no sábado, em Caracas, 18 documentos de cooperação bilateral em áreas como a construção de habitações, comunicações, energia, alimentação e informática.

 Estes instrumentos de cooperação vão desde acordos, a atas de compromisso, memorandos de entendimento e contratos.
 As assinaturas tiveram lugar no âmbito da visita que do primeiro ministro português, José Sócrates, realizou a Caracas onde se reuniu em privado com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, no palácio presidencial de Miraflores

ENCONTRO COM  A COMUNIDADE

 O primeiro ministro português enviou, no final da sua visita a Caracas,  um “sinal claro” à comunidade lusa radicada na Venezuela de que o Governo de Lisboa está do seu lado e atento aos seus problemas.
 “O encontro com a comunidade portuguesa na Venezuela serve para dar um sinal claro a toda a comunidade que vocês têm o Governo (português) do vosso lado e que o Governo está atento aos vossos problemas”, disse José Sócrates em Caracas.

 O primeiro ministro falava num encontro com vários empresários e representantes da comunidade lusa local, no âmbito de uma visita à Venezuela.
 Por outro lado, frisou que Lisboa “quer partilhar” os problemas da comunidade portuguesa e “tudo fará” para satisfazer os seus “interesses e ansiedades”, “aproveitando a relação que tem com o Governo” da Venezuela.

 “Eu sei que durante muitos anos o Governo português pouco se empenhou nessa relação e sei também que nos últimos anos eu fui o primeiro ministro que mais veio à Venezuela. Mas vim porque sempre achei que Portugal tem uma relação muito especial com o povo venezuelano e que essa relação é ditada fundamentalmente por termos aqui uma grande comunidade portuguesa”, afirmou.
 José Sócrates disse ainda que se deslocou a Caracas “também por uma razão de diplomacia económica”, para “estreitar as relações económicas entre Portugal e a Venezuela”.

 “Nada mais importante para a comunidade portuguesa na Venezuela do que ter uma relação comercial entre Portugal e a Venezuela forte, que haja relações entre empresas venezuelanas e portuguesas, que Portugal preste mais atenção à Venezuela do ponto de vista económico”, acrescentou.
 Antes de visitar o país pela primeira vez, salientou, as relações entre os dois estados limitavam-se à importação de petróleo da Venezuela.
 Sócrates disse ainda que em 2007 as exportações de Portugal para a Venezuela eram de apenas 17 milhões de euros por ano e em 2009 subiram para 129 milhões, atingindo pela primeira vez um saldo positivo para Lisboa.
 “As relações agora estão mais equilibradas e melhores”, referiu, considerando que isso “pode ser motivo de orgulho para a comunidade portuguesa” radicada no país.

* Sócrates fez escala no aeroporto da Madeira e manifesta a Jardim entusiasmo com palavras de Chávez

 O chefe do Governo madeirense afirmou que o primeiro ministro lhe transmitiu estar “tranquilizado e entusiasmado com o interesse que o Presidente da Venezuela tem pela comunidade portuguesa”.
 Jardim falava no aeroporto da Madeira, onde se reuniu com o primeiro ministro durante uma escala técnica do avião que transporta a comitiva de José Sócrates de regresso a Lisboa depois de uma viagem ao Brasil e Venezuela.

 “Penso que entre a República Portuguesa e a Bolivariana estão a decorrer trabalhos no sentido de facilitar mais a vida aos portugueses na Venezuela”, disse Jardim.
 Segundo o governante regional, “o primeiro ministro vem tranquilizado e entusiasmado com o interesse que o Presidente Chávez tem pela comunidade portuguesa”.
 Realçou que esta visita permitiu o “desbloqueamento imediato de tudo o que tem a ver com transferências que representam apoios à reconstrução da Madeira”, contornando assim as dificuldades em enviar as verbas que haviam sido arrecadadas numa colheita feita naquele país.
 Alberto João Jardim referiu que neste encontro não foi abordada a questão das eventuais expropriações e nacionalizados por parte do Governo da Venezuela em relação à propriedade de portugueses luso-descendentes.

 O líder madeirense concluiu que o primeiro ministro lhe “transmitiu que, por parte dos dois governos, houve a preocupação de transmitir segurança e conforto à comunidade portuguesa”.
 No sábado, Hugo Chávez recebeu José Sócrates e os dois líderes assinaram vários acordos em diversas áreas, para impulsionar a cooperação bilateral.
 No mesmo encontro, o Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou ter dado instruções ao ministro venezuelano de Economia, Jorge Giordani, e ao presidente da Comissão de Administração de Divisas (Cadivi), Manuel Barroso, de autorizar a transferência de quase um milhão de dólares angariados pela comunidade lusa local para a reconstrução da Madeira.

 “A comunidade portuguesa aqui fez uma recolha de alguns recursos e necessitam trocá-los, é cerca de um milhão de dólares, para enviar à Madeira, isso é algo urgente que deve ocorrer em poucas horas”, disse.

 Na Venezuela está vigente, desde 2003, um sistema de controlo cambial que impede a livre obtenção de moeda estrangeira no país.
 Chávez disse ainda que, sobre a transferência de recursos da comunidade portuguesa na Venezuela para Portugal, foi acordado "um mecanismo directo de coordenação mais rápida, que tenha fluidez para que isto não demore, não tenha entraves”.